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Obrigado a todos vocês que me leem.
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Este provérbio, nos anos 70 e 80 do século passado, tinha até uma certa verdade. Pelo menos no que respeitava aos domingos!
Eu e quase todos os meus amigos íamos à missa, principalmente quando ainda éramos acompanhados pelos nossos pais. Sozinhos, era outra conversa! Havia sempre uma escapadela para o Jardim Público, sobretudo para quem, como eu, frequentava a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
As missas de domingo, naquela época, tinham sempre casa cheia. Escapar não era tarefa fácil, mas, quando surgia uma oportunidade, era aproveitar! Como se costumava dizer: «Alas, que se faz tarde!» 😆
Aproveito para deixar um abraço ao senhor padre Fernando Brito, que durante largos anos foi sacerdote da paróquia de São Francisco e que certamente estará na memória de muitos covilhanenses.
Mas os domingos da Covilhã eram muito mais do que ir à missa. Havia outra tradição que fazia crescer água na boca: o arroz à valenciana do Pintado!
Era ver o corridinho de pessoas a atravessar a Rua das Flores para ir buscar aquela saborosa refeição, que fazia parte dos domingos de tantas famílias. Hoje, felizmente, são muitos os restaurantes que nos oferecem esta preciosidade da nossa gastronomia. Mas, para quem viveu aqueles tempos, há sabores que nunca mais são os mesmos. Talvez porque, além do arroz, levávamos para casa um bocadinho da felicidade daqueles domingos.
Depois do almoço, e como ainda não tínhamos centros comerciais para nos entreter, havia que aproveitar o que a cidade nos oferecia.
Um cafezinho num dos muitos cafés espalhados pela nossa praça era quase obrigatório. Destaco o MONTALTO, ponto de encontro de muitas famílias nos finais dos anos 70 e princípios dos anos 80. Era ali que se conversava, se encontravam amigos e se punham as novidades em dia. Sem telemóveis, sem mensagens e sem redes sociais. Para saber as novidades, bastava sentar-se à mesa e ouvir a conversa do lado!
Mas as tardes de domingo ainda podiam ter outros destinos.
Se o Sporting Clube da Covilhã jogasse no seu terreno, lá íamos nós apoiar a equipa. Também havia o Teatro Cine, para assistir a um bom filme, ou o Cine-Centro, que tantas tardes e noites ajudou a preencher.
E, se o tempo estivesse bom, havia muito por onde escolher. Naquela época, bom tempo queria dizer uma coisa muito simples: haver sol! Não havia avisos amarelos, laranjas ou vermelhos para nos dizer como estava o dia. Nós próprios fazíamos a previsão meteorológica: chegávamos à janela, espreitávamos o céu e decidíamos o programa!
Podíamos dar um passeio pelo Jardim Público, ver as montras das lojas, ir até ao Sporting ou ao Ginásio jogar uma partida de bilhar ou snooker. E, para os mais dançarinos, ainda havia um pé de dança na boîte A Fonte ou nas coletividades da cidade, que organizavam as suas matinés. O GIR Rodrigo e o GER Campos Melo eram dois bons exemplos.
Naqueles tempos, a diversão não precisava de grandes invenções. Bastava haver amigos, um lugar de encontro e vontade de aproveitar o dia. E, muitas vezes, era precisamente isso que tornava tudo tão especial.
Quando o tempo virava, com chuva e vento, hoje talvez merecedores de um aviso laranja, o programa mudava. Ficávamos por casa, a beber o chá das cinco, a assistir ao Passeio dos Alegres ou a ouvir pela rádio os relatos de futebol.
E que bem sabia, nos dias frios, beber um chazinho acompanhado de umas torradas, aconchegados no lar, com a família por perto! Lá fora, a chuva batia nas vidraças e o vento fazia das suas, mas, dentro de casa, havia calor, conversa e aquela tranquilidade que hoje parece andar tão desaparecida.
À noite, depois do jantar, ainda ficávamos um pouco à mesa. Conversava-se sobre os acontecimentos do dia, comentavam-se as notícias e preparava-se a semana que estava prestes a começar.
Depois, era hora de ir para a cama. No dia seguinte, uns tinham escola, outros trabalho, muitos deles nas fábricas de lanifícios, porque a Covilhã ainda vivia os tempos em que era conhecida como a Manchester Portuguesa.
E assim terminava mais um domingo. Sem grandes luxos, sem centros comerciais, sem internet e sem a pressa que hoje parece mandar em tudo.
Éramos felizes com pouco? Talvez. Ou talvez soubéssemos dar mais valor às pequenas coisas.
Hoje, quando recordamos aqueles domingos, já não ouvimos o sino da igreja da mesma maneira, já não encontramos todos os amigos nos cafés de antigamente e muitas das portas por onde entrávamos estão fechadas para sempre.
Mas basta uma recordação, um cheiro a chá acabado de fazer, o sabor de uma boa refeição ou uma conversa sobre os tempos antigos para, por instantes, voltarmos a ser aqueles rapazes e raparigas que tinham a vida inteira pela frente.
Os domingos passaram, a Covilhã mudou e nós também envelhecemos. Mas há uma coisa que o tempo nunca conseguiu levar: a saudade dos dias em que a felicidade morava nas coisas mais simples.
E, se por acaso, ao ler estas linhas, se lembrou de um amigo, de um café, de uma tarde de futebol ou de um domingo passado com os seus pais, então este texto já cumpriu a sua missão.
Porque há domingos que ficam para trás no calendário, mas nunca saem do coração.
Bom domingo para todos nós! 🍀




