UM DIA SEREMOS APENAS UMA FOTO NA ESTANTE DE ALGUÉM

Um dia seremos apenas uma fotografia pousada numa estante, pendurada numa parede ou guardada numa velha gaveta. Um retrato que alguém irá olhar com saudade, lembrando-se de quem fomos, das palavras que dissemos, dos abraços que demos e dos momentos que partilhámos.

A verdade é que passamos grande parte da vida preocupados com coisas que, vistas à distância do tempo, pouco significado terão. Preocupamo-nos com rugas, cabelos brancos, alguns quilos a mais, pequenas imperfeições que julgamos enormes. Corremos atrás de um ideal de perfeição que nem sequer existe, esquecendo-nos de viver.

Aproveitem o estado físico que têm hoje. Não esperem pelo peso ideal para ir à praia. Não esperem pela roupa perfeita para tirar uma fotografia. Não adiem uma caminhada, uma viagem, um mergulho no mar ou uma dança porque acham que já não têm a mesma forma de antigamente.

Daqui a alguns anos, quando alguém pegar numa fotografia vossa, não irá reparar nas rugas, nas marcas do tempo ou nas imperfeições que tanto vos preocupavam. Irá ver a pessoa que ali estava. Irá recordar o sorriso, a alegria, a presença. Irá desejar, muitas vezes, voltar a ouvir a vossa voz por apenas mais um minuto.

O tempo tem o estranho hábito de transformar defeitos em saudades. Aquilo que hoje criticamos ao espelho será amanhã uma recordação preciosa para quem nos ama.

Por isso, vivam. Tirem fotografias. Riam alto. Guardem memórias. Abram os braços aos vossos filhos, aos vossos netos, aos amigos de sempre. Saiam de casa. Vistam a roupa que gostam. Aproveitem os dias de sol e até alguns dias de chuva.

Porque um dia seremos apenas uma fotografia na estante de alguém. Mas enquanto esse dia não chega, temos o privilégio de estar do lado de cá da moldura, a escrever a nossa história.

E essa história merece ser vivida com intensidade, gratidão e alegria.

Bom dia para todos nós 🍀



HEIDI, PEDRO, O AVÔ E A CLARA: AMIGOS QUE NUNCA ESQUECEMOS

Há personagens que entram na nossa infância e acabam por ficar connosco para toda a vida. Passam os anos, mudam os tempos, surgem novas séries, novos heróis e novas tecnologias, mas alguns rostos continuam guardados num cantinho especial da nossa memória. Para muitos da nossa geração, a Heidi, o Pedro, o Avô e a Clara fazem parte desse grupo privilegiado.

Heidi não era apenas um desenho animado. Era uma lição de amizade, de simplicidade e de amor pela natureza. Numa época em que havia poucos canais de televisão e em que os desenhos animados eram um acontecimento esperado com ansiedade, bastava ouvir a música de abertura para corrermos para junto do televisor.

A Heidi era a menina de coração puro que encontrava felicidade nas pequenas coisas. Corria pelos prados, conversava com os animais e descobria beleza em tudo o que a rodeava. O Pedro, pastor das montanhas, era o amigo fiel, companheiro de aventuras e guardador de rebanhos. O Avô, homem de poucas palavras mas de enorme coração, transmitia valores que hoje continuam atuais: respeito, trabalho, honestidade e amor incondicional pela família.

E depois havia a Clara, presa a uma cadeira de rodas, que nos ensinava que a amizade consegue derrubar barreiras que parecem impossíveis. Quantos de nós não vibrámos quando a vimos recuperar a esperança? Quantos não sentimos um aperto no coração e, ao mesmo tempo, uma enorme alegria ao acompanhar a sua história?

Naqueles tempos, os episódios eram vividos de forma diferente. Não existiam plataformas de streaming, gravações automáticas nem a possibilidade de ver tudo de seguida. Se perdíamos um episódio, tínhamos de esperar e imaginar o que teria acontecido. Talvez por isso cada capítulo tivesse um sabor especial.
Mas a verdadeira magia da Heidi estava na forma como nos fazia sonhar. Sonhávamos com as montanhas, com os campos verdes, com a liberdade de correr sem preocupações, com a amizade sincera e com um mundo onde as pessoas valiam mais pelo que eram do que pelo que tinham.

Hoje, quando ouvimos a música da série ou vemos uma imagem daqueles personagens, somos transportados para um tempo mais simples. Um tempo em que a felicidade cabia numa tarde de desenhos animados, num pão com chocolate, numa brincadeira na rua ou numa conversa à porta de casa.

A Heidi, o Pedro, o Avô e a Clara não eram apenas personagens de televisão. Eram companheiros das nossas tardes, cúmplices dos nossos sonhos e habitantes permanentes das nossas recordações.
E talvez seja por isso que, passadas tantas décadas, continuamos a sorrir quando alguém pronuncia aqueles nomes. Porque algumas histórias não envelhecem. Ficam guardadas para sempre no coração de quem teve a sorte de crescer com elas. 💗
"As montanhas continuam lá, os anos passaram, mas a Heidi permanece para sempre na memória de uma geração."

Bom domingo para todos nós 🍀



SORROW

 Caros seguidores:

 Olhem só o que eu descobri, uma das minhas canções preferidas nos anos 70' e 80'. 

 Mort Shuman a interpretar Sorrow 

 Feliz sábado!








PROTEJAM A TRANQUILIDADE

Se nos preocuparmos constantemente com coisas insignificantes, quando surgir um verdadeiro problema corremos o risco de não ter forças para o enfrentar.

Evitem as intrigas, os falsos profetas, as más influências e tudo aquilo que transporta carga negativa. Vão ver que a saúde melhora, a mente fica mais leve e o mundo ganha novas cores.

Talvez, nessa altura, consigamos ver mais festas nas aldeias do que tragédias nos noticiários, mais sorrisos do que amarguras e mais esperança do que desilusão.

Quanto aos falsos profetas... cuidado!
Muitas vezes apresentam-se como amigos, pregam o bem, oferecem ajuda e parecem caminhar ao nosso lado. Mas, quando menos esperamos, revelam-se exatamente o contrário daquilo que aparentavam ser.

A vida ensina-nos que nem todos os sorrisos são sinceros e nem todas as mãos estendidas vêm com boas intenções.

Por isso, escolham bem quem deixam entrar no vosso caminho.
A paz vale demasiado para ser entregue a quem vive da intriga, da falsidade ou da traição.
Protejam a vossa tranquilidade. Ela é um dos bens mais preciosos que possuem.

Boa noite para todos nós🌙



A POBREZA ALIMENTA INTERESSES

A pobreza nunca irá acabar enquanto alimentar interesses.

Dizem que a pobreza é um problema que todos querem resolver. Mas, olhando à nossa volta, por vezes parece que ela também alimenta muitos interesses. À sua volta existem instituições, projetos, campanhas, cargos e financiamentos que dependem da sua existência para continuar a funcionar.

Isto não significa que quem ajuda o faça por interesse, porque há muitas pessoas que dedicam a vida a apoiar quem mais precisa com enorme generosidade. Mas a verdade é que, enquanto houver pobreza, haverá também quem viva profissionalmente do combate à pobreza.

