MESTRES OU APRENDIZES?

Somos mestres a aconselhar os outros… mas aprendizes quando a vida nos põe ao espelho.

É curioso como conseguimos encontrar as palavras certas para aliviar a dor de alguém:
“Vai passar.”
“Tu és forte.”
“Não penses demasiado nisso.”
“Afasta-te do que te faz mal.”

Mas quando a tempestade chega à nossa porta, esquecemo-nos de tudo aquilo que ensinámos aos outros.

😔 É mais fácil entender a tristeza alheia do que enfrentar os nossos próprios medos.
É mais fácil criticar os vícios dos outros enquanto escondemos os nossos nas gavetas do silêncio.
É mais fácil apontar defeitos do que admitir que também falhamos… todos os dias.

Vivemos numa sociedade onde muitos falam de força, mas poucos têm coragem de mostrar as suas fragilidades.
Há quem critique quem bebe demais, enquanto se afoga em ansiedades escondidas.
Há quem condene a mentira, mas viva preso às pequenas falsidades que criou para parecer perfeito.
Há quem dê lições de amor, mas não saiba amar-se a si próprio.

A verdade é que todos carregamos batalhas invisíveis.
Todos temos cicatrizes que escondemos atrás de sorrisos.
Todos temos hábitos, medos e fraquezas que tentamos maquilhar para que ninguém veja.

E talvez a maior humildade da vida seja esta:
antes de julgarmos alguém… olharmos para dentro de nós.

Porque ninguém é tão perfeito como mostra nas redes sociais.
Ninguém tem a vida totalmente resolvida.
E muitas vezes, quem mais aconselha… é quem mais precisa de ouvir os próprios conselhos.

Talvez o mundo fosse mais leve se trocássemos a crítica pela compreensão.
Se em vez de apontarmos dedos, estendêssemos mãos.
Se tivéssemos a coragem de admitir:
“Eu também erro.”
“Eu também caio.”
“Eu também estou a tentar.”

No fundo, todos somos humanos a aprender a viver… mesmo quando fingimos que já sabemos tudo.

Boa noite para todos nós 🌙



NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE, NEM BEM QUE NUNCA ACABE

Há fases da vida em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo.
Avaria-se a máquina, o carro deixa-nos na estrada, aparecem despesas inesperadas, problemas de saúde, preocupações… e, quando pensamos que pior já não pode ficar, surge mais uma dificuldade.

E então fazemos a pergunta que quase todos fazemos em silêncio:
“Porquê eu?”

Nesses momentos, a vida parece injusta.
Sentimo-nos cansados, revoltados e até perdidos.
Há dias em que sorrimos por fora… enquanto por dentro travamos batalhas que ninguém imagina.

Mas o tempo ensina-nos uma coisa:
as maiores tempestades também acabam por passar.

Muitas vezes são precisamente os momentos mais difíceis que nos transformam.
São eles que nos tornam mais fortes, mais humanos, mais conscientes da fragilidade da vida e do verdadeiro valor das pessoas que permanecem ao nosso lado.

Para quem tem fé, talvez sejam provas.
Para outros, simples desafios da vida.
Mas, seja qual for a explicação, existe algo que nunca podemos perder: a esperança.

Porque, mesmo depois da noite mais escura, o sol volta sempre a nascer. 

E talvez a verdadeira coragem não esteja em nunca cair…
mas em levantar-nos vezes sem conta, mesmo quando a alma já está cansada.

A vida é isto:
resistir, acreditar, semear e continuar.

E nunca esquecer:
há dores que nos derrubam…
mas também há forças dentro de nós que ainda não conhecemos até ao dia em que somos obrigados a usá-las.

Boa noite amigo@s do meu pequeno mundo 🍀



O CINEMA CINE-CENTRO

🎬Houve um tempo em que ir ao cinema na Covilhã não era apenas ver um filme… era viver uma aventura.

O velho Cine-Centro marcou gerações inteiras nos anos 80 e 90. E quem lá entrou uma vez, nunca mais esqueceu aquele ambiente tão nosso. 

 Antes do filme começar, já o espetáculo tinha começado cá fora. Filas enormes, grupos de amigos, namoros tímidos e o cheiro das castanhas assadas misturado com o frio da noite covilhanense.

Depois, entrávamos na sala… e parecia que o filme começava dentro de um nevoeiro. O fumo dos cigarros vindo do bar espalhava-se lentamente e dava ao cinema um cenário quase mágico. Hoje seria impensável… mas naquela altura fazia parte da experiência.

E quem não se lembra do porteiro?
A meio da sessão, lá vinha ele, lanterna na mão, a conduzir os atrasados até aos lugares, enquanto toda a gente olhava de lado para os “artistas” que tinham chegado depois do início do filme.

