PROVÉRBIOS DO MÊS DE OUTUBRO

- Aí por São Lucas (18/10) bem sabem as uvas.- Andar marinheiro, andar, não te apanhe São Simão (28/10) no mar.
- Com a vinha em Outubro, come a cabra e engorda o boi.
- Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.
- De São Simão (28/10) a São Judas (28/10), comidas são as uvas.
- Dia de Santa Iria (20/10), pega nos bois e guia.
- Em dia de São Simão (28/10), quem não assa um magusto não é bom cristão.
- Em Outubro centeio ruivo.
- Em Outubro não fies só lã; recolhe o teu milho e o teu feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.
- Em Outubro não vás ao mar para pescar; mas vai ao celeiro e abre o mealheiro.
- Em Outubro o fogo ao rubro.
- Em Outubro o lume já é amigo.
- Em Outubro ou secam as fontes, ou passam os rios por cima das pontes.
- Em Outubro paga tudo e recolhe tudo.
- Em Outubro paga tudo.
- Em Outubro pega tudo e recolhe tudo.
- Em Outubro pega tudo.
- Em Outubro recolhe tudo.
- Em Outubro sê prudente: guarda o pão, guarda a semente.
- Em Outubro semeia e cria, terás alegria.
- Em Outubro, centeio ruivo.
- Em Outubro, cordoadas de São Francisco (4/10).
- Em Outubro, meu trigo cubro.
- Em Outubro, Novembro e Dezembro, abre o teu celeiro e o teu mealheiro.
- Em Outubro, Novembro e Dezembro, quem come do mar, tem que jejuar.
- Em Outubro, o fogo ao rubro.
- Em Outubro, o lume já é amigo.
- Em Outubro, ou secam as fontes ou passam os rios por cima das pontes.
- Em Outubro, S. Simão (28/10), favas no chão.
- Em Outubro, S. Simão (28/10); semear, sim; navegar, não.
- Em Outubro, semeia, cria e terás alegria.
- Em São Simão (28/10), fava na mão.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer. Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engavelar. Setembro vindimar, Outubro revolver, Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Logo que Outubro venha, procura a lenha.
- No dia de São Simão (28/10) e São Judas já colhidas são as uvas.
- No dia de São Simão (28/10), barcos para trás do portão.
- No Outono o Sol tem sono.
- No São Simão (28/10), fava no chão.
- Outubro chuvoso faz ano venturoso.
- Outubro chuvoso toma o lavrador venturoso.
- Outubro erveiro, guarda para Março o palheiro.
- Outubro lavrar, Novembro semear, Dezembro nascer.
- Outubro meio chuvoso, torna o lavrador venturoso.
- Outubro nublado, Janeiro molhado.
- Outubro quente traz o Diabo no ventre.
- Outubro seca tudo.
- Outubro seca tudo. Se em Outubro demorares a terra a lavrar, pouco hás-de enceleirar.
- Outubro secão, negaças de verão.
- Outubro sisudo colhe tudo.
- Outubro sisudo, recolhe tudo.
- Outubro suão, negaças de Verão.
- Outubro vaca para o palheiro e porco para o outeiro.
- Outubro, paga tudo.
- Outubro, pega tudo.
- Outubro, recolhe tudo.
- Outubro, rega tudo.
- Outubro, revolver.
- Outubro, seca tudo.
- Outubro, vaca para o palheiro e porco para o outeiro.
- Ouvidos a comer, água que vai chover.
- Pelo São Francisco (4/10) semeia o teu trigo e a velha que o dizia, semeado o linha.
- Pelo São Francisco (4/10), nem nado, nem no cortiço.
- Pelo São Lucas (18/10), mata os porcos e tapa as cubas.
- Pelo São Simão (28/10) e São Judas (18/10) já colhidas são as uvas.
- Pelo São Simão (28/10) enfarrusca o pinhão.
- Pelo São Simão (28/10), quem não faz um magusto, não é cristão.
- Pelo São Tadeu (28/10) e São Judas (28/10) prova as uvas.
- Por Santa Ireia (20/10), toma os bois e semeia.
- Por São Francisco (4/10) semeia o teu trigo; e a velha que o dizia, já semeado o tinha.
- Por São Francisco (4/10), semeia teu trigo.
- Por São Lucas (18/10) mata teus porcos e tapa tuas cubas.
- Por São Lucas (18/10), sabem as uvas.
- Por São Simão (28/10) e São Judas, colhidas são as uvas.
- Por São Simão (28/10), fava na mão.
- Por São Simão (28/10), favas no chão.
- Por São Simão (28/10), semear sim, navegar não.
- Quando o Outubro for erveiro, guarda para Março o palheiro.
- Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o palheiro.
- Quem planta no Outono leva um ano de abono.
- São Simão (28/10), fava na mão.
- Se as andorinhas partirem em Outubro, seca tudo.
- Se em Outubro demorares a terra a lavrar, pouco hás-de enceleirar.
- Se em Outubro te sentires gelado, lembra-te do gado.
- Setembro, vindimar; Outubro, revolver.
- Vindima em Outubro que S. Martinho te dirá.

