Os mais antigos contavam histórias de quando Jesus andou pela Terra. Eu próprio ouvi muitas dessas histórias, contadas em dias de chuva pela minha avó Maria, que, com a sabedoria de quem já tinha vivido muito, me fazia imaginar como teria sido esse tempo.
Diziam que Jesus caminhava entre as pessoas, muitas vezes sem que ninguém o reconhecesse. Misturava-se com o povo, observava os comportamentos, conhecia as dores e as dificuldades de cada um e, muitas vezes, ajudava quem mais precisava sem pedir nada em troca.
Em muitos casos, intercedia e aconteciam verdadeiros “milagres”, sem que ninguém percebesse de onde vinha aquela ajuda. Talvez porque os maiores milagres nem sempre sejam aqueles que impressionam os nossos olhos, mas aqueles que transformam o coração de quem os recebe.
Dizem que, enquanto Jesus andou por aqui, o bem prevaleceu sobre o mal. Havia mais esperança, mais solidariedade e mais amor entre as pessoas.
Depois, quando partiu, voltaram as guerras, os ódios, as invejas, as ambições e tantas outras coisas que ainda hoje continuam a dividir os homens.
Mas há uma frase que ficou para sempre na minha memória:
O Amor andou entre nós… e o mundo não o entendeu.
Talvez esta seja uma das maiores lições que Jesus nos deixou: não basta falar de amor, é preciso praticá-lo; não basta pedir paz, é preciso construí-la; não basta apontar o mal nos outros, é preciso começar por fazer o bem dentro de nós.
E talvez, se Jesus voltasse hoje a caminhar pelas nossas ruas, continuasse a passar despercebido no meio da multidão.
Quem sabe se não estaria sentado ao nosso lado, num banco de jardim, vestido como um simples desconhecido, apenas a observar se ainda somos capazes de reconhecer o verdadeiro significado da palavra AMOR.
Porque, no fim, o mundo pode mudar muitas vezes, mas aquilo que realmente importa continua a ser o mesmo: fazer o bem, amar o próximo e nunca perder a esperança.
O Amor andou entre nós. Que nunca deixemos de o procurar.