Talvez o maior desafio não seja apenas aliviar as dificuldades de quem sofre, mas criar condições para que cada pessoa possa caminhar pelos seus próprios meios. Porque ajudar é importante, mas acabar com a necessidade de ajuda seria ainda mais importante.

E essa é uma reflexão que merece ser feita.

Bom dia para todos nós 🍀



PORTUGAL - 1 CONGO - 1


A seleção portuguesa de futebol empatou hoje a um golo com a República Democrática do Congo, em encontro da primeira jornada do Grupo K do Mundial de 2026.

Em Houston, nos Estados Unidos, Portugal adiantou-se logo aos seis minutos, por João Neves, servido por Pedro Neto, mas, já nos descontos, aos 45+5, Yoane Wissa restabeleceu a igualdade, que se manteve até final.

Com este resultado, portugueses e congoleses seguem com um ponto, na frente do Grupo K, antes do embate entre a Colômbia e o estreante Uzbequistão, na Cidade do México.



O MEU PEQUENO MUNDO

O meu pequeno mundo tem sol e tem chuva, tem arco-íris e tem tormentas.

Tem um grande castelo, construído pedra a pedra, dia após dia, com a ajuda dos príncipes, das princesas e dos plebeus que o frequentam.

Nesse castelo só mora quem eu quero. Quem merece. Quem é verdadeiro.

Há momentos de alegria, mas também de tristeza.
Nos momentos felizes, rimos juntos.
Nos momentos difíceis, choramos juntos.

Porque, no meu pequeno mundo, ninguém caminha sozinho.

Ali, as diferenças perdem importância, os afetos falam mais alto e os laços tornam-se eternos.

E é por isso que, no meu pequeno mundo, somos todos apenas um.

Bom dia para todos nós 🍀



E O SPORTING CLUBE DA COVILHÃ VENCEU

Naquele tempo em que as novas tecnologias não passavam da série Espaço 1999 e em que uma bola de plástico comprada na loja do Sr. Raúl Paiva custava apenas dois escudos e cinquenta centavos, jogar à bola ou construir castelos no Jardim Público era felicidade garantida.

Não tínhamos internet.
Não tínhamos telemóveis.
Não tínhamos redes sociais.

Mas tínhamos uma coisa que hoje parece cada vez mais rara: tempo para viver.

 Era domingo. Dia de futebol.
E quando o Sporting da Covilhã jogava em casa, o dia tinha um sabor especial.
Havia quase um ritual.
Almoçava por volta da uma da tarde e vestia a minha melhor roupa. Sim, porque naquele tempo existia a "roupa de domingo". Não importava se éramos ricos ou pobres; ao domingo vestíamo-nos como se fosse um dia de festa.
Depois seguia para a Leitaria Triunfo, onde o Zé Manuel já me esperava.
Por essa hora, a Covilhã estava ao rubro.
Os cafés cheios.
As ruas movimentadas.
Os autocarros chegavam às dezenas, trazendo turistas que vinham conhecer a Serra da Estrela.
A cidade respirava vida.
Depois do café e do inevitável cigarrinho da ordem, pagava ao Sr. Amaral e lá seguíamos em direção ao Santos Pinto.
Pelo Pelourinho, o trânsito era tanto que o sinaleiro mal tinha mãos para o controlar. No Café MONTALTO entravam e saíam pessoas sem parar, como formigas num carreiro.
Pela Rua Ruy Faleiro formavam-se filas intermináveis de automóveis.
Turistas.
Visitantes do Hospital.
Adeptos de futebol.
Toda a cidade parecia caminhar no mesmo sentido.
Lembro-me até de um motorista de ambulância, junto à Papelaria Ferrão, a tentar abrir caminho no meio daquela confusão.
E, curiosamente, ninguém reclamava.
Porque aquela confusão era sinal de uma cidade viva.

Finalmente subíamos a rampa do Hospital.
Ao longe já se ouvia a música que fazia parte da identidade da cidade:
"Covilhã, Cidade Neve…"
Sentávamo-nos na bancada lateral, do lado do Poço Grande, de onde víamos os jogadores aquecer antes do início da partida.
Tinha chovido na véspera, mas o pelado apresentava-se em boas condições.
E que tarde foi aquela!
Vitória serrana por duas bolas a zero frente ao União de Tomar.
A raça do Fazenda foi decisiva, mas também ficaram na memória o Baixa, o Coimbra e as defesas extraordinárias do Guilherme.
No final do jogo regressávamos a casa.
O trânsito já era menor, embora os carros continuassem a descer da Serra. Os candeeiros começavam a iluminar as ruas e anunciavam a chegada da noite.

Despedia-me do Zé Manuel e recolhia a casa.
Não havia saídas noturnas.
Não havia centros comerciais.
Não havia ecrãs a ocupar cada minuto da nossa vida.
Havia o Domingo Desportivo na RTP 1.
Havia os resumos dos jogos.
Havia a escola no dia seguinte.
E havia aquela sensação maravilhosa de quem tinha aproveitado o dia até ao último minuto.

Hoje, quando recordo esses domingos, percebo que a felicidade não estava nas coisas que possuíamos.
Estava nos amigos.
Nas conversas.
Nos cafés cheios.
Nas ruas com gente.
No futebol ao domingo.

E naquela Covilhã que parecia pequena para quem a via de fora, mas enorme para quem a trazia no coração.
Quem viveu aqueles tempos sabe exatamente do que estou a falar.
E talvez seja por isso que certas memórias nunca envelhecem.

Bom domingo para todos nós🍀



QUANDO UM DIA DE SOL BASTAVA PARA SER FELIZ

Houve um tempo em que bastava abrir a janela e ver o sol para saber que o dia ia ser bom.

Não existiam avisos amarelos, laranjas ou vermelhos. Não havia aplicações meteorológicas a dizer-nos se podíamos ou não sair de casa. Existiam apenas dias bons e dias maus. E, quando o sol aparecia, ninguém precisava de mais explicações.

Saíamos para a rua sem relógios nem telemóveis. O Jardim Público era um dos nossos reinos e qualquer pedaço de terreno servia para uma partida de futebol. Fosse no Campo das Festas, no Largo do Calvário ou noutro qualquer canto da cidade, lá estávamos nós, felizes, a correr atrás de uma bola, sem medo de rasgar as calças ou esfolar os joelhos.

Quando chegava o calor, pegávamos numa toalha, metíamo-la debaixo do braço e seguíamos a pé para a piscina dos Penedos Altos. Parecia uma aventura. Muitas vezes levávamos apenas duas sandes feitas em casa, mas sentíamo-nos donos do mundo. Passávamos ali o dia inteiro, entre mergulhos, gargalhadas e amizades que pareciam eternas.

Nas férias de Verão, em grupo, fazíamos o caminho para as Penhas da Saúde pelos atalhos que os mais velhos nos tinham ensinado. Hoje talvez pareça impensável, mas naquela altura a liberdade era o nosso maior património. Caminhávamos quilómetros sem nos queixarmos, porque o destino era sempre uma recompensa.

