🌿BELÍSSIMOS DIAS DE VERÃO

Nos belos dias de Verão do século passado, quando eu ainda era um menino, saía com os meus familiares em passeio desde o centro da cidade da Covilhã, onde morava, até às portas de entrada do Canhoso.

Não íamos de automóvel, nem de autocarro, mas sim a pé, pois naquela época caminhava-se muito e as distâncias não metiam medo a ninguém. Descíamos as Escadas da Trapa, passávamos pela Ponte dos Costas e seguíamos pela EN 230, entre a Covilhã e o Canhoso. Pelo caminho, divertia-me a subir e a descer as pequenas encostas das bermas da estrada, como se cada metro percorrido fosse uma nova aventura.

Chegados ao Canhoso, o destino era a quinta dos meus tios-avós, situada nas traseiras das antigas bombas da SACOR. Atrás da casa existia um grande descampado — onde hoje se encontra o cemitério do Canhoso — que era o meu parque de diversões. Ali brincava durante horas e, sempre que o comboio passava, corria quase lado a lado com ele, acenando alegremente aos passageiros que seguiam viagem.

A quinta tinha uma mina de água cristalina, onde nunca faltava uma caneca de esmalte para matar a sede com aquela água sempre fresca e deliciosa. Quando as minhas primas vinham de França passar férias, era uma verdadeira festa. Na rádio tocava o conjunto Maria Albertina, com a inesquecível "Canção do Emigrante", e, no velho rádio da minha tia Maria, ainda se acompanhava, religiosamente, a radionovela "Simplesmente Maria".

Mas aquilo de que hoje mais me lembro — e ao qual, na altura, dava tão pouca importância — eram as noites passadas deitado no terraço, debaixo de um céu carregado de estrelas. Que silêncio... Que paz... Que sensação de liberdade e felicidade aquelas noites me proporcionavam!

E como esquecer os casamentos que duravam dois dias, reunindo famílias inteiras à volta de mesas fartas de comida caseira, gargalhadas, música e uma alegria que parecia não ter fim?

São memórias que o tempo jamais conseguirá apagar. Vivíamos com muito menos do que temos hoje, mas sabíamos transformar o pouco em muito. Havia menos bens materiais, é certo, mas havia algo que hoje parece cada vez mais raro: tempo para os outros, portas sempre abertas, vizinhos que eram família e um calor humano que fazia qualquer lugar parecer um verdadeiro lar.

Talvez o progresso nos tenha dado mais conforto, mas dificilmente nos devolverá a simplicidade, a união e a felicidade genuína daqueles inesquecíveis dias de Verão.

Bom dia para todos nós 🍀



O EMIGRANTE

 Estamos na época em que os emigrantes se juntam às famílias. 

 Dedico este tema a todos os emigrantes e seguidores do meu blogue

 Bom fim de semana!




A FÉ É ESSENCIAL PARA QUEM ACREDITA

Há momentos na vida em que tudo parece desabar. As certezas desaparecem, os planos desfazem-se e até a esperança parece querer abandonar-nos.

É precisamente nesses momentos que a fé revela a sua verdadeira força.

A fé é essencial para quem já não conta com mais nada. É a luz que continua acesa quando todas as outras se apagam. É a mão invisível que nos ajuda a levantar quando as nossas pernas já não têm força. É acreditar que, mesmo sem compreender o caminho, existe um propósito para cada obstáculo.

A fé não elimina as dificuldades, mas dá-nos coragem para enfrentá-las. Não muda o passado, mas pode transformar o futuro.

Enquanto houver fé, haverá sempre uma razão para continuar. Porque quem acredita nunca caminha verdadeiramente sozinho.

Bom dia para todos nós 🍀



🌿CONFIANÇA E PERSISTÊNCIA

A confiança e a persistência fazem de ti um vencedor.

A confiança é a força que nos faz dar o primeiro passo. A persistência é a coragem que nos impede de desistir quando o caminho se torna difícil.

Nem sempre os mais talentosos chegam mais longe. Muitas vezes, são aqueles que acreditam em si próprios e continuam a lutar, mesmo perante as derrotas, que acabam por alcançar os seus objetivos.

Cada obstáculo vencido fortalece o caráter, cada queda ensina uma lição e cada recomeço aproxima-nos da vitória.

