NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO IV

                                      Rumo à Serra da Estrela

O novo ano de 1979 começou frio na Covilhã. A neve tinha caído durante a noite e, nas encostas da serra, tudo parecia coberto por um manto branco.
Numa tarde no Liceu Nacional da Covilhã, Rui apareceu com uma ideia que rapidamente entusiasmou todo o grupo.
— No domingo vamos à serra! A pé até onde conseguirmos!
— Estás maluco — disse Paula, rindo — com este frio?
— É por isso mesmo! Há neve!
David olhou para Carol.
— Vamos?
Carol sorriu.
— Claro que vamos.
A subida para a serra
No domingo de manhã encontraram-se cedo, ainda com o sol a nascer sobre os telhados da cidade.
Subiram pela estrada que levava à Serra da Estrela, conversando, rindo e escorregando na neve que aparecia cada vez mais à medida que deixavam a cidade para trás.
O ar era gelado, mas limpo.
Nando levava um rádio pequeno e a música ecoava pelo silêncio da montanha.
— Parece outro mundo — disse Carol, olhando para as paisagens brancas.
David caminhava ao lado dela.
— É o nosso mundo por hoje.
Brincadeiras na neve
Quando chegaram perto da Torre da Serra da Estrela, a neve já era alta.
O grupo começou imediatamente uma batalha de bolas de neve.
Risos ecoavam pelo ar frio.
Paula caiu na neve. Rui escorregou numa pedra gelada. Nando tentava proteger o rádio como se fosse um tesouro.
Carol correu para fugir de uma bola de neve lançada por David, mas escorregou.
David correu para a ajudar.
Os dois acabaram por cair na neve.
Durante alguns segundos ficaram apenas a rir, deitados no branco silencioso da serra.
Carol estava estranhamente silenciosa.
— Estás bem? — perguntou David.
Ela demorou alguns segundos a responder.
— David… tenho de te contar uma coisa.
Ele sentiu logo que algo importante estava para ser dito.
— O que foi?
Carol respirou fundo.
— O meu pai conseguiu trabalho no litoral… vamos mudar-nos para a Nazaré.
David ficou imóvel.
— Para a praia?
— Sim… para a Praia da Nazaré. Vamos viver lá na primavera.
O vento frio da serra soprou entre eles.
David tentou imaginar Carol longe da Covilhã, longe das ruas onde se encontravam, longe da piscina onde tudo tinha começado.
— É muito longe… — murmurou ele.
Carol apertou as mãos.
— Eu sei.
Durante alguns momentos nenhum deles falou. À volta, apenas o silêncio da serra.
— Mas não é para sempre — disse Carol finalmente. — Posso vir cá nas férias… e tu podes visitar-me.
David olhou para ela.
— Nunca vi o mar.
Carol sorriu, com um brilho nos olhos.
— Então prometo uma coisa… quando fores à Nazaré comigo, o primeiro lugar onde te levo é à praia. Quero ver a tua cara quando vires o mar pela primeira vez.
David sorriu pela primeira vez desde que ela tinha contado a notícia.
— Então temos um plano.
Quando regressaram ao grupo, ninguém percebeu logo o que tinha sido dito.
Mas algo tinha mudado.
Aquela viagem à Serra da Estrela tinha transformado o amor leve de verão numa promessa mais séria.
Agora havia distância no futuro.
Mas também havia uma nova esperança:
o dia em que David, rapaz da montanha, iria ver o mar na Nazaré… por causa de Carol.


Continua…





PARABÉNS BLOGUE NESTA DATA FESTIVA!

 Hoje Sábado de Páscoa é uma data bonita.

 O Blogue Verão Azul, o meu pequeno mundo, chega à idade adulta. 

 Francamente quando iniciei este projeto não iria imaginar até onde podia ir. Numa altura em que não fazia parte de outras redes sociais, nem sequer tinha internet em casa, lancei-me neste bonito desafio como uma espécie de diário e de motivação para mim, lembro que na altura fazia uma tentativa para parar de fumar.

 Os primeiros seis anos de Blogue foram de aprendizagem com poucas mensagens. 2015 foi o ano de viragem, com mais conhecimentos tecnológicos e internet em casa (desde 2011), fui aperfeiçoando o blogue e em sintonia com publicações na rede social Facebook, criei o blogue à minha imagem.