E depois veio a adolescência.

As tardes passadas na esplanada do Café MONTALTO tinham um encanto especial. Entre conversas, sonhos e uma imperial fresca, observávamos os gestos quase coreografados do polícia sinaleiro a orientar o trânsito à volta da placa. Parecia fazer parte da paisagem da cidade, como se sempre lá tivesse estado.

O Teatro Cine exibia os seus cartazes semanais, despertando curiosidades e conversas, enquanto a Tabacaria Hermínios era paragem obrigatória para quem queria comprar o jornal e saber das novidades.

Hoje temos mais tecnologia, mais informação e mais conforto. Sabemos a temperatura ao minuto, recebemos alertas para tudo e temos o mundo inteiro dentro de um telemóvel.

Mas, às vezes, dou por mim a pensar que éramos mais ricos quando tínhamos menos.

Porque houve um tempo em que um simples dia de sol bastava para nos fazer felizes.

E talvez essa tenha sido a maior riqueza de todas.

Bom dia para todos nós 🍀



DIA DE PORTUGAL E DIA DA MINHA RENOVAÇÃO PESSOAL

 Bom dia caros seguidores: 

 Hoje é dia 10 de Junho, dia de Portugal, dia de Camões e dia das Comunidades Portuguesas, mas o dia 10 também é de extrema importância para mim, por ser o dia do começo da minha Renovação Pessoal. 

 Cada dia 9 recorda-me o dia que parei de fumar, já lá vão 14 anos, 5 meses e 1 dia. Cada dia 10 recorda-me o dia que parei de beber bebidas alcoólicas e já lá vão 2 anos e 4 meses. 

 A partir do dia 10 de Fevereiro de 2024 começou a minha renovação pessoal e o meu próprio rejuvenescimento interior. Sei que muita coisa ainda me espera,  mas  o mais importante será viver um dia de cada vez, sempre na procura do melhor e rodear-me com tudo o que me faz bem. 

 Paz, muita paz interior e tudo o resto virá por acréscimo. 

 Grande abraço. 




OS SINALEIROS DA COVILHÃ – GUARDIÕES DAS NOSSAS MEMÓRIAS

Há profissões que desapareceram das ruas, mas que continuam vivas na memória de quem teve o privilégio de as conhecer. Os sinaleiros são uma delas.

Antes dos semáforos dominarem os cruzamentos e ditarem o ritmo da circulação, eram homens de farda, de braços erguidos e olhar atento, que organizavam o trânsito e garantiam a segurança de todos. Eram figuras respeitadas, quase tão familiares para os covilhanenses como os vizinhos da porta ao lado.

Ainda hoje recordo os sinaleiros que desempenhavam a sua missão em vários pontos da cidade. Na Rua Comendador Campos Melo, em frente à loja do saudoso Sr. Raul Paiva, estava um deles, sempre vigilante no seu pedestal. Outro encontrava-se entre o MONTIEL e a antiga Farmácia Pedroso, coordenando o movimento incessante de veículos e peões. Havia também o sinaleiro em frente ao Café MONTALTO, e aquele que marcava presença no Largo de São João de Malta.

Curiosamente, apenas não cheguei a conhecer o que desempenhava funções no cruzamento entre a Rua Marquês d'Ávila e Bolama e a Rua Visconde da Coriscada. Talvez tenha pertencido a uma época ligeiramente anterior à minha memória.
A foto que ilustra este texto é de um sinaleiro a controlar o trânsito, precisamente nessa rua.

Naqueles tempos, as pessoas respeitavam profundamente os sinaleiros. Bastava um gesto do braço para que automóveis, camionetas e peões obedecessem sem hesitação. E que gestos eram aqueles! Alguns executavam os movimentos com uma elegância quase militar; outros tinham maneiras tão particulares e expressivas que acabavam por se tornar figuras carismáticas da cidade. Havia até quem observasse os seus movimentos com um sorriso, como se assistisse diariamente a uma pequena representação teatral ao ar livre.

Ao final da tarde, quando o movimento diminuía e o dia se aproximava do fim, os sinaleiros abandonavam os seus pedestais. Desciam do palco onde, durante horas, tinham dirigido a vida da cidade, e recolhiam à esquadra na Rua António Augusto de Aguiar. Era o fim de mais um dia de serviço, cumprido com dedicação e sentido de responsabilidade.

Hoje, os semáforos fazem o trabalho que outrora lhes pertencia. São mais modernos, mais eficientes e nunca se cansam. Mas não sorriem, não cumprimentam, não têm histórias para contar nem deixam memórias.

Os sinaleiros desapareceram das ruas da Covilhã, mas permanecem vivos na lembrança daqueles que os viram trabalhar. Porque algumas pessoas não ficam apenas na História de uma cidade; ficam também guardadas no coração de quem a viveu.

A todos os sinaleiros da Covilhã, e de Portugal, deixo a minha sentida homenagem. Homens que, com dedicação, disciplina e um profundo sentido de serviço público, fizeram parte do quotidiano das nossas cidades e das nossas vidas. Muitos já partiram, outros permanecem apenas nas nossas recordações, mas todos merecem ser lembrados pelo importante papel que desempenharam numa época que jamais será esquecida.

Bom feriado para todos nós 🍀



O NOSSO TEMPO

Não existe mais o " no nosso tempo" nem "no meu tempo".

O nosso tempo é todo o caminho que percorremos desde o dia em que nascemos até ao dia em que partimos.

Enquanto respiramos, enquanto sentimos, enquanto amamos, sonhamos e construímos memórias, esse continua a ser o nosso tempo.

Só quando chega o momento da despedida é que o "nosso tempo" deixa de nos pertencer e passa a ser apenas uma recordação na memória daqueles que ficam.

Por isso, talvez não faça sentido viver preso ao passado ou à espera do futuro.

Porque o nosso tempo é agora.

E cada dia que amanhece faz parte dele.

Bom dia para todos nós 🍀



A VIDA NÃO AVISA

Passamos grande parte da vida a fazer planos.

Planeamos o próximo fim de semana, as próximas férias, o próximo Natal, o próximo verão. Dizemos muitas vezes: "Depois telefono", "Depois passo por lá", "Depois combinamos um café".

Mas a verdade é que a vida nem sempre espera pelo nosso "depois".

Num instante, tudo pode mudar.

Hoje estamos a conversar com alguém, amanhã resta apenas a saudade dessa conversa.
Hoje recebemos um abraço, amanhã daríamos tudo para o voltar a sentir.
Hoje ouvimos uma voz familiar, amanhã procuramo-la na memória.

A vida é bela, mas também é frágil.

Não avisa quando vai mudar.
Não marca hora para partir.
Não pede licença para levar quem amamos.
Não nos dá a oportunidade de voltar atrás para dizer aquilo que ficou por dizer.

E talvez seja por isso que devíamos viver de forma diferente.

Abraçar mais.
Perdoar mais.
Agradecer mais.
Visitar mais.
Amar mais.

