NUNCA DIGAS NUNCA - ANTEESTREIA

                                             Capitulo I
                                   Um amor simples


No final dos anos 70, a cidade da Covilhã vivia ao ritmo das fábricas de lanifícios, das ruas íngremes e das tardes longas de verão. Nos dias mais quentes, havia um lugar onde quase todos os jovens acabavam por se encontrar: a Piscina dos Penedos Altos.
Foi ali que começou a história de David e Carol.
Verão de 1978
David morava numa rua estreita do centro da cidade, num prédio antigo com varandas de ferro trabalhado. Todos os dias descia as escadas de pedra, atravessava ruas onde os vizinhos conversavam à porta e seguia com os amigos até à piscina.
Carol vivia no Bairro da Estação, perto da linha férrea. O som dos comboios fazia parte da sua vida desde criança. Nas tardes de verão, ela e as amigas caminhavam pela cidade acima, rindo e comentando tudo o que viam, até chegarem à piscina.
Era ali que se juntava o grupo:
David, o amigo Rui, o falador Nando, a tímida Lena, a divertida Paula… e Carol.
Num daqueles dias de julho, o sol brilhava forte e a piscina estava cheia. David estava sentado na borda da água quando viu Carol entrar com as amigas.
Ela tinha cabelo castanho comprido e trazia um vestido leve que balançava com o vento quente da serra. Quando tirou as sandálias e se aproximou da piscina, David ficou a olhar sem dizer nada.
— Estás a olhar para quem? — perguntou Rui, rindo.
David tentou disfarçar.
— Para ninguém…
Mas naquele momento Carol mergulhou na água e, ao subir à superfície, olhou diretamente para ele. Sorriu.
Foi um sorriso simples… mas ficou gravado na memória de David.
Nos dias seguintes, começaram a falar. Primeiro de forma tímida. Depois, cada vez mais à vontade.
O grupo passou a encontrar-se quase todos os dias. Passavam horas na água, jogavam cartas na relva, ouviam música num pequeno rádio portátil e riam até o sol começar a desaparecer atrás da serra.
Às vezes iam juntos para o centro da cidade, comendo gelados e passeando pelas ruas.
David e Carol caminhavam sempre um pouco atrás dos outros.
— Nunca tinha vindo tanto à piscina — disse Carol numa dessas tardes.
— Ainda bem que vieste — respondeu David.
Ela sorriu.
Com o passar das semanas, começaram a ficar cada vez mais próximos.
Num fim de tarde, quando o grupo já tinha ido embora, David e Carol ficaram sentados na relva perto da piscina.
O céu estava laranja e rosa.
— Gosto da Covilhã assim — disse Carol.
— Como assim?
— Silenciosa… quando toda a gente já foi para casa.
David olhou para ela.
— Eu gosto quando estás aqui.
Carol ficou em silêncio por um momento. Depois encostou a cabeça no ombro dele.
Foi ali que começaram a namorar.
Durante aquele verão, o grupo viveu momentos que pareciam não ter fim:
mergulhos, gargalhadas, passeios pela cidade, histórias contadas até tarde.
Mas para David e Carol, cada encontro tinha um significado especial.
Ele esperava por ela na entrada da piscina.
Ela vinha sempre pela rua que subia do Bairro da Estação, de seu nome Mateus Fernandes.
E quando se viam, sorriam como se o resto do mundo desaparecesse.

Continua…



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