Entre o passado e o futuro, há uma cidade que continua a morar no nosso coração.
Há cidades que conhecemos, cidades por onde passamos e cidades que levamos connosco para toda a vida. A Covilhã é assim! Uma cidade que se sente, que se recorda e que, por mais voltas que a vida dê, nunca deixa de fazer parte de nós.
No próximo dia 20 de outubro, a nossa querida Covilhã assinala 156 anos de elevação a cidade. Mas a sua história é muito mais antiga: são 840 anos de história, de trabalho, de sacrifício, de gente humilde e lutadora, de famílias que aqui criaram os seus filhos e de tantas outras que partiram à procura de uma vida melhor, levando a saudade no peito e a Covilhã na alma.
Hoje, quero fazer convosco uma viagem. Uma viagem entre o ontem e o hoje, entre aquilo que guardamos na memória e aquilo que a nossa cidade foi construindo ao longo dos anos.
Vamos?
COMEÇAMOS PELO NOSSO JARDIM PÚBLICO…
Ah, o Jardim Público! Quantas histórias cabem naquele espaço tão querido dos covilhanenses? Quantos namoros começaram num banco, quantas amizades nasceram entre conversas demoradas e quantas crianças correram por aqueles caminhos, sem outra preocupação que não fosse brincar até alguém chamar por elas?
Quem não se lembra dos peixes dourados, dos repuxos, dos canteiros, das árvores que nos davam sombra nos dias quentes e daqueles bancos onde se punha a conversa em dia? E havia sempre alguém que conhecia alguém que sabia de alguma coisa! Na Covilhã, as notícias também circulavam de banco em banco, muito antes de existirem as redes sociais.
E os amigos de São Francisco? E aquela tília, junto à igreja, que parecia fazer parte da família? Para muitos de nós, o jardim não era apenas um jardim. Era um pedaço da nossa vida, um lugar onde crescemos, namorámos, brincámos e aprendemos, sem darmos por isso, que a felicidade também se encontra nas coisas mais simples.
Depois, há a piscina dos Penedos Altos, onde tantos de nós passámos dias inesquecíveis de verão. A água fresca, as brincadeiras, as gargalhadas e aquela vontade de aproveitar cada minuto, porque as férias pareciam sempre demasiado curtas! Bastava uma toalha, uns amigos e vontade de brincar. Não precisávamos de grandes luxos para sermos felizes.
E quem se lembra da placa do Pelourinho? Daquele património que nos transporta para outros tempos, quando as ruas tinham outro movimento, os rostos eram conhecidos e a cidade parecia uma grande família? Há lugares que, mesmo sem dizerem uma palavra, contam muito daquilo que fomos.
O MONTALTO, O TEATRO CINE E AS CONVERSAS QUE FICARAM…
O Café Montalto também faz parte das memórias de tantas gerações. Os cafés de antigamente eram muito mais do que estabelecimentos onde se bebia uma bica. Eram pontos de encontro, lugares de conversa, de discussão sobre futebol, de comentários sobre a vida alheia — sempre com a melhor das intenções, claro! — e de reencontros que, por vezes, valiam mais do que muitas horas de sono.
E depois havia o Teatro Cine, essa referência cultural que ocupa um lugar especial na memória da cidade. Ir ao cinema era um acontecimento. Havia a expectativa do filme, o ambiente da sala e aquela sensação de que, durante algum tempo, podíamos esquecer o mundo lá fora e viver outras vidas através do grande ecrã.
Hoje, a Covilhã continua a ter espaços culturais, novas propostas e outras formas de viver a arte. Mudaram os tempos, mudaram os hábitos, mas permanece a mesma necessidade de nos encontrarmos, de partilharmos emoções e de sentirmos que a cultura também faz uma cidade crescer.
E O NOSSO SPORTING DA COVILHÃ?
Agora, falemos de futebol! E aqui, companheiros, o coração começa logo a bater mais depressa!
O Estádio José Santos Pinto é um daqueles lugares que não se explicam apenas com palavras. É preciso ter lá estado, sentir o ambiente, ouvir os adeptos e perceber o que significa vestir e defender as cores do Sporting Clube da Covilhã.
Quantas tardes de emoção, quantas vitórias celebradas, quantas derrotas sofridas e quantas vezes saímos do estádio a jurar que, para a semana, é que vai ser! Porque ser adepto também é isto: sofrer, acreditar e nunca abandonar a nossa equipa.