Lembra-te: os vencedores não são os que nunca falham, mas sim os que nunca deixam de acreditar e de persistir.

Bom dia para todos nós 🍀



PROVÉRBIOS POPULARES DO MÊS DE JULHO

– Em Julho eu o ceifo e o debulho.

– Em Julho tudo farás, só o teu verde não ceifarás.

– Julho sem pulgas no cão, vento norte e muito frio é sinal de pouco pão.

– Água de Julho no rio não faz barulho.

– Julho claro como olho de gado.

– Julho passado sem pré foi melhor.

– Julho fresco, Inverno chuvoso, estio perigoso.

– Água de Julho, no rio não faz barulho.

– Não há maior amigo do que julho com seu trigo.

– Nevoeiro de São Pedro, põe em julho o vinho a medo.

– Quem em Julho ara e fia, Ouro cria.

Julho quente, seco e ventoso, trabalho sem repouso.

– Em julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.

– Por todo o mês de julho, o celeiro atulho.

– Em julho, vai à vinha e acharás bago.

– Dezembro com Julho ao desafio, traz Janeiro frio.

– Em Julho, ao quinto dia verás que mês terás.

– Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.

– Julho sem pulgas no cão, vento norte e muito frio é sinal de pouco pão.



🌿SOL E SOMBRA

Há quem tenha o Sol à sua frente, mas escolha viver na sombra.

A vida oferece oportunidades, afetos, motivos para sorrir e recomeçar. No entanto, há quem prefira alimentar a tristeza, o pessimismo ou o medo de mudar, ignorando a luz que está mesmo ao seu lado.

Nem sempre podemos escolher o que nos acontece, mas podemos escolher a forma como enfrentamos cada dia. A felicidade não é uma vida perfeita; é a capacidade de valorizar o que temos, enquanto lutamos pelo que sonhamos.

Porque o Sol nasce para todos... mas nem todos decidem abrir a janela.

Escolhe a luz. A vida fica muito mais bonita quando deixamos o Sol entrar.

Bom dia para todos nós 🍀



NASCER DO SOL NA COVILHÃ


Quando o sol nasce na cidade da Covilhã, o espetáculo é simplesmente inesquecível. Há momentos em que o céu se veste de tons avermelhados e parece incendiar o horizonte, enquanto o sol desponta do lado de Espanha. Quantas vezes contemplei esse cenário dos miradouros do Jardim Público! E, se a brisa fresca descesse da Serra, então a natureza oferecia-nos uma verdadeira obra de arte.

A Covilhã sempre foi uma cidade de ruas e escadarias íngremes. Foi nelas que cresci. Foi nelas que corri, caí, me levantei e fui feliz. Não havia atalhos que não conhecêssemos, nem caminhos que nos metessem medo. O sol nascia... e nós saíamos para viver mais um dia. Tínhamos pouco, é verdade, mas possuíamos uma riqueza que hoje parece cada vez mais rara: uma amizade sincera e um coração cheio de sonhos.

Quantas vezes, no verão, subíamos a pé até às Penhas da Saúde! Descobríamos a serra palmo a palmo, saltávamos de rocha em rocha, seguíamos o curso dos riachos e fazíamos da natureza o nosso maior parque de diversões. Horas intermináveis na piscina, jogos que pareciam nunca acabar e serões de brincadeiras que enchiam as ruas de gargalhadas.

Depois chegava o pôr do sol... outro espetáculo inesquecível. O sol escondia-se por detrás da majestosa Serra da Estrela e uma brisa fresca invadia a cidade. Ainda hoje consigo sentir esse arrepio bom a percorrer-me a espinha. As noites pertenciam às pessoas: os adultos conversavam sentados nas soleiras das portas e nós brincávamos até que o sono nos vencesse, desejando apenas que a noite nunca terminasse.

Numa época em que grande parte da cidade vivia da indústria dos lanifícios, ficar na rua até às 23h00 já era uma pequena vitória. Eram tempos de menos consumismo e de muito mais humanidade. Tempos em que um aperto de mão valia mais do que um contrato e em que a palavra dada era um compromisso para a vida.

Hoje temos muito mais... mas, por vezes, sentimos muito menos.

Talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado naquilo que possuíamos, mas na forma como vivíamos.

Bom dia para todos nós.



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...