Uma aventura na Estação
Episódio 5 — O mistério chega ao fim
A manhã de sexta-feira nasceu cinzenta na Covilhã. Paulo mal tinha dormido. A frase escrita no último bilhete não lhe saía da cabeça:
«As joias estão debaixo do chão do barracão. Mas cuidado: o homem que tem a chave não é quem vocês pensam.»
Às dez horas, os seis amigos reuniram-se na sala de Paulo. Desta vez, não havia lugar para brincadeiras. Sobre a mesa estavam a fotografia do barracão, a pequena chave de ferro e todos os bilhetes recebidos durante aqueles dias.
— Hoje temos de saber a verdade — afirmou Natércia.
— Mas não vamos meter-nos em aventuras perigosas — acrescentou Fátima. — A polícia já está ao corrente. Agora, são eles que têm de agir.
Paulo concordou. O pai já tinha falado com o agente que acompanhava o caso, e as autoridades estavam a preparar uma operação para impedir que as joias desaparecessem da Covilhã.
Foi então que Quim teve uma ideia.
— E se o homem que nos deixou as pistas for alguém que trabalha na Estação? Ele conhece aquele terreno e pode ter visto os ladrões a esconder as joias!
A hipótese parecia fazer sentido. Afinal, alguém tinha deixado a fotografia, a chave e os bilhetes, sempre nos momentos certos.
A armadilha
Pouco depois do meio-dia, Paulo recebeu uma mensagem transmitida por telefone fixo: a polícia tinha confirmado movimentos suspeitos junto do barracão. Um dos homens preparava-se para retirar de lá uma caixa.
Os seis amigos ficaram em casa, como lhes tinha sido recomendado. Não iriam arriscar tudo na última hora.
Através do pai de Paulo, foram mantendo contacto com as autoridades. A tensão aumentava a cada minuto.
Perto das duas da tarde, chegou a notícia: dois homens tinham sido detidos junto do barracão. No interior, escondida debaixo de algumas tábuas do chão, a polícia encontrara uma caixa de madeira.
Dentro dela estavam as joias roubadas da Ourivesaria Pacheco!
— Conseguiram! — exclamou Francisco, dando um salto da cadeira. — E eu que já estava convencido de que íamos acabar esta aventura sem descobrir nada!
Todos se riram, aliviados. Mas ainda faltava esclarecer o mais intrigante dos mistérios.
Quem era o homem do boné escuro?
Ao fim da tarde, Paulo e os amigos receberam autorização para acompanhar o pai de Paulo até à esquadra, onde um agente lhes explicou o que tinha acontecido.
O homem de boné escuro chamava-se Alfredo Martins. Trabalhava ocasionalmente em transportes de mercadorias e tinha ajudado a esconder as joias no barracão. A chave de ferro que os seis tinham encontrado pertencia-lhe.
Mas Alfredo não era o cérebro do roubo.
O verdadeiro responsável era Ernesto Vale, um antigo empregado que conhecia bem a Ourivesaria Pacheco e os seus hábitos. Tinha planeado o assalto e convencido Alfredo a ajudá-lo a esconder o produto do roubo até poderem retirá-lo da cidade.
— E o telefonema para minha casa? — perguntou Paulo, sem conseguir esconder a ansiedade. — Quem foi que me ameaçou?
O agente pousou as mãos sobre a secretária.
— Foi Ernesto. Na manhã em que o viste a sair do Hotel Solneve, reparou que estavas a observá-lo. Conseguiu descobrir quem eras e, nessa noite, telefonou para tua casa para te assustar e impedir que falasses com alguém.
Paulo sentiu um arrepio. A ameaça tinha sido real. O ladrão sabia que os seis estavam cada vez mais perto da verdade.
— Portanto, ele queria que desistíssemos desde o princípio… — murmurou João.
— Exatamente — confirmou o agente. — Mas vocês fizeram bem em contar o que sabiam e, sobretudo, em deixar a investigação nas mãos da polícia.
O homem que deixou as pistas
Ainda faltava descobrir quem tinha colocado a fotografia, os bilhetes e a chave no caminho dos seis.
A resposta chegou através do próprio agente.
Chamava-se Manuel Ribeiro e era um trabalhador da Estação. Tinha visto os dois homens a transportar uma caixa para o barracão e começara a desconfiar. Com medo de ser descoberto pelos ladrões, decidiu ajudar anonimamente, deixando pistas que pudessem levar a polícia até às joias.
Foi também Manuel quem, na tarde anterior, tinha ido a casa de Paulo para lhes dar uma indicação decisiva. Não sabia toda a história, mas percebera que o tempo estava a esgotar-se.
— Então, afinal, havia alguém a tentar ajudar-nos! — disse Natércia.
— Sim — respondeu Paulo. — E sem ele talvez as joias já tivessem desaparecido.
O agente sorriu.
— A coragem nem sempre significa enfrentar o perigo de frente. Às vezes, significa fazer a coisa certa e procurar quem pode ajudar.
Uma aventura inesquecível
No sábado de manhã, a notícia do roubo resolvido já corria pela Covilhã. As joias seriam devolvidas à Ourivesaria Pacheco, e os dois homens teriam de responder perante a justiça.
Na sala de Paulo, os seis amigos voltaram a juntar-se, desta vez sem medo nem segredos. Sobre a mesa havia sumo e um pacote de bolachas Maria, compradas na mercearia do Sr. Raul Paiva.
Francisco pegou numa bolacha e declarou solenemente:
— Proponho que a próxima aventura seja muito mais tranquila. Qualquer coisa como descobrir quem comeu a última bolacha!
— Isso não precisa de investigação nenhuma — respondeu Quim. — Foste tu!
As gargalhadas encheram a sala.
Paulo olhou para os amigos. Tinham começado aquela aventura com uma conversa ouvida por acaso e terminado com um mistério resolvido, uma amizade mais forte e uma grande lição: a curiosidade pode abrir portas, mas a coragem também exige prudência.
Lá fora, a Covilhã seguia a sua vida, entre as ruas inclinadas, os cafés e o movimento da Estação dos Caminhos de Ferro.
Os seis levantaram-se para se despedirem. Antes de saírem, Paulo olhou para cada um deles.
— Seja qual for a próxima aventura, uma coisa é certa: o Clube dos Seis continua unido!
E os cinco amigos responderam em coro:
— Sempre!
FIM
A manhã de sexta-feira nasceu cinzenta na Covilhã. Paulo mal tinha dormido. A frase escrita no último bilhete não lhe saía da cabeça:
«As joias estão debaixo do chão do barracão. Mas cuidado: o homem que tem a chave não é quem vocês pensam.»
Às dez horas, os seis amigos reuniram-se na sala de Paulo. Desta vez, não havia lugar para brincadeiras. Sobre a mesa estavam a fotografia do barracão, a pequena chave de ferro e todos os bilhetes recebidos durante aqueles dias.
— Hoje temos de saber a verdade — afirmou Natércia.
— Mas não vamos meter-nos em aventuras perigosas — acrescentou Fátima. — A polícia já está ao corrente. Agora, são eles que têm de agir.
Paulo concordou. O pai já tinha falado com o agente que acompanhava o caso, e as autoridades estavam a preparar uma operação para impedir que as joias desaparecessem da Covilhã.
Foi então que Quim teve uma ideia.
— E se o homem que nos deixou as pistas for alguém que trabalha na Estação? Ele conhece aquele terreno e pode ter visto os ladrões a esconder as joias!
A hipótese parecia fazer sentido. Afinal, alguém tinha deixado a fotografia, a chave e os bilhetes, sempre nos momentos certos.
A armadilha
Pouco depois do meio-dia, Paulo recebeu uma mensagem transmitida por telefone fixo: a polícia tinha confirmado movimentos suspeitos junto do barracão. Um dos homens preparava-se para retirar de lá uma caixa.
Os seis amigos ficaram em casa, como lhes tinha sido recomendado. Não iriam arriscar tudo na última hora.
Através do pai de Paulo, foram mantendo contacto com as autoridades. A tensão aumentava a cada minuto.
Perto das duas da tarde, chegou a notícia: dois homens tinham sido detidos junto do barracão. No interior, escondida debaixo de algumas tábuas do chão, a polícia encontrara uma caixa de madeira.
Dentro dela estavam as joias roubadas da Ourivesaria Pacheco!
— Conseguiram! — exclamou Francisco, dando um salto da cadeira. — E eu que já estava convencido de que íamos acabar esta aventura sem descobrir nada!
Todos se riram, aliviados. Mas ainda faltava esclarecer o mais intrigante dos mistérios.
Quem era o homem do boné escuro?
Ao fim da tarde, Paulo e os amigos receberam autorização para acompanhar o pai de Paulo até à esquadra, onde um agente lhes explicou o que tinha acontecido.
O homem de boné escuro chamava-se Alfredo Martins. Trabalhava ocasionalmente em transportes de mercadorias e tinha ajudado a esconder as joias no barracão. A chave de ferro que os seis tinham encontrado pertencia-lhe.
Mas Alfredo não era o cérebro do roubo.
O verdadeiro responsável era Ernesto Vale, um antigo empregado que conhecia bem a Ourivesaria Pacheco e os seus hábitos. Tinha planeado o assalto e convencido Alfredo a ajudá-lo a esconder o produto do roubo até poderem retirá-lo da cidade.
— E o telefonema para minha casa? — perguntou Paulo, sem conseguir esconder a ansiedade. — Quem foi que me ameaçou?
O agente pousou as mãos sobre a secretária.
— Foi Ernesto. Na manhã em que o viste a sair do Hotel Solneve, reparou que estavas a observá-lo. Conseguiu descobrir quem eras e, nessa noite, telefonou para tua casa para te assustar e impedir que falasses com alguém.
Paulo sentiu um arrepio. A ameaça tinha sido real. O ladrão sabia que os seis estavam cada vez mais perto da verdade.
— Portanto, ele queria que desistíssemos desde o princípio… — murmurou João.
— Exatamente — confirmou o agente. — Mas vocês fizeram bem em contar o que sabiam e, sobretudo, em deixar a investigação nas mãos da polícia.
O homem que deixou as pistas
Ainda faltava descobrir quem tinha colocado a fotografia, os bilhetes e a chave no caminho dos seis.
A resposta chegou através do próprio agente.
Chamava-se Manuel Ribeiro e era um trabalhador da Estação. Tinha visto os dois homens a transportar uma caixa para o barracão e começara a desconfiar. Com medo de ser descoberto pelos ladrões, decidiu ajudar anonimamente, deixando pistas que pudessem levar a polícia até às joias.
Foi também Manuel quem, na tarde anterior, tinha ido a casa de Paulo para lhes dar uma indicação decisiva. Não sabia toda a história, mas percebera que o tempo estava a esgotar-se.
— Então, afinal, havia alguém a tentar ajudar-nos! — disse Natércia.
— Sim — respondeu Paulo. — E sem ele talvez as joias já tivessem desaparecido.
O agente sorriu.
— A coragem nem sempre significa enfrentar o perigo de frente. Às vezes, significa fazer a coisa certa e procurar quem pode ajudar.
Uma aventura inesquecível
No sábado de manhã, a notícia do roubo resolvido já corria pela Covilhã. As joias seriam devolvidas à Ourivesaria Pacheco, e os dois homens teriam de responder perante a justiça.
Na sala de Paulo, os seis amigos voltaram a juntar-se, desta vez sem medo nem segredos. Sobre a mesa havia sumo e um pacote de bolachas Maria, compradas na mercearia do Sr. Raul Paiva.
Francisco pegou numa bolacha e declarou solenemente:
— Proponho que a próxima aventura seja muito mais tranquila. Qualquer coisa como descobrir quem comeu a última bolacha!
— Isso não precisa de investigação nenhuma — respondeu Quim. — Foste tu!
As gargalhadas encheram a sala.
Paulo olhou para os amigos. Tinham começado aquela aventura com uma conversa ouvida por acaso e terminado com um mistério resolvido, uma amizade mais forte e uma grande lição: a curiosidade pode abrir portas, mas a coragem também exige prudência.
Lá fora, a Covilhã seguia a sua vida, entre as ruas inclinadas, os cafés e o movimento da Estação dos Caminhos de Ferro.
Os seis levantaram-se para se despedirem. Antes de saírem, Paulo olhou para cada um deles.
— Seja qual for a próxima aventura, uma coisa é certa: o Clube dos Seis continua unido!
E os cinco amigos responderam em coro:
— Sempre!
FIM