O Sporting da Covilhã faz parte da identidade da cidade. É uma bandeira desportiva que representa a nossa terra, dentro e fora de portas, e que merece o carinho de todos aqueles que sentem orgulho em dizer: sou da Covilhã!
E se há coisa que os anos nos ensinam é que uma cidade não se faz apenas de edifícios e estradas. Faz-se também das suas paixões, dos seus símbolos e das pessoas que continuam a acreditar neles.
DAS SIRENES DAS FÁBRICAS À UNIVERSIDADE…
Mas não podemos falar da Covilhã sem recordar as antigas fábricas de lanifícios.
Durante décadas, o som das sirenes fazia parte da vida quotidiana. Homens e mulheres levantavam-se cedo, enfrentavam o frio e seguiam para o trabalho. Nas fábricas, entre teares, novelos, máquinas e tecidos, construía-se uma parte importante da riqueza da cidade.
Foram tempos de muito trabalho e de sacrifício. As mãos dos operários transformavam a lã em tecidos, mas também ajudavam a tecer o futuro das suas famílias. Havia cansaço, havia dificuldades, mas havia igualmente orgulho no trabalho realizado e esperança num amanhã melhor.
Muitas dessas fábricas silenciaram as suas máquinas. Os tempos mudaram, a indústria transformou-se e ficaram edifícios que são testemunhos de uma época que jamais devemos esquecer.
A Covilhã não pode apagar essa história, porque foi também com o suor dos seus trabalhadores que conquistou o lugar que hoje ocupa.
E eis que, entre paredes antigas e memórias industriais, surgiu uma nova força: a Universidade da Beira Interior.
A UBI trouxe estudantes, conhecimento, investigação, juventude e novas oportunidades. Deu uma nova vida a antigos espaços industriais e ajudou a afirmar a Covilhã como uma cidade universitária, aberta ao mundo e preparada para os desafios do futuro.
É bonito pensar nisto: onde outrora se fabricavam tecidos, hoje também se tecem ideias, projetos, sonhos e oportunidades.
A lã continua a fazer parte da nossa identidade, mas a Covilhã aprendeu que o futuro também se constrói com conhecimento.
AS AVENIDAS NOVAS E A CIDADE QUE NÃO PARA DE CRESCER…
Quem conheceu a Covilhã de outros tempos e hoje percorre as suas avenidas encontra uma cidade diferente. Há novos edifícios, novas zonas habitacionais, mais serviços e espaços comerciais que alteraram a paisagem urbana.
As chamadas Avenidas Novas são um sinal dessa transformação. A cidade cresceu, alargou horizontes e passou a responder a novas necessidades. Vieram novas gerações, novas profissões e novas maneiras de viver.
Também os hipermercados e as grandes superfícies comerciais passaram a fazer parte do nosso quotidiano. Hoje, fazemos compras de uma forma muito diferente daquela dos nossos pais e avós, quando as mercearias de bairro eram pontos de encontro, o comerciante conhecia os clientes pelo nome e, por vezes, até sabia o que faltava em casa antes de nós darmos por isso!
Não vale a pena olhar para o passado como se tudo fosse melhor, nem para o presente como se tudo o que é novo fosse necessariamente superior. Cada tempo tem as suas vantagens e dificuldades. O importante é sabermos evoluir sem perdermos aquilo que nos identifica.
Uma cidade moderna precisa de bons serviços, comércio, habitação, emprego e oportunidades para os mais novos. Mas precisa também de preservar o comércio tradicional, os seus espaços históricos, as suas memórias e a proximidade entre as pessoas.
Porque o verdadeiro progresso não se mede apenas pelo número de edifícios que se constroem, mas também pela qualidade de vida de quem cá vive.
NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, UM OLHAR SOBRE A CIDADE…
E quando o pensamento se volta para Nossa Senhora da Conceição, regressa aquele sentimento de pertença que tantas vezes nos acompanha.
A sua imagem, tão ligada à devoção e à identidade da Covilhã, faz parte da paisagem afetiva de muitos covilhanenses. Para uns, representa a fé; para outros, recorda a infância, a família, as tradições e os momentos vividos junto de quem já partiu.
Há símbolos que atravessam gerações sem perderem significado. E numa cidade onde tantas famílias conheceram a emigração, as dificuldades e a saudade, esses símbolos podem representar um elo profundo entre quem ficou e quem teve de partir.
Porque há covilhanenses espalhados pelo mundo que, mesmo a milhares de quilómetros, continuam a falar da sua terra com o mesmo brilho nos olhos.