 Nestes 18 anos estão registados todos os maiores acontecimentos do mundo, do país, da Covilhã e feitos desportivos e conquistas do "meu" Sporting. 

 Acontecimentos pessoais de relevo, como o parar de fumar e a minha renovação pessoal também estão transcritos neste Blogue. 

 Porque os 18 anos merecem ser comemorados, quinta feira tive um almoço no restaurante "Carapito", lancei a nova imagem no Blogue e o romance "Nunca Digas Nunca" em episódios, simultâneo com a rede social Facebook. 

 Obrigado a todos os que visitaram este blogue e foram apenas 217.370 (!?) visualizadores até ao momento , aos 14 seguidores fixos e a todos os seguidores que me têm visitado mesmo de forma anónima. 

 A todos uma Feliz Páscoa e continuação de boas leituras neste Blogue.

 Abraço. 



ESTÁ CONSUMADO

🙏 




NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO III

                                            Inverno Rigoroso

Com novembro, chegou o frio da serra.
Os encontros passaram a ser mais curtos, as noites mais longas. O grupo já não se reunia tantas vezes como no verão.
Mas David e Carol continuavam a caminhar juntos pelas ruas da cidade iluminadas pelos candeeiros amarelos.
E mesmo com o inverno a aproximar-se, havia algo que permanecia quente entre eles.
Um amor jovem, nascido num verão na piscina… e que agora crescia lentamente nas ruas antigas da Covilhã.
O inverno instalou-se definitivamente na Covilhã. O vento frio descia da serra e corria pelas ruas inclinadas da cidade, fazendo as pessoas apertarem os casacos enquanto caminhavam apressadas.
Mesmo assim, havia uma alegria especial no ar. As montras começaram a encher-se de luzes e enfeites. O cheiro a bolo-rei e a filhoses saía das pastelarias, e as ruas ganhavam uma atmosfera diferente.
O Natal aproximava-se.
Numa tarde fria de dezembro, David encontrou Carol junto à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
As luzes de Natal já estavam acesas nas ruas e o sino da igreja ecoava pela cidade.
— A Covilhã fica bonita nesta altura — disse Carol, olhando para as decorações.
— Fica… mas tu ficas mais — respondeu David, meio envergonhado.
Carol riu.
Caminharam até ao centro, passando pela Confeitaria Lisbonense, onde as vitrinas estavam cheias de sonhos, rabanadas e bolo-rei.
Entraram para se aquecer.
O senhor José, atrás do balcão, reconheceu-os imediatamente.
— Então, os namorados da piscina! Já estão preparados para o Natal?
David corou, enquanto Carol escondia o sorriso.
Sentaram-se junto à janela. Lá fora, algumas pessoas passavam com sacos de compras e crianças apontavam para as luzes nas árvores.
— O que pediste para o Natal? — perguntou David.
— Nada especial… talvez só que tudo fique como está.
David olhou para ela com atenção.
— Eu também.
Na noite de Natal, cada um ficou com a sua família.
David jantou no pequeno apartamento do centro da cidade. Depois da ceia, saiu à varanda. Lá ao longe via as luzes da cidade espalhadas pela encosta.
Pensou em Carol.
Ao mesmo tempo, no Bairro da Estação, Carol também pensava nele. O som distante de um comboio a passar pela estação misturava-se com as vozes da família na sala.
No dia seguinte encontraram-se novamente.
Trocaram pequenos presentes:
David ofereceu-lhe um cachecol azul.
Carol deu-lhe um pequeno caderno com capa de couro.
— Para escreveres histórias — disse ela.
— Histórias?
— Sim… sobre nós, talvez.
David sorriu.
À medida que o ano se aproximava do fim, os amigos começaram a falar da grande festa de passagem de ano.
Seria no GIR Rodrigo, um dos lugares mais animados da cidade.
— Vai haver baile! — dizia Nando entusiasmado.
— E música ao vivo — acrescentava Paula.
Todos combinaram ir.
A noite de fim de ano
Na noite de 31 de dezembro de 1978, o salão do GIR Rodrigo estava cheio de gente.
As luzes coloridas refletiam-se no chão encerado, e a banda tocava músicas que faziam toda a gente dançar.
David chegou primeiro com Rui e Nando.
Pouco depois, Carol entrou com as amigas.
David quase deixou cair o copo quando a viu.
Ela usava um vestido simples, mas elegante, e o cabelo caía-lhe sobre os ombros.
— Estás linda — disse ele.
— E tu estás nervoso — respondeu Carol, sorrindo.
A música começou e foram para a pista.
Dançaram, riram, encontraram os amigos e voltaram a dançar outra vez.
Meia-noite
Pouco antes da meia-noite, a música parou e alguém começou a contagem decrescente.
— Dez… nove… oito…
O salão inteiro repetia os números.
David e Carol estavam lado a lado.
— Três… dois… um…
Feliz Ano Novo!
Abraços, gargalhadas e brindes ecoaram pelo salão.
David olhou para Carol.
Por um segundo, o barulho à volta pareceu desaparecer.
— Feliz Ano Novo, Carol.
— Feliz Ano Novo, David.
Ele aproximou-se devagar e deu-lhe um beijo.
O primeiro beijo do novo ano.
Lá fora, no céu frio da Covilhã, rebentavam alguns foguetes improvisados.
E naquele instante, no início de 1979, parecia que toda a cidade celebrava não só a chegada de um novo ano… mas também o amor que tinha começado meses antes numa piscina de verão.

