NÃO SE ADIA O INADIÁVEL


Não se deve adiar aquilo que nos faz bem, aquilo que nos traz paz e nos ajuda a viver melhor.

Há coisas que não podem ficar para amanhã. Se hoje sentimos que precisamos de mudar, de recomeçar, de cuidar mais de nós, de afastar o que nos faz mal ou simplesmente de fazer aquilo que nos dá felicidade, então é hoje o dia de começar.

Não podemos viver eternamente preocupados com aquilo que os outros vão pensar ou dizer. Afinal, a vida que vivemos é nossa, as escolhas são nossas e somos nós que teremos de conviver com elas.

Não deixes para amanhã o abraço que queres dar, o sonho que queres realizar, a palavra que precisas de dizer ou a mudança que sabes que tens de fazer.

A vida passa depressa demais para ser vivida em função da opinião dos outros.

Não esperes pelo momento perfeito. Faz hoje aquilo que pode tornar o teu amanhã melhor.

Porque há momentos em que adiar é apenas perder tempo… e há decisões que, mais cedo ou mais tarde, teremos mesmo de tomar.

Não se adia o inadiável. Vive, cuida de ti, acredita em ti e, acima de tudo, não tenhas medo de escolher aquilo que te faz bem.

Bom domingo para todos nós! 🍀



A ESCOLA NOS TEMPOS DO ESTADO NOVO


Entrar numa sala de aulas dos tempos do Estado Novo era quase como entrar numa aventura do Harry Potter… só que, naquele tempo, a magia era outra e as regras eram muito mais apertadas.

As velhinhas carteiras de madeira, os mapas estrategicamente colocados no fundo das paredes, o velho quadro de ardósia, o crucifixo, as fotografias do Presidente do Conselho e a secretária da professora, com os seus apetrechos em cima — entre os quais a famosa régua — faziam parte daquele cenário que ficou gravado na memória de muitos de nós.

Os grandes mapas de Angola e Moçambique, assim como o de Portugal Continental e Insular, chamavam imediatamente a atenção pelo seu tamanho e pelos pormenores que continham.

Mas havia outro objeto que também chamava a atenção… embora pelos piores motivos: a palmatória.

Para quem não sabe, era uma peça circular de madeira, com um cabo e cinco furos, daí o seu nome popular. Era utilizada para dar as famosas “palmatoadas” nas mãos dos alunos que erravam respostas ou se portavam mal. Muitas vezes ficava à vista, em cima da mesa, como uma espécie de aviso permanente: ali, era para cumprir as regras!

A entrada na sala de aula fazia-se em silêncio e com respeito. Só nos sentávamos quando a professora desse autorização. Não era permitido falar e, para pedir autorização para fazê-lo, levantava-se o dedo.

Até um simples olhar para trás ou para o lado podia ser considerado uma falta de respeito.

A disciplina era por demais evidente. Quem não respeitasse as regras impostas podia ficar de castigo, virado para a parede, usar umas “orelhas de burro” ou levar umas boas reguadas.

A tabuada, por exemplo, tinha de estar na ponta da língua. Errar significava, muitas vezes, sentir a régua na palma da mão.

Os castigos variavam de escola para escola e de professor para professor. Eu, pessoalmente, só tenho a dizer bem da minha professora, Dona Rosa, e poucos castigos me recordo de ter recebido. Mas outros amigos meus, noutras escolas, contam histórias bem diferentes e lembram-se de muitas vezes terem sido castigados.

Também era obrigatório o caderno de duas linhas, que servia para aperfeiçoarmos a letra. E, nessa questão, reconheço que era uma verdadeira mais-valia: obrigava-nos a escrever com cuidado e ajudava-nos a melhorar a caligrafia.

Mas não era apenas a tabuada que tínhamos de decorar.

Havia os rios e os seus afluentes, as serras, os caminhos de ferro, as capitais de distrito… tudo tinha de ser aprendido e, muitas vezes, repetido sem pestanejar.

E as idas ao quadro?

Essas eram capazes de nos fazer entrar em pânico!

Sabíamos que não podíamos falhar. Quanto muito, tínhamos de errar o mínimo possível. E, enquanto procurávamos a resposta certa, a régua parecia estar ali mesmo ao nosso lado… quase como se estivesse a sorrir para nós.

E se Portugal Continental já nos dava muito que estudar, imagine-se quando entrava em cena o então chamado Império Colonial Português.

Aprendíamos uma visão do território português que ia muito para além do continente, incluindo Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau e Timor. Memorizávamos rios, portos, climas e produções, como o café e o algodão.

Havia, porém, coisas de que eu gostava particularmente: as gravuras que ilustravam os textos e as lições que ainda hoje permanecem na nossa memória.

Quem não se lembra de “O Regresso do Ceifeiro”, “A Lenda do Milagre das Rosas”, “Barca à Vela” ou “O Velho, o Rapaz e o Burro”?

Bastava abrir aqueles livros para