Hernâni Matos 



20 DE JULHO DE 1969

 

Estávamos muito perto do dia de São Tiago, aqui na Covilhã, a grande feira que se realiza anualmente na cidade. No entanto, um momento ainda maior estava prestes a acontecer: a chegada do Homem à Lua, numa missão tripulada por Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins.

Faltavam três meses para eu fazer sete aninhos. Da porta do meu quarto — que nessa altura partilhava com a minha avó, mesmo ao lado da sala —, vi a família e os amigos do meu pai reunidos, todos ansiosos, à espera de algo nada habitual para àquela hora da noite.

Achando tudo aquilo muito esquisito, entreabri a porta e espreitei. No meio do "grão" da imagem do ecrã do televisor, vi uns homens com um fato estranho a pisar o que me parecia um deserto — daqueles que já tinha visto na televisão, com camelos e tudo.

Fiquei bem quietinho para que os adultos não me vissem, mas eles estavam tão absorvidos pelo ecrã que nunca iriam dar por mim. Mal sabia eu que estava a presenciar um dos momentos mais marcantes da história. Só muito mais tarde é que compreendi o verdadeiro significado da frase de Armstrong: "É um pequeno passo para o homem, mas um salto gigante para a humanidade."

Ainda hoje há quem acredite que foi tudo uma encenação. Para mim, passados tantos anos, continua a ser o momento mais impressionante que vi na TV — só mesmo ultrapassado pelo golo do Éder no Europeu de França! 

Tinha quase sete anos, o mundo era a preto e branco, Salazar ainda governava Portugal e eu preparava-me para ir para a segunda classe. Daí para cá, o mundo deu voltas inacreditáveis. Hoje já vivemos numa espécie de Espaço 1999, mas em pleno planeta Terra: fazemos vídeo chamadas a qualquer hora e trazemos o mundo no bolso. Só nos falta mesmo o teletransporte... mas se chegar aos 77 anos, quem sabe o que ainda vou ver?

Boa noite para todos nós 🌛







TÃO SIMPLES COMO A MARIA

Ainda não foi assim há tantos anos que existiam muitas casas sem energia elétrica. As famílias deitavam-se cedo e levantavam-se cedo também. Nos campos, os miúdos, ainda pequenos, ajudavam os pais nos trabalhos agrícolas antes de irem para a escola. A vida era dura, mas quem vivia da terra, pelo menos, raramente passava fome.

Até aos anos 80, ainda eram poucas as famílias que, mesmo numa cidade operária como a Covilhã, tinham televisão. O rádio era, para muitos, a grande companhia e o principal meio de informação e distração.

Foi então que, através da Rádio Renascença, surgiu a radionovela “Simplesmente Maria”, transmitida entre 23 de março de 1973 e novembro de 1974. Tornou-se uma das radionovelas de maior impacto na sociedade portuguesa, numa época em que a televisão ainda não fazia parte do quotidiano de muitas famílias.

E havia também o futebol.

Para muitos homens, os relatos dos jogos eram um dos grandes momentos da semana. Nos cafés e nas tabernas, as vozes elevavam-se e as discussões entre os rivais Sporting e Benfica eram muitas vezes acaloradas. Mas, no final, tudo acabava geralmente com mais uma rodada antes de cada um regressar a casa.

Nos anos 70, nós, os miúdos como eu, precisávamos de muito pouco para sermos felizes. Jogávamos à bola, às escondidas, às apanhadas e a tantos outros jogos que hoje parecem esquecidos.

Um simples dia de sol era suficiente para encher a rua de gargalhadas.