Porque acumulamos tantas coisas materiais durante uma vida inteira e, no final, aquilo que realmente fica são os momentos, os afetos e as pessoas que tocaram o nosso coração.

Muitas vezes andamos zangados por coisas sem importância, alimentamos orgulhos inúteis e adiamos gestos simples que poderiam fazer toda a diferença.

A vida ensina-nos, quase sempre tarde demais, que o mais valioso nunca foi o dinheiro, os bens ou as aparências.

O mais valioso são as pessoas.

Por isso, se amas alguém, diz-lhe.
Se tens saudades, procura.
Se tens de pedir desculpa, pede.
Se tens de agradecer, agradece.

Não porque o mundo vá acabar amanhã.

Mas porque ninguém sabe se terá a oportunidade de o fazer amanhã.

E há uma pergunta que devia acompanhar-nos todos os dias:

E se este fosse o último abraço?
E se esta fosse a última conversa?
E se amanhã eu já não estivesse aqui... ou tu já não estivesses para me ouvir?

Vive.
Ama.
Perdoa.
Agradece.

Porque a vida é um sopro... e o tempo que temos com quem amamos é o bem mais precioso que alguma vez possuiremos.

Bom dia para todos nós 🍀



A FALTA DE EMPATIA ATRÁS DE UM ECRÃ

 🍒Ao longo dos anos administrei alguns dos grupos mais conceituados da Covilhã. Fi-lo com dedicação, respeito e com a convicção de que as redes sociais poderiam ser um espaço de partilha, amizade e união entre pessoas que têm algo em comum: o amor pela sua terra.

Infelizmente, com o passar do tempo, fui percebendo uma realidade que me deixou profundamente desiludido.

Muitas pessoas transformaram as redes sociais num palco de críticas, ofensas e ataques gratuitos. Atrás de um ecrã, escondidas pelo conforto da distância, dizem aquilo que dificilmente teriam coragem de dizer frente a frente. A empatia, o respeito e a educação parecem, por vezes, ter ficado pelo caminho.

Vivemos numa época em que se comenta antes de compreender, se julga antes de conhecer e se ataca apenas porque alguém pensa de forma diferente. E isso entristece-me.

Foi precisamente essa falta de humanidade que me levou a afastar-me da administração de grupos que tanto significaram para mim. Não por falta de vontade, mas porque chegou o momento de perceber que a paz interior vale mais do que qualquer número de seguidores, gostos ou comentários.

Na vida, tal como nas redes sociais, aprendi a bloquear, a afastar e a deixar de seguir tudo aquilo que não me acrescenta nada de positivo. Não se trata de arrogância nem de intolerância. Trata-se de proteger a nossa tranquilidade, a nossa saúde emocional e o nosso bem-estar.

Por isso, deixo também um conselho aos meus amigos e amigas: não tenham receio de se afastar de quem vos faz mal. Aproximem-se de quem vos respeita, vos apoia, vos valoriza e vos estende a mão nos momentos difíceis.

A vida já tem desafios suficientes para ainda carregarmos o peso da negatividade dos outros.

Escolham estar perto de pessoas verdadeiras. Pessoas que vos façam sorrir, crescer e acreditar. Pessoas que se alegram genuinamente com as vossas conquistas e que permanecem ao vosso lado quando as coisas não correm bem.

Porque no final de tudo, não são os números que contam. Não são os seguidores, nem as reações, nem os comentários.

O que realmente importa são as pessoas que nos fazem sentir bem, que nos respeitam como somos e que tornam o nosso caminho mais leve.

Essas sim, merecem permanecer na nossa vida.

Bom domingo para todos nós 🍀



O CAMPO DAS FESTAS

Há lugares que não são apenas espaços. São pedaços da nossa vida.

Para muitos covilhanenses, o Campo das Festas foi muito mais do que um terreno amplo no coração da cidade. Foi um palco de sonhos, de encontros, de emoções e de memórias que o tempo não conseguiu apagar.

Quem viveu aqueles tempos lembra-se bem da grandiosidade da Feira de São Tiago. Durante dias, aquele espaço transformava-se numa verdadeira cidade dentro da cidade. Chegava gente de todo o país, de comboio, de autocarro ou em viatura própria. Havia movimento por todo o lado, vozes, música, vendedores, compradores, luzes e animação até perder de vista.

E depois vinham os circos...

 Para nós, miúdos, a chegada de um circo era um acontecimento mágico. Ficávamos fascinados ao ver os enormes camiões, as tendas gigantes a erguerem-se e os animais que só conhecíamos dos livros ou da televisão. Leões, tigres, elefantes... Parecia que o mundo inteiro tinha vindo parar à Covilhã.

E quantos de nós não aproveitámos uma distração dos porteiros para passar por baixo da lona e espreitar o espetáculo? 

O Campo das Festas era também o nosso estádio improvisado. Jogávamos à bola durante horas, sem relógios, sem telemóveis e sem preocupações. O único problema era quando alguém rematava a bola para os lados da Avenida Frei Heitor Pinto. Aí começava outra aventura: descer aquela encosta para a recuperar. E nem todos tinham coragem para isso!

Também foi durante muitos anos o local onde estacionavam dezenas de autocarros vindos de todos os cantos do país. Os turistas passavam a noite na cidade e, ao nascer do dia, seguiam rumo à Serra da Estrela para ver a neve. A Covilhã respirava turismo, vida e movimento.

Hoje, quando passo por lá, sinto uma mistura de saudade e tristeza.

O Campo das Festas já não tem o brilho de outros tempos. O espaço continua lá, mas a magia parece ter desaparecido. As gargalhadas, os espetáculos, os jogos de futebol improvisados e a azáfama das grandes feiras vivem agora apenas na memória de quem teve a sorte de os viver.

Talvez os mais novos nunca consigam imaginar o que aquele lugar representou para várias gerações.

Por isso, merecia pelo menos uma placa, um monumento ou um simples sinal que contasse a sua história.

Porque há lugares que fazem parte da identidade de uma cidade.

E o Campo das Festas foi, sem dúvida, um deles.
💗Honra lhe seja feita.

Feliz sábado para todos nós 🍀



EMPATIA

🍁Pode-se imaginar na pele do outro, contudo ninguém sente a dor como o próprio, pois falar com a dor dos outros é fácil demais.

Vivemos num mundo onde abundam opiniões, conselhos e julgamentos. Muitas vezes, ao vermos alguém atravessar um momento difícil, acreditamos compreender exatamente aquilo que essa pessoa sente. Dizemos frases como "eu percebo-te" ou "sei o que estás a passar". Mas a verdade é que cada dor tem uma intensidade, uma história e uma marca que só quem a vive conhece verdadeiramente.

Podemos imaginar a tristeza de uma perda, a angústia de uma desilusão ou o peso de uma luta diária. Podemos até recordar situações semelhantes nas nossas vidas. No entanto, nunca sentiremos exatamente aquilo que o outro sente, porque ninguém carrega as mesmas memórias, os mesmos medos, as mesmas cicatrizes ou a mesma forma de encarar a vida.