Mas o melhor eram as brincadeiras da plateia.
Pacotes de batatas fritas amachucados de propósito nas cenas mais silenciosas… gargalhadas exageradas… piropos ditos em voz alta… comentários que faziam a sala inteira rebentar a rir. Às vezes, o público conseguia ser mais divertido do que o próprio filme.

 E havia sempre uma figura obrigatória: o bombeiro presente na sala. Discreto, atento, quase parte da mobília daquele espaço que marcou a cidade.

O Cine-Centro não era apenas um cinema.
Era ponto de encontro. Era juventude. Era namoro. Era amizade. Era a Covilhã a viver em comunidade, numa época em que as pessoas se divertiam juntas e criavam memórias sem precisar de telemóveis.

Hoje, naquele espaço onde tantos sonharam diante do grande ecrã, funciona a Assembleia Municipal da Covilhã.
Mudaram-se os tempos, mudou-se o edifício… mas as memórias continuam sentadas naquelas cadeiras invisíveis da nossa saudade. 

Quem viveu o Cine-Centro sabe:
não era só um cinema… era um pedaço da nossa vida.

Bom dia para todos nós 🍀



A PRAÇA

🌼Houve um tempo em que os sábados de manhã na Covilhã tinham outro sabor…

A cidade acordava cedo e quase toda a gente corria para a “Praça”.
As ruas enchiam-se de passos apressados, vozes cruzadas e alcofas na mão.

Eu ia pela mão da minha mãe, atravessava o Pelourinho ao sinal do sinaleiro e entrava naquela confusão maravilhosa da Rua António Augusto de Aguiar.

Na Praça havia de tudo:
pinhões, tremoços, peixe fresco, hortaliças…
e sobretudo vida.

As vendedeiras conheciam as pessoas pelo nome.
Os clientes conversavam uns com os outros.
E nós, miúdos, andávamos colados às mães para não nos perdermos naquele mar de pernas. 😀

As tascas enchiam logo de madrugada, os autocarros vinham carregados da Aldeia do Carvalho e o comércio vivia em pleno.

Hoje talvez tenhamos mais conforto…
mas dificilmente voltaremos a ter aquela proximidade humana, aquela simplicidade e aquele sentimento de comunidade.

A velha Praça não era apenas um mercado.
Era o coração da cidade a bater. 💛

Bom dia de sábado para todos nós🍀



AS SEXTAS FEIRAS DA MINHA ADOLESCÊNCIA

🌼Nas sextas-feiras dos anos 70' e 80', a juventude encontrava-se na esplanada do Primor, na Covilhã.
Ouvíamos os Gemini e os Green Windows enquanto, à mesa, dividíamos caracóis, finos… e sonhos.

Falávamos de amores e desamores como se o mundo parasse ali.
E talvez parasse mesmo.
Não havia telemóveis a tocar.

Não existiam notificações, nem computadores a roubar-nos a atenção.

Existiam pessoas.
Pessoas de verdade.

Conversávamos olhos nos olhos.
Ríamos até doer a barriga.
Criávamos amizades sem fotografias, sem filtros e sem precisar de publicar nada para provar que éramos felizes.

A nossa geração viveu o luxo que hoje quase desapareceu:
o luxo da presença.

As horas passavam devagar.
Os cafés estavam cheios.
As ruas tinham vida.
E os silêncios nunca eram vazios.

Hoje temos tudo para comunicar…
mas, muitas vezes, falta-nos aquilo que mais existia naquele tempo: ligação humana.

Quem viveu aqueles anos sabe do que estou a falar.
E enquanto escrevo isto, consigo quase ouvir a música ao fundo, o tilintar dos copos e as gargalhadas daquela geração inesquecível.

Vocês lembram-se… não lembram? 😊

Boa noite para todos nós 🍀✨



13 DE MAIO

Lembro-me perfeitamente de ter vivido um 12 e 13 de Maio em Fátima… e há sensações que nunca mais nos abandonam.

Milhares de pessoas reunidas no mesmo lugar, vindas de tantos pontos diferentes, com histórias, dores, promessas e esperanças distintas… mas unidas por algo impossível de explicar por palavras.

O silêncio daquele recinto impressiona.
Mesmo no meio de tanta gente, sente-se uma paz enorme, uma energia diferente, quase como se o tempo abrandasse e o coração falasse mais alto.

Vi lágrimas, vi mãos dadas, vi pessoas a rezarem em silêncio e outras apenas a olharem o céu. E percebi que, independentemente da religião de cada um, há locais onde a fé, a esperança e a humanidade se encontram.

Talvez só quem já lá esteve consiga entender verdadeiramente o que estou a tentar transmitir.

Num mundo tão cheio de pressa, guerras, ódio e superficialidade, lugares assim lembram-nos que ainda precisamos de paz, de luz e de acreditar em algo maior do que nós próprios.

Para todos os crentes e não crentes, desejo um dia cheio de serenidade, esperança e amor no coração. 🌹

Bom dia para todos nós🍀



Muito obrigado pela vossa visita

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