Continua…



NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO II

                                                Capítulo II
                                            Outono


O verão terminou devagar, quase sem ninguém dar por isso. As tardes ficaram mais curtas e o vento da serra começou a trazer o cheiro das folhas molhadas.
Na Piscina dos Penedos Altos já não se ouviam as gargalhadas do grupo. As portas fecharam e o silêncio tomou conta do lugar onde, durante meses, tinham vivido tantas aventuras.
Mas David e Carol continuavam a encontrar-se.
Agora os encontros eram no centro da cidade.
Num sábado à tarde, David esperava Carol à porta do Teatro Cine da Covilhã. Segurava dois bilhetes amassados na mão.
Quando Carol apareceu, com um casaco castanho e uma pasta da escola debaixo do braço, o sorriso de David surgiu imediatamente.
— Ainda vamos a tempo? — perguntou ela.
— Claro… comprei os bilhetes mais cedo.
Entraram na sala escura do cinema, onde o cheiro a madeira se misturava com o murmúrio das pessoas. Durante o filme, as mãos deles tocaram-se discretamente.
Nenhum dos dois disse nada.
Mas ficaram assim, de mãos dadas, até o ecrã voltar a ficar branco.
Depois do cinema, o grupo às vezes encontrava-se na Confeitaria Lisbonense.
As vitrinas estavam cheias de bolos e pastéis, e o senhor José atendia sempre com o mesmo sorriso.
— O costume? — perguntava ele.
David pedia uma meia de leite e Carol escolhia quase sempre um mil-folhas.
Sentavam-se numa mesa perto da janela enquanto os amigos falavam alto e contavam histórias da escola.
Carol, às vezes, olhava pela janela para as pessoas que passavam.
— Um dia vou sair daqui para ver o mundo — disse ela certa vez.
David ficou em silêncio por alguns segundos.
— E voltas?
Carol olhou para ele.
— Talvez… se tiver alguém à minha espera.
Caminhos da escola
Com o começo das aulas, as rotinas mudaram.
David estudava no Liceu Nacional da Covilhã. Todas as manhãs descia a Avenida 25 de Abril com os livros debaixo do braço, encontrando colegas pelo caminho.
Carol passava muitas vezes por ali quando vinha do Bairro da Estação.
Às vezes encontravam-se à porta do liceu, afinal ela estudava logo em frente na escola Campos Melo.
— Já tens teste hoje? — perguntava ela.
— Matemática… vou precisar de sorte.
— Então toma — dizia ela, dando-lhe um pequeno beijo na face.
E David entrava na escola com um sorriso que durava o resto do dia.
Havia também momentos mais tranquilos.
Numa tarde de domingo, caminharam até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Lá dentro reinava um silêncio profundo. A luz entrava pelos vitrais e pintava o chão de cores suaves.
Sentaram-se lado a lado num banco de madeira.
— Gosto deste silêncio — sussurrou Carol.
David olhou para o altar e depois para ela.
— Eu também.
Não falaram mais durante algum tempo. Apenas ficaram ali, lado a lado, como se o mundo lá fora estivesse muito longe.