Falar da dor dos outros é relativamente fácil quando a observamos de fora. Difícil é suportá-la quando ela nos bate à porta, quando nos rouba o sono, quando nos aperta o peito e nos acompanha em silêncio durante dias, meses ou até anos. É nesses momentos que percebemos como é injusto julgar e como é importante praticar a empatia.

Por isso, antes de criticar alguém pela forma como reage às dificuldades, devemos lembrar-nos de que nem todas as batalhas são visíveis. Há sorrisos que escondem lágrimas, há silêncios que escondem gritos e há pessoas que carregam pesos que jamais conseguiríamos imaginar.

A verdadeira grandeza não está em dizer que compreendemos tudo. Está em estender a mão sem julgar, em ouvir sem interromper e em respeitar uma dor que, embora possamos tentar compreender, nunca será totalmente nossa.

Porque podemos caminhar ao lado de alguém, mas só quem calça os seus sapatos conhece o caminho, os obstáculos e as feridas que ele deixou pelo percurso.

Bom dia para todos nós 🍀



A CARTA (VIA CTT)

Covilhã, Junho de 1983

Meus queridos amigos,

Passei por aqui apenas para vos dizer que este dia está quase passado.

E vocês, andam bem?

O tempo voa, não é verdade? Ainda há pouco parecia que estávamos no início do ano e agora já sentimos os dias mais longos, o calor a chegar e a alegria do Verão a bater à porta.

Por aqui já deixámos os cobertores mais pesados. As árvores começam a dar um ar da sua graça, vestem-se de verde e enchem a paisagem de vida. É bonito ver a natureza acordar para mais uma estação.

A cidade segue tranquila. As pessoas passeiam ao final da tarde, as crianças brincam na rua até mais tarde e o sol parece não ter pressa de se esconder atrás da serra.

Daqui a pouco vou ver um pouco de televisão e descansar as pernas, porque amanhã é dia de trabalho.

Mas o melhor disto tudo é que amanhã já é sexta-feira…

E só essa ideia já nos põe um sorriso no rosto.

Por hoje despeço-me.

Recebam um forte abraço e muitos beijinhos deste vosso amigo, que vos escreve da bela cidade serrana da Covilhã.

Que a vida vos sorria, que a saúde não vos falte e que nunca se perca o hábito de recordar aqueles que moram no nosso coração.

Com amizade e saudade,

Paulo

Bom dia para todos nós 🍀



UM DIA DE ESCOLA EM 1978

Acordava pelas 7h45.

Lá fora já se ouvia o barulho dos carros e dos autocarros que transportavam estudantes e operários para mais um dia de trabalho. Sem telemóveis, sem internet e sem distrações digitais, a vida começava cedo e a pé.

Saía de casa pela Rua Direita, descia as escadas do Quebra-Costas e passava por São João de Malta, onde os autocarros chegavam cheios de gente vinda das aldeias do concelho.

Era uma Covilhã diferente.
Mais lenta.
Mais simples.
Mais humana.

Ao chegar ao Liceu encontrava os colegas no átrio. Falávamos de futebol, das raparigas e dos testes que se aproximavam. Eu já sabia que Matemática e Física me iam dar dores de cabeça, mas naquela idade as preocupações duravam pouco.

Depois tocava a campainha.

O silêncio instalava-se na sala e apenas os pássaros lá fora pareciam ter autorização para falar.

 No intervalo corríamos para o refeitório, que também servia de bar. Por vezes íamos à padaria junto ao Café Primor comprar os famosos "nevões".

Quem se lembra deles sabe do que falo…

Era impossível comê-los sem ficar com a roupa cheia de açúcar e farinha. 

 As aulas sucediam-se.

Português, Matemática, Biologia…

Os professores eram exigentes, mas respeitados.

E nós, mesmo sem percebermos na altura, estávamos a aprender muito mais do que as matérias dos livros.

Aprendíamos respeito.
Aprendíamos amizade.
Aprendíamos a crescer.

 No intervalo maior, o pátio enchia-se de vida.

Ali contavam-se anedotas, trocavam-se segredos, faziam-se amizades para a vida inteira.

O Rui Paulo Fonseca já mostrava o talento que mais tarde o levaria ao teatro, à televisão e às dobragens da Disney.

Naquele recreio ninguém imaginava o futuro que cada um teria pela frente.

 A última aula parecia sempre a mais longa.

As carteiras verdes alinhadas, o quadro de ardósia, o giz branco, os funcionários atentos no corredor…

Tudo fazia parte daquele pequeno universo que era a nossa escola.

E quando finalmente tocava para a saída, arrumávamos os livros à velocidade da luz e corríamos para casa.

Esperava-nos o almoço.
Esperava-nos a família.
Esperava-nos mais uma tarde de brincadeiras.

Hoje os tempos são outros.

As escolas mudaram.
A tecnologia transformou o mundo.
Mas há algo que nunca mudou:

A saudade daqueles dias.

Dos amigos.
Dos professores.
Dos corredores.
Dos sonhos.

Porque quem viveu a escola nos anos 70 e 80 não guarda apenas recordações.

Guarda pedaços de felicidade que o tempo nunca conseguiu apagar.

Porque, no fim de contas, podemos perder os anos, os lugares e até as pessoas, mas nunca perdemos verdadeiramente os momentos que nos fizeram felizes.

Bom feriado para todos nós🍀



AOS MAIS JOVENS...

Não tenham tanta pressa de crescer.
A vida passa num instante.

Hoje querem ser adultos…
amanhã vão sentir saudades do tempo em que a maior preocupação era brincar, rir e chegar a casa antes de anoitecer.

Escutem os vossos pais, mesmo quando parece que não vos entendem.
Os “cotas” podem não saber tudo sobre o mundo moderno…
mas sabem amar-vos como ninguém.

E quando a vida apertar, falem.
Desabafar não é sinal de fraqueza — é sinal de coragem.
Guardar dores em silêncio pode destruir por dentro até o sorriso mais bonito.

Não são os copos, os charros, as noites loucas ou as aparências que vos tornam mais importantes.
O verdadeiro valor de uma pessoa está no caráter, na humildade e na forma como trata os outros.
Nunca mudem a vossa essência para serem aceites por um grupo.
Quem gostar realmente de vocês ficará pelo coração… não pela máscara.

E nunca se esqueçam desta verdade:
Pode existir muita gente que goste de vocês,
mas ninguém neste mundo terá um amor tão puro e infinito como os vossos pais.

Aproveitem a vida.
Sonhem muito.
Errem, aprendam e levantem-se sempre.

Porque o tempo voa…
e um dia vão perceber que as coisas mais valiosas da vida nunca foram as materiais, mas sim os momentos, os abraços e as pessoas que caminharam ao vosso lado.

Boa tarde para todos nós 🍀



ATITUDES

Chega uma altura da vida em que percebemos que agradar a toda a gente é impossível.
Por mais correto que sejas, haverá sempre alguém para criticar a tua maneira de pensar, agir ou sentir.

Durante muito tempo preocupamo-nos demasiado com a opinião dos outros.
Calamo-nos para evitar conflitos.
Sorrimos quando estamos magoados.
Concordamos apenas para sermos aceites.