As dificuldades dos nossos pais eram muitas, mas a nossa alegria era espontânea. Não invejávamos nada nem ninguém, porque também não havia assim tanto para invejar. Éramos nós, a rua e aquele pequeno mundo que parecia enorme.

Os miúdos do campo tinham uma vida ainda mais exigente. Logo pela manhã, ajudavam os pais na lavoura e, depois, percorriam quilómetros a pé para chegar à escola. Era uma vida dura, mas era a vida que conheciam.

E, no recreio, entre uma corrida e outra, encontravam finalmente o momento para brincar com os outros meninos.

Hoje também existem dificuldades, é certo. Mas talvez muitos dos que nasceram depois daquela época nem imaginem o que era viver sem as comodidades que hoje consideramos indispensáveis.

Foram tempos de sacrifícios, mas também de união, entreajuda e amor.

Os irmãos mais velhos tomavam conta dos mais novos. Os filhos cuidavam dos pais quando estes envelheciam. Os vizinhos ajudavam-se. E, mesmo quando a noite chegava e a casa ficava iluminada apenas pela chama tímida de um candeeiro a petróleo, havia algo que nunca faltava: a família reunida.

Ninguém abandonava ninguém.

Hoje temos mais coisas, mais conforto, mais tecnologia e tantas formas de passar o tempo… mas será que somos mais felizes?

Talvez não seja fácil responder.

Foram outros tempos. Tempos simples, difíceis e, ao mesmo tempo, cheios de memórias que ainda hoje aquecem o coração.

Foram tempos… e outros tempos hão de vir.

Tão simples como a Maria.



🌼 COMEÇAR O DIA COM ENERGIA

Começar o dia com a vontade e o desejo de que tudo dê certo. 

Quando se começa um novo dia, nunca sabemos exatamente como ele vai terminar. A vida pode surpreender-nos a cada momento, mas há algo que depende de nós: dar o melhor que existe em nós, enfrentar cada desafio com coragem e não deixar que as dificuldades nos roubem a vontade de seguir em frente.

Nem todos os dias serão perfeitos, mas todos eles trazem uma nova oportunidade para fazer melhor, sorrir mais e acreditar que alguma coisa boa pode acontecer.

Um café para despertar os sentidos… 
Um pensamento positivo para alimentar a alma… 
E lá vou eu para a labuta diária, com energia, esperança e vontade de vencer mais um dia.

Porque, afinal, cada manhã é uma nova página da nossa história. 

 Bom dia para todos nós! 🍂








NÃO SE ADIA O INADIÁVEL


Não se deve adiar aquilo que nos faz bem, aquilo que nos traz paz e nos ajuda a viver melhor.

Há coisas que não podem ficar para amanhã. Se hoje sentimos que precisamos de mudar, de recomeçar, de cuidar mais de nós, de afastar o que nos faz mal ou simplesmente de fazer aquilo que nos dá felicidade, então é hoje o dia de começar.

Não podemos viver eternamente preocupados com aquilo que os outros vão pensar ou dizer. Afinal, a vida que vivemos é nossa, as escolhas são nossas e somos nós que teremos de conviver com elas.

Não deixes para amanhã o abraço que queres dar, o sonho que queres realizar, a palavra que precisas de dizer ou a mudança que sabes que tens de fazer.

A vida passa depressa demais para ser vivida em função da opinião dos outros.

Não esperes pelo momento perfeito. Faz hoje aquilo que pode tornar o teu amanhã melhor.

Porque há momentos em que adiar é apenas perder tempo… e há decisões que, mais cedo ou mais tarde, teremos mesmo de tomar.

Não se adia o inadiável. Vive, cuida de ti, acredita em ti e, acima de tudo, não tenhas medo de escolher aquilo que te faz bem.

Bom domingo para todos nós! 🍀



A ESCOLA NOS TEMPOS DO ESTADO NOVO


Entrar numa sala de aulas dos tempos do Estado Novo era quase como entrar numa aventura do Harry Potter… só que, naquele tempo, a magia era outra e as regras eram muito mais apertadas.

As velhinhas carteiras de madeira, os mapas estrategicamente colocados no fundo das paredes, o velho quadro de ardósia, o crucifixo, as fotografias do Presidente do Conselho e a secretária da professora, com os seus apetrechos em cima — entre os quais a famosa régua — faziam parte daquele cenário que ficou gravado na memória de muitos de nós.

