SERÁS SEMPRE A MINHA RUA
Quem vem do Jardim Público, do lado direito da rua, encontra a mercearia do Sr. Raul Paiva, carinhosamente tratado por “Menino” pelas suas clientes. Era o tempo das mercearias tradicionais, onde quase tudo se vendia a granel e se levavam as encomendas mais pesadas a casa. Era também a época em que a maioria das pessoas pagava quando recebia o salário.
DEPENDÊNCIAS E DEPRESSÕES
Às vezes… sorri.
Dependências são mais visíveis — álcool, drogas, jogo.
Mas até aí, quem sofre… nega.
Cumprimenta-te, ri contigo…
e por dentro pode estar a desabar.
• Isolamento constante
• Mudanças bruscas de peso
• Olhar vazio
• Marcas no corpo
• Comportamentos estranhos
mas pode ser tudo.
Às vezes, uma conversa pode salvar uma vida.
Estar atento… é ser amigo.
REGRAS QUE SÃO SAUDADES
Simples. Diretas. Mas cheias de tudo.
"Agasalha-te, que está frio."
"Quero-te em casa às 11."
"O jantar está pronto, vem já!"
"Já fizeste os deveres?"
"Não fales com estranhos."
"Não te demores… e traz o troco."
"Vai dormir, amanhã há escola."
E aquele olhar do meu pai… que dizia mais do que mil palavras.
Na altura eram regras.
Hoje são saudades.
E, sem percebermos, foram elas que nos fizeram quem somos.
Onde quer que estejam…
Obrigado, Pai.
Obrigado, Mãe.💗
DOMINGO CASEIRO
Olá seguidores e amigo/as:
Domingo caseiro, dia de fazer um balanço da situação atual.
O Fábio está em casa a recuperar depois de ter sido intervencionado à perna. Felizmente e até ao momento, o restabelecimento está a correr bem.
A Ana está em tratamentos e exames para no fim do mês, principio do outro, ser reavaliada pelo médico. Esperamos que seja desta que as coisas possam evoluir positivamente.
Quanto à minha RP (Renovação Pessoal), está a fazer o seu percurso com o objetivo de melhorar a cada dia, sempre no foco do amanhã ser melhor que hoje. 2 anos, 2 meses, 16 dias, o caminho faz-se caminhando sempre pela luz.
No desporto o Sporting qualificou-se para a final da taça de Portugal ao eliminar o FCPorto, luta pelo segundo lugar no campeonato que lhe dá acesso a entrada direta na liga dos Campeões.
O Sporting Clube da Covilhã carimbou ontem a manutenção na Liga 3, numa época bastante difícil e atribulada.
Como já disse, domingo caseiro, a Ana foi à quinta levar comida aos animais, eu fico por casa dar assistência ao Fábio, ao mesmo tempo que faço uns trabalhos caseiros e coloco a escrita em dia nas redes sociais. Por falar em redes sociais, agradecer a todo/as que fazem crescer as minhas páginas de seguidores, aqui no Blogue, e nas páginas do Facebook, Covilhã és linda terra, Recordar é Viver e claro, a minha página pessoal.
Bom domingo
Abraço
O 25 DE ABRIL VISTO COM OS MEUS OLHOS
e até fico satisfeito — porque, pelo menos, tentam entender os meus rabiscos.
Isto das redes sociais tem muito que se lhe diga…
Eu sou do tempo do Robin dos Bosques, do Dallas, do Marco e da Heidi…
Nesse tempo, éramos felizes com uma simples pirolita no jardim público da Covilhã.
Sou o que sou. Sempre fui.
Não faço diferenças nem indiferenças para ninguém.
Erros? Ui… mais que muitos.
Mas quem nunca errou que atire a primeira pedra.
Também não sou dos que se armam mais que os outros…
porque ninguém é mais do que ninguém.
Mas há coisas que não gosto:
fazer-me de “coitadinho”
Prefiro mil vezes dizer verdades…
do que viver de mentiras bonitas.
Porque “coitados” são aqueles que:
acordam às seis da manhã
tratam dos filhos
trabalham o dia inteiro
e só regressam a casa ao anoitecer
Desses, sim… pouco se fala.
da televisão a preto e branco com quatro canais,
onde o comando… era o dedo indicador.
Rádio para ouvir notícias, relatos de futebol e radionovelas.
Sou do tempo das fábricas,
das mães com os filhos,
dos avós presentes até ao fim.
Jogos de futebol às 15h
relatos na rádio
brincadeiras na rua — fizesse sol ou chuva — sem dar conta do tempo
e apresentar passaporte na fronteira.
Escola com respeito e disciplina
rios, estações e províncias decoradas
catecismo e a primeira comunhão
livros com histórias que ainda hoje vivem na memória
Saudades desse tempo?
Algumas.
Fui feliz como criança.
Da miséria ninguém tem saudades.
Isto é apenas um desabafo.
Que o futuro seja melhor.
Mais justo.
Mais risonho.
debaixo do braço levava o “Je Commence”, da Nicole, Robert e Patapouf
A guerra no Ultramar continuava a fazer vítimas.
O país sentia o peso de a manter.
lá fora, a Europa mudava.
Paris lançava modas — minissaias, biquínis… liberdade.
Festival de Woodstock
Paz, amor, liberdade.
Nomes como Janis Joplin e Jimi Hendrix tornaram-se eternos.
Mas por cá…
Não havia eleições livres.
A PIDE perseguia quem ousasse discordar.
“Crónica Feminina” nas mãos das mulheres
Héctor Yazalde era o meu ídolo
Sinaleiros a comandar o trânsito
Café a 1$50
Pão a 10 tostões
Cinema a 15$00
Casas a 200 escudos a renda
Jornal a 1$00
SG Gigante 4$00
25 de Abril de 1974
Equipamentos branquinhos… tudo normal.
Ou talvez não.
Na província, pouco ou nada se sabia.
Sem internet. Sem notícias imediatas.
A rádio falava… mas a conta-gotas.
À tarde?
Futebol com os amigos de São Francisco, no campo das festas.
A revolução estava na rua…
mas a mais de 300 km de distância.
À noite, em casa… algo era diferente.
Olhos colados ao pequeno ecrã.
Sorrisos. Emoção.
“Viva a Liberdade!”
“Somos Livres!”
“Povo MFA!”
As ruas encheram-se.
O povo despertou.
Uma alegria impossível de esquecer.
Eu?
Um miúdo de 12 anos…
mas a sentir que algo enorme tinha acontecido.
Feliz por ver o meu irmão regressar do Ultramar (Angola).
Feliz por ver um povo inteiro a sorrir.
Sim…
vieram erros depois. Muitos.
Mas uma coisa é certa:
Hoje vivemos melhor
Temos mais conforto
Mais liberdade
Mais voz
Mesmo com excessos.
Somos livres.
E disso…
não abrimos mão.