Mas viver assim é deixar de ser nós próprios.

Hoje prefiro perder aplausos do que perder a minha essência.
Prefiro ser verdadeiro e incomodar, do que ser falso apenas para agradar.

Não tenho de pensar igual aos outros para os respeitar.
Cada pessoa tem o direito de defender aquilo em que acredita, desde que o faça com dignidade e consciência.

A verdadeira liberdade começa quando deixamos de viver para a aprovação alheia.

Porque no final do dia, quando o barulho do mundo se cala, existe apenas uma pergunta realmente importante:

“Consigo dormir de consciência tranquila?”

Se a resposta for sim, então já vencemos uma das maiores batalhas da vida.

Bom dia para todos nós 🍀



O FUTURO QUE IMAGINÁMOS… E O MUNDO QUE ENCONTRÁMOS

Quando, em 1973, a professora Ivone nos pediu um desenho sobre o ano 2000, a minha imaginação voou mais depressa do que qualquer avião.

Desenhei carros voadores.
Imaginei teletransportes.
Sonhei com cidades futuristas como as das séries e filmes que víamos na televisão.

Mais tarde apareceu Espaço 1999 na RTP e a minha cabeça voltou a viajar para um futuro cheio de tecnologia, máquinas incríveis e descobertas sem limites.

Naquele tempo acreditávamos que o futuro seria quase mágico.

E a verdade é que muita coisa mudou.
Vieram os computadores, os telemóveis, a internet, a inteligência artificial… coisas que em 1973 pareciam impossíveis.

Estamos em 2026.
E apesar de toda a evolução tecnológica, continuo à espera da maior invenção de todas:

Mais humanidade.

Porque o mundo evoluiu muito nas máquinas…
mas, por vezes, parece ter desaprendido o essencial:
o respeito, a empatia, a solidariedade e a capacidade de olhar verdadeiramente pelos outros.

Hoje, se me pedissem novamente um desenho sobre 1973, talvez eu não desenhasse carros voadores.

Desenharia algo muito mais raro nos dias de hoje:
um senhor de fato cinzento e uma criança de calções e sandálias, de mãos dadas num jardim da cidade.

Porque há valores antigos que nunca deveriam sair de moda.
E talvez o verdadeiro futuro não esteja na tecnologia…
mas sim em conseguirmos voltar a ser mais humanos uns para os outros. 

Bom domingo para todos nós 🍀







COMO ERA LINDO O JARDIM (NOVA VERSÃO)

🌼Vivia a menos de 300 metros dele…
e aquele jardim foi a minha segunda casa.

Hoje chamam-lhe apenas “jardim”.
Mas para a minha geração era muito mais do que isso.
Era um mundo inteiro de memórias felizes.

Os canteiros sempre impecáveis, as flores coloridas, os jardineiros que tratavam cada canto com orgulho… parecia que o próprio jardim tinha alma.
🌹 Quem não se lembra do Sr. Napoleão?
Dos arcos, do lago e dos peixes coloridos que nos deixavam encantados?

Em frente à Igreja de São Francisco existia aquele famoso calendário de flores que impressionava todos os turistas.
E ali perto ficavam os “bancos dos namorados”… embora naquele tempo bastasse um abraço mais demorado para aparecer logo o Sr. guarda a dar um raspanete. 

🌹 Das grades do jardim viam-se paisagens maravilhosas.
Ao longe, os Penedos Altos, a piscina municipal e uma Covilhã muito mais tranquila, onde o relógio da torre marcava o tempo devagar… como se a vida tivesse menos pressa.

E nós?
Nós éramos felizes com tão pouco.

Jogávamos futebol com bolas de plástico compradas nas lojas do Sr. Morão ou do Sr. Raul.
Brincávamos às escondidas, ao lencinho, aos castelos… até o sol desaparecer.

As crianças andavam de triciclo ou bicicleta sem medos.
Os mais velhos passeavam calmamente pelos caminhos do jardim.
Toda a gente se conhecia.
Toda a gente se cumprimentava.

Hoje talvez existam jardins maiores e cidades mais modernas…
mas dificilmente haverá um jardim com tantas histórias, tantos risos e tanta infância guardada dentro dele.

Porque certos lugares nunca deixam de existir.
Continuam vivos… dentro do coração de quem lá foi verdadeiramente feliz. 

Bom sábado para todos nós🍀



O CAMINHO DA VIDA

🌿O caminho que percorremos na vida é construído por nós.

Os sinais estão lá.
Sempre estiveram.
Mas muitas vezes seguimos distraídos, ocupados demais, magoados demais ou simplesmente perdidos dentro de nós próprios.

Há decisões que parecem pequenas…
mas mudam completamente o rumo da nossa história.

Por vezes escolhemos o caminho errado.
Confiamos nas pessoas erradas.
Insistimos onde já não existe felicidade.
E continuamos a andar, mesmo sabendo cá dentro que aquela estrada já não nos leva a lugar nenhum.

Mas a vida tem algo de extraordinário:
dá-nos sempre novos cruzamentos.

E enquanto houver um novo amanhecer, haverá também a possibilidade de mudar de direção, recomeçar e seguir um caminho melhor.

Ninguém está condenado aos erros do passado.
Nem às quedas.
Nem às fases difíceis.

O importante não é quantas vezes nos perdemos…
mas quantas vezes tivemos coragem de voltar a encontrar-nos.

Porque às vezes o maior passo da nossa vida começa exatamente no momento em que decidimos mudar de rumo.

Bom dia para todos nós 🍀



SANTOS POPULARES NA CIDADE DA COVILHÃ

Houve um tempo em que os Santos Populares na Covilhã eram muito mais do que festas…
eram união, amizade e ruas cheias de vida.

Qualquer esquina servia de arraial.
Bastavam umas bandeirinhas, uma grafonola, uma fogueira acesa e meia dúzia de vizinhos com vontade de conviver.

Ainda hoje sinto o cheiro da sardinha assada a espalhar-se pelas ruas do Batoréu e da Nogueira dos Frades.
O pão numa mão, a sardinha na outra… e pelo meio os saltos à fogueira e os risos que ecoavam noite dentro. 

Os mais velhos passeavam de bailarico em bailarico, cumprimentavam-se todos pelo nome e ninguém ficava sozinho.
A cidade parecia uma grande família.

Na Avenida Frei Heitor Pinto havia a famosa barraquinha do Sr. Torrão, onde comprávamos bombinhas e pequenas loucuras de miúdos para celebrar o São João.
E quem não se lembra dos grilos e das gaiolas compradas na Casa Carrola ou na Casa Cardona?

Hoje temos marchas bonitas, palcos maiores e festas mais modernas…
mas perdeu-se muito da alma daqueles tempos.

Perdeu-se o espírito bairrista.
A partilha entre vizinhos.
A simplicidade das pessoas.
A felicidade das coisas pequenas.

Naquele tempo havia menos dinheiro…
mas havia mais portas abertas, mais gargalhadas sinceras e mais humanidade.