Podem mudar de país, aprender outras línguas e construir uma vida longe da Serra da Estrela. Mas basta uma fotografia da Covilhã, uma notícia do Sporting ou uma recordação de infância para que o coração faça a viagem de regresso.
A COVILHÃ DE HOJE, COM OS OLHOS POSTOS NO AMANHÃ…
A nossa cidade mudou muito. Tem novos espaços, novas acessibilidades, serviços de saúde, escolas, comércio, equipamentos e uma universidade que projeta o seu nome para além das nossas fronteiras.
Continua a ser uma porta de entrada privilegiada para a Serra da Estrela, uma cidade de paisagens únicas, de ruas que sobem e descem, de recantos cheios de personalidade e de uma luz muito própria.
Mas, acima de tudo, continua a ser a cidade das nossas gentes.
Das pessoas que acordam cedo para trabalhar, dos comerciantes que abrem as portas, dos estudantes que chegam de outras paragens, dos idosos que guardam histórias que mereciam ser escritas e dos jovens que procuram aqui o seu futuro.
É também a cidade daqueles que partiram e daqueles que regressaram. Dos que conheceram os velhos bairros, as fábricas em funcionamento e as ruas de outros tempos, mas também dos que nasceram numa Covilhã mais moderna e cheia de novos desafios.
A todos eles pertence esta cidade.
E talvez seja essa a maior riqueza da Covilhã: conseguir juntar gerações diferentes, memórias antigas e sonhos novos, sem deixar de ser ela própria.
156 ANOS DE CIDADE, UMA ETERNIDADE DE SENTIMENTOS!
Companheiros, quando celebramos mais um aniversário da elevação da Covilhã a cidade, não estamos apenas a assinalar uma data no calendário.
Estamos a homenagear os nossos pais e avós, que trabalharam de sol a sol. Os operários que fizeram das fábricas a força da cidade. Os comerciantes, os professores, os trabalhadores, os desportistas e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, ajudaram a construir a Covilhã que hoje conhecemos.
Estamos também a recordar os amigos de infância, os passeios pelo jardim, os mergulhos na piscina dos Penedos Altos, as conversas de café, as tardes de futebol e os caminhos que tantas vezes percorremos sem imaginar que, um dia, sentiríamos saudades deles.
O tempo passa. As pessoas mudam. Os edifícios transformam-se. Algumas portas fecham-se, outras abrem-se. E a cidade continua a sua caminhada, entre as marcas do passado e as promessas do futuro.
Mas há coisas que não mudam: o amor à nossa terra, o orgulho nas nossas raízes e aquela saudade que nos aperta o peito quando estamos longe.
Por isso, neste aniversário, desejo que a Covilhã continue a crescer, a modernizar-se e a criar oportunidades para todos. Que saiba cuidar do seu património, respeitar a sua história, acolher quem chega e nunca esquecer aqueles que ajudaram a construí-la.
Que os mais novos encontrem aqui razões para ficar, que os que partiram tenham sempre motivos para regressar e que os mais velhos sintam que as suas memórias continuam a ter lugar na cidade que ajudaram a erguer.
Porque a Covilhã não é apenas um ponto no mapa, encostado à Serra da Estrela.
A COVILHÃ É UMA HISTÓRIA QUE SE ESCREVE TODOS OS DIAS.
É a cidade que vimos crescer, aquela onde guardamos os nossos melhores anos e aquela que desejamos deixar às gerações futuras.
E nós, os que temos a felicidade de lhe chamar nossa terra, sabemos bem que, por mais longe que a vida nos leve, haverá sempre um caminho de regresso.
Um caminho que passa pelas ruas da nossa infância, pelos lugares onde fomos felizes e pelas memórias que o tempo jamais conseguirá apagar.
PARABÉNS, COVILHÃ!
Pelos teus 156 anos de cidade, pelos teus 840 anos de história e por todos os anos que ainda tens pela frente.
Que continues a ser uma cidade de trabalho, de esperança, de cultura, de juventude e de gente boa. Que nunca percas a tua identidade e que saibas caminhar para o futuro com o orgulho de quem conhece e respeita o passado.
E a todos os covilhanenses, aos que aqui vivem e aos que estão espalhados pelo mundo, deixo um abraço sentido, daqueles que atravessam montanhas e encurtam distâncias.
Porque podemos viver longe da Covilhã, mas há uma coisa que ninguém nos tira: a Covilhã que guardamos dentro de nós.
Covilhã és linda terra, hoje e sempre!
Um grande abraço a todos.
E, como sempre, bom dia para todos nós! 🎉🎈🎉🎈