Os grandes mapas de Angola e Moçambique, assim como o de Portugal Continental e Insular, chamavam imediatamente a atenção pelo seu tamanho e pelos pormenores que continham.

Mas havia outro objeto que também chamava a atenção… embora pelos piores motivos: a palmatória.

Para quem não sabe, era uma peça circular de madeira, com um cabo e cinco furos, daí o seu nome popular. Era utilizada para dar as famosas “palmatoadas” nas mãos dos alunos que erravam respostas ou se portavam mal. Muitas vezes ficava à vista, em cima da mesa, como uma espécie de aviso permanente: ali, era para cumprir as regras!

A entrada na sala de aula fazia-se em silêncio e com respeito. Só nos sentávamos quando a professora desse autorização. Não era permitido falar e, para pedir autorização para fazê-lo, levantava-se o dedo.

Até um simples olhar para trás ou para o lado podia ser considerado uma falta de respeito.

A disciplina era por demais evidente. Quem não respeitasse as regras impostas podia ficar de castigo, virado para a parede, usar umas “orelhas de burro” ou levar umas boas reguadas.

A tabuada, por exemplo, tinha de estar na ponta da língua. Errar significava, muitas vezes, sentir a régua na palma da mão.

Os castigos variavam de escola para escola e de professor para professor. Eu, pessoalmente, só tenho a dizer bem da minha professora, Dona Rosa, e poucos castigos me recordo de ter recebido. Mas outros amigos meus, noutras escolas, contam histórias bem diferentes e lembram-se de muitas vezes terem sido castigados.

Também era obrigatório o caderno de duas linhas, que servia para aperfeiçoarmos a letra. E, nessa questão, reconheço que era uma verdadeira mais-valia: obrigava-nos a escrever com cuidado e ajudava-nos a melhorar a caligrafia.

Mas não era apenas a tabuada que tínhamos de decorar.

Havia os rios e os seus afluentes, as serras, os caminhos de ferro, as capitais de distrito… tudo tinha de ser aprendido e, muitas vezes, repetido sem pestanejar.

E as idas ao quadro?

Essas eram capazes de nos fazer entrar em pânico!

Sabíamos que não podíamos falhar. Quanto muito, tínhamos de errar o mínimo possível. E, enquanto procurávamos a resposta certa, a régua parecia estar ali mesmo ao nosso lado… quase como se estivesse a sorrir para nós.

E se Portugal Continental já nos dava muito que estudar, imagine-se quando entrava em cena o então chamado Império Colonial Português.

Aprendíamos uma visão do território português que ia muito para além do continente, incluindo Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau e Timor. Memorizávamos rios, portos, climas e produções, como o café e o algodão.

Havia, porém, coisas de que eu gostava particularmente: as gravuras que ilustravam os textos e as lições que ainda hoje permanecem na nossa memória.

Quem não se lembra de “O Regresso do Ceifeiro”, “A Lenda do Milagre das Rosas”, “Barca à Vela” ou “O Velho, o Rapaz e o Burro”?

Bastava abrir aqueles livros para regressarmos imediatamente a outros tempos.

Nos recreios, os rapazes jogavam à bola, brincavam às apanhadas e inventavam os seus próprios divertimentos.

Não havia telemóveis, tablets, computadores ou videojogos.

Havia uma bola, um espaço para correr e, acima de tudo, imaginação.

No fim das aulas, lá íamos, em grupo ou sozinhos, de regresso a casa. Muitas vezes pelo caminho da brincadeira, debaixo de chuva ou de sol.

Havia colegas que percorriam quilómetros a pé para chegar à escola. Outros, depois das aulas, ainda tinham de ajudar os pais nos campos.

Era assim a escola dos meus tempos de menino.

Uma escola de regras, de disciplina, de dificuldades e de algumas durezas que hoje nos parecem tão distantes.

Mas, no meio de tantas adversidades, também encontrávamos tempo para sermos felizes.

Talvez porque éramos crianças.

Talvez porque precisávamos de muito pouco para sorrir.

Ou talvez porque, quando olhamos para trás, percebemos que algumas das melhores recordações da nossa vida nasceram precisamente nesses tempos simples.

Há memórias que o tempo não consegue apagar.

 Bom dia para todos nós🍀



Muito obrigado pela vossa visita

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