Continua…
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Bom dia para todos nós🍀



NUNCA DIGAS NUNCA - ANTEESTREIA

                                             Capitulo I
                                   Um amor simples


No final dos anos 70, a cidade da Covilhã vivia ao ritmo das fábricas de lanifícios, das ruas íngremes e das tardes longas de verão. Nos dias mais quentes, havia um lugar onde quase todos os jovens acabavam por se encontrar: a Piscina dos Penedos Altos.
Foi ali que começou a história de David e Carol.
Verão de 1978
David morava numa rua estreita do centro da cidade, num prédio antigo com varandas de ferro trabalhado. Todos os dias descia as escadas de pedra, atravessava ruas onde os vizinhos conversavam à porta e seguia com os amigos até à piscina.
Carol vivia no Bairro da Estação, perto da linha férrea. O som dos comboios fazia parte da sua vida desde criança. Nas tardes de verão, ela e as amigas caminhavam pela cidade acima, rindo e comentando tudo o que viam, até chegarem à piscina.
Era ali que se juntava o grupo:
David, o amigo Rui, o falador Nando, a tímida Lena, a divertida Paula… e Carol.
Num daqueles dias de julho, o sol brilhava forte e a piscina estava cheia. David estava sentado na borda da água quando viu Carol entrar com as amigas.
Ela tinha cabelo castanho comprido e trazia um vestido leve que balançava com o vento quente da serra. Quando tirou as sandálias e se aproximou da piscina, David ficou a olhar sem dizer nada.
— Estás a olhar para quem? — perguntou Rui, rindo.
David tentou disfarçar.
— Para ninguém…
Mas naquele momento Carol mergulhou na água e, ao subir à superfície, olhou diretamente para ele. Sorriu.
Foi um sorriso simples… mas ficou gravado na memória de David.
Nos dias seguintes, começaram a falar. Primeiro de forma tímida. Depois, cada vez mais à vontade.
O grupo passou a encontrar-se quase todos os dias. Passavam horas na água, jogavam cartas na relva, ouviam música num pequeno rádio portátil e riam até o sol começar a desaparecer atrás da serra.
Às vezes iam juntos para o centro da cidade, comendo gelados e passeando pelas ruas.
David e Carol caminhavam sempre um pouco atrás dos outros.
— Nunca tinha vindo tanto à piscina — disse Carol numa dessas tardes.
— Ainda bem que vieste — respondeu David.
Ela sorriu.
Com o passar das semanas, começaram a ficar cada vez mais próximos.
Num fim de tarde, quando o grupo já tinha ido embora, David e Carol ficaram sentados na relva perto da piscina.
O céu estava laranja e rosa.
— Gosto da Covilhã assim — disse Carol.
— Como assim?
— Silenciosa… quando toda a gente já foi para casa.
David olhou para ela.
— Eu gosto quando estás aqui.
Carol ficou em silêncio por um momento. Depois encostou a cabeça no ombro dele.
Foi ali que começaram a namorar.
Durante aquele verão, o grupo viveu momentos que pareciam não ter fim:
mergulhos, gargalhadas, passeios pela cidade, histórias contadas até tarde.
Mas para David e Carol, cada encontro tinha um significado especial.
Ele esperava por ela na entrada da piscina.
Ela vinha sempre pela rua que subia do Bairro da Estação, de seu nome Mateus Fernandes.
E quando se viam, sorriam como se o resto do mundo desaparecesse.

Continua…



18º ANIVERSÁRIO (04/04/2008 - 04/04/2026) UM NOVO ROMANCE

Caros amigo/as e seguidores;

Dia 2 começo a publicar o conto/romance "Nunca Digas Nunca".
Dia 1 em antestreia aqui no Blogue, integrado nas comemorações do 18º aniversário do mesmo. 

Na cidade da Covilhã, no final dos anos 70, um grupo de amigos encontra na Piscina dos Penedos Altos, o ponto de encontro perfeito para os longos dias de verão. Entre mergulhos, risos e conversas na relva, nasce um romance inesperado entre David, um jovem que vive numa rua do centro da cidade, e Carol, moradora no Bairro da Estação.

É uma história de juventude, amizade e primeiro amor, vivida numa Covilhã marcada pelas tradições, pelos encontros nas ruas e pelos pequenos momentos que ficam para sempre na memória.

O decorrer da ação trará muitas peripécias que irão certamente prender o leitor/a, com a Covilhã como referência (onde se desenrola grande parte dos acontecimentos) e a linda praia da Nazaré.

Espero que gostem e que o feedback seja positivo.

Bom dia para todos nós🍀





Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...