E eu sinto-me privilegiado por ter vivido esses anos, porque certas memórias não envelhecem — ficam acesas dentro de nós como uma eterna fogueira de São João. 

Humildes, mas felizes.
Era assim a minha Covilhã. 

Bom dia para todos nós 🍀



COVILHÃ E NERJA — TÃO DIFERENTES… E TÃO IGUAIS

Há memórias que nunca envelhecem.
E uma delas é a emoção que eu sentia nos anos 80 quando esperava ansiosamente por mais um episódio da inesquecível série Verão Azul.

Quem viveu essa época lembra-se bem de Chanquete, do seu barco, das amizades, dos amores de verão e daquela sensação de liberdade que parecia infinita.

Recentemente voltei a rever a série completa… e percebi algo curioso:
aquela pequena e pacata Nerja de antigamente fez-me lembrar muito a minha cidade, a Covilhã.

À primeira vista parecem mundos diferentes.
Nerja abraçada pelo mar.
Covilhã abraçada pela Serra da Estrela.

Uma vive do cheiro a maresia.
A outra respira ar puro de montanha.

Mas ambas cresceram lado a lado com o tempo, souberam modernizar-se sem perder a alma, mantendo as ruas antigas, as histórias, as tradições e aquele encanto que não se compra nem se fabrica.

Tal como Nerja, também a Covilhã deixou de ser apenas uma pequena cidade pacata.
Cresceu, evoluiu, ganhou novas avenidas, hotéis, comércio, universidade e vida moderna… mas continua a guardar memórias em cada esquina.

E talvez seja isso que torna certos lugares especiais:
não são apenas bonitos… fazem-nos sentir em casa.

Hoje, quando vejo o Balcón de Europa em Nerja, lembro-me do nosso “balcão” sobre a Cova da Beira.
Duas paisagens diferentes… mas com a mesma magia.

E confesso que gostava de ver, um dia, Covilhã e Nerja oficialmente geminadas como cidades irmãs.
Porque há ligações que não se explicam apenas pela geografia… explicam-se pela alma dos lugares e pelas emoções que despertam em quem os vive.

No fundo, o mesmo céu continua a olhar pelas duas cidades, como se ainda esperasse o regresso de um novo Verão Azul. 💙

Bom dia para todos nós 🍀



AS SÉRIES E LIVROS DA MINHA VIDA

Hoje dei por mim perdido nas memórias de um tempo que já não volta… e talvez seja isso que lhe dá tanto valor.
Não é saudosismo. É aquela saudade boa de quem viveu uma infância simples, mas cheia de magia. Um tempo em que as bancas e quiosques eram verdadeiros tesouros, onde encontrávamos livros de aventuras, banda desenhada e revistas que nos faziam viajar sem sair do lugar.

 Enquanto hoje as crianças vibram com o Ruca, o Noddy ou o Pocoyo, nós crescemos com o Marco, a Heidi, o Calimero, o “Verão Azul” ou os “Pequenos Vagabundos”. E tenho a certeza de que, daqui a muitos anos, os nossos filhos também irão recordar os desenhos deles com o mesmo brilho nos olhos com que nós falamos dos nossos.

Ainda hoje guardo algumas dessas relíquias. Fiz questão de comprar ao meu filho a coleção completa do Marco e da Heidi, porque há histórias que merecem atravessar gerações. Tenho também em DVD séries antigas que marcaram a minha infância e adolescência… e sempre que as revejo, volto por instantes a ser aquele miúdo despreocupado.

Lembro-me de devorar os livros de “As Aventuras dos Sete”. Enquanto não acabasse um, nem descansava. E depois havia a magia das bandas desenhadas: Tio Patinhas, Mickey, Donald, Pateta… personagens que faziam parte da família de tanta criança dos anos 70, 80 e 90.

Na minha pequena biblioteca também moravam o Tarzan, o Homem-Aranha, o FBI, o Mundo de Aventuras e tantos outros que hoje quase desapareceram das mãos das crianças… substituídos por ecrãs, vídeos rápidos e distrações instantâneas.

E como esquecer certas séries que nos marcaram para sempre? “Holocausto”, por exemplo, ensinou muita gente sobre os horrores da guerra e da maldade humana. Verão Azul , Pequenos Vagabundos, ou aquele dia inesquecível em que fui ao Teatro-Cine da Covilhã ver “Marcelino Pão e Vinho”. Se a memória não me falha, foi o primeiro filme que vi numa sala de cinema. E ainda hoje consigo sentir aquela emoção.

 Não estou a dizer que antigamente tudo era melhor. Os tempos mudam, o mundo evolui e cada geração terá as suas próprias recordações. Mas havia qualquer coisa de especial naquela simplicidade. Havia tempo para sonhar, imaginar e viver as histórias de forma intensa.

Talvez por isso estas séries e estes livros nunca morram verdadeiramente. Porque não eram apenas entretenimento… eram companhia, emoção, inocência e felicidade.

 E é curioso como basta ouvir uma música antiga, rever um episódio ou folhear um livro antigo para sermos transportados imediatamente para um tempo em que a vida parecia mais leve.

Quem viveu esses tempos sabe exatamente do que estou a falar. 💗

Bom dia para todos nós 🍀



TEMOS QUE EDUCAR OS NOSSOS FILHOS

Vivemos numa época em que há crianças com tudo…
mas, ao mesmo tempo, cada vez mais vazias por dentro.
Hoje fala-se muito da violência nas escolas, da falta de respeito, da indisciplina e da frieza dos jovens.
Mas talvez esteja na altura de fazermos uma pergunta difícil:
Quanto tempo damos realmente aos nossos filhos?
Muitos pais chegam cansados a casa.
A vida está difícil, o trabalho desgasta, os problemas acumulam-se… eu sei disso.
Mas enquanto um adulto pensa nas contas, no emprego ou no cansaço, há uma criança do outro lado apenas à espera de atenção.
À espera de uma conversa.
De uma brincadeira.
De um abraço.
De alguém que lhe pergunte:
“Como foi o teu dia?”
E muitas vezes essa atenção é substituída por um telemóvel, um tablet, uma consola ou mais um brinquedo.
Mas nenhum brinquedo no mundo substitui a presença de um pai ou de uma mãe.
 Uma criança não precisa apenas de coisas.
Precisa de tempo.
Precisa de afeto.
Precisa de sentir que é importante para alguém.
Porque as crianças que crescem sem diálogo acabam muitas vezes por crescer também sem referências emocionais.
E depois admiramo-nos quando chegam à adolescência revoltados, distantes, agressivos ou incapazes de respeitar professores, colegas e até os próprios pais.
A verdade custa a ouvir:
a escola ensina… mas a educação começa em casa.
 Talvez bastassem 30 minutos por dia.
30 minutos sem televisão.
Sem telemóveis.
Sem distrações.
30 minutos para brincar, conversar, ouvir e criar memórias.
Porque um dia os nossos filhos vão esquecer muitos dos brinquedos que lhes demos…
mas nunca esquecerão a ausência ou a presença que tivemos nas suas vidas.
E no futuro, aquilo que mais ficará no coração deles não será o que comprámos.
Será o tempo que lhes dedicámos.

Bom dia para todos nós🍀



NASCI SPORTINGUISTA

Não foi uma escolha de ocasião, nem uma moda passageira. Foi um sentimento que me entrou no coração ainda em criança, daqueles que passam de geração em geração como um tesouro de família. O meu pai era Sportinguista… e sem saber, ensinou-me muito mais do que futebol. Ensinou-me paixão, lealdade e amor a um símbolo que atravessa décadas.

Cresci a ouvir os relatos do Sporting na rádio, com aquele nervosismo bom que só quem viveu esses tempos consegue entender. A imaginação fazia o resto… cada golo parecia ainda maior, cada vitória era celebrada como uma conquista da nossa própria família. A rádio unia casas, cafés, ruas inteiras e fazia bater milhares de corações ao mesmo ritmo.

Os meus ídolos tinham nomes eternos.
Héctor Yazalde, o goleador temível.
Vítor Damas, o eterno guardião leonino.
Rui Jordão, classe pura dentro de campo.
Joaquim Agostinho, um gigante do ciclismo que fazia Portugal parar.
Carlos Lopes e Fernando Mamede, homens que levaram o nome de Portugal e do Sporting mais longe.

Ainda hoje guardo na memória a emoção de ver o grande Agostinho subir a serra na Volta a Portugal. As estradas cheias, o povo ao rubro, os aplausos sentidos… eram momentos que pareciam unir o país inteiro. E que orgulho foi também ver ao vivo jogadores como Rui Jordão, Manuel Fernandes, Ferenc Mészáros e António Oliveira. Jogadores que não vestiam apenas uma camisola… carregavam uma história inteira às costas.

E depois há a Taça de Portugal… ah, a Taça é sempre uma festa! É o futebol vivido na sua essência mais pura, onde o coração fala mais alto e onde o Sporting mostra a força do seu povo. Porque ser do Sporting não é apenas apoiar um clube. É sentir orgulho nas vitórias, manter a fé nas derrotas e continuar sempre ao lado do leão.

 Viva o Sporting Clube de Portugal!
Um amor que não se explica… sente-se. 

Bom domingo para todos nós🍀




1978


Em 1978 não existiam telemóveis.
Não havia internet, redes sociais, computadores ou televisão por cabo.

E, mesmo assim… eu era feliz.

Talvez até mais feliz do que muitos jovens hoje.

Tinha 16 anos.
Vivia com a minha mãe, a minha avó materna e o meu irmão.
A vida era simples, mas tinha sabor.

Nesse verão, por alturas da Feira de São Tiago, apaixonei-me perdidamente… durante cinco dias 
Parece pouco?
Naquela idade parecia uma eternidade. 😂

Numa outra ocasião, eu e o Francisco, grande amigo da minha juventude, conhecemos umas emigrantes e acabámos por improvisar um baile na Escola Central.
Ele foi buscar o rádio de cassetes a casa e fizemos uma festa como hoje já quase não se vê.

A escola estava aberta.
As pessoas confiavam umas nas outras.
E nós só queríamos rir, dançar e aproveitar a vida.

Estudava na Escola Frei Heitor Pinto, onde hoje tenho o privilégio de trabalhar.
A vida dá voltas incríveis.

Nas férias brincávamos em São Silvestre, nos Penedos Altos ou simplesmente na rua até anoitecer.
Não precisávamos de muito para sermos felizes.

E sabem uma das minhas brincadeiras preferidas?

Escrever nas caricas das garrafas os nomes dos ciclistas da Volta à França e inventar eu próprio as etapas da corrida pela sala de casa 

Os móveis transformavam-se em montanhas, curvas perigosas e metas finais.
E eu divertia-me horas sem precisar de ecrãs, internet ou baterias.

 Hoje as crianças têm quase tudo…
mas muitas vezes falta-lhes aquilo que nós tínhamos em abundância:
tempo, imaginação e liberdade.

Na televisão existiam apenas dois canais da RTP e, com sorte, apanhávamos os canais espanhóis da TVE.
Talvez por isso vivêssemos mais na rua do que fechados dentro de casa.

 Não escrevo isto por saudosismo.
Nem para dizer que antigamente tudo era melhor.

Escrevo apenas para recordar uma verdade simples:

A felicidade nunca dependeu da tecnologia.
Dependeu sempre das pessoas, dos momentos e da forma como vivíamos a vida.

E às vezes penso…

talvez tenhamos evoluído muito no conforto…
mas perdido um pouco da alma pelo caminho.

Bom dia para todos nós 🍀



UMA RUA CHEIA DE VIDA

É difícil explicar a saudade de um lugar onde fomos verdadeiramente felizes.

🌿 Eu nasci numa rua cheia de vida.
Uma rua onde as pessoas se conheciam pelo nome, onde as portas estavam quase sempre abertas e onde os cheiros das estações pareciam fazer parte da família.

Ainda hoje fecho os olhos e consigo ver-me a correr até São Silvestre para brincar com os meus amigos na Escola Central, no tempo em que ainda era passagem pública.
Antes disso, esperava pacientemente junto ao “Montiel” pelo sinal do polícia sinaleiro… e mal ele autorizava, lá ia eu a correr pela rua fora, como se o mundo inteiro me esperasse no Largo da Capela de São Silvestre.

Naquele tempo, a cidade tinha alma.

O comércio vivia cheio de gente.
Na mercearia do Sr. Raúl Paiva levantavam-se as compras da minha mãe e da minha avó.
Em frente ao Jardim Público, a D. São recebia todos na padaria com um sorriso que nunca falhava.

E na minha rua… a Comendador Campos Melo… havia vida em cada porta.

Os cafés cheios de conversa e amizade.
As lojas tradicionais onde toda a gente se conhecia.
As mercearias, padarias e livrarias que davam vida à rua.
Os espaços onde se aprendia música, onde se faziam amizades e onde cada porta guardava histórias.
Os bancos, os pequenos negócios, sempre cheios de gente e movimento.

Cada nome destes guarda uma história.
Cada porta fechada hoje leva consigo um pedaço da nossa memória.

 Às 5h30 da manhã já se ouviam os operários a descer para as fábricas, a mota do padeiro e, pouco depois, o primeiro autocarro vindo da Aldeia do Carvalho.

A cidade acordava cedo… mas acordava viva.

Não havia telemóveis.
Não havia redes sociais.
Havia futebol na rua, joelhos esfolados, gargalhadas sinceras e adultos sentados nos cafés a conversar horas sem olhar para relógios.

No Natal, as famílias juntavam-se à mesa como se nada fosse mais importante no mundo.
E muitos ainda saíam para a Missa do Galo ou para se aquecerem junto da fogueira.

 Hoje, quando passo naquela rua, sinto um aperto no peito.

Vejo demasiadas portas fechadas onde antes existia movimento, amizade e alegria.
Mas há coisas que o tempo nunca conseguirá apagar.

Porque, mesmo mudada… mesmo mais silenciosa…
continuará sempre a ser a rua onde nasci.
A minha rua.
A rua da minha vida.

Boa tarde para todos nós 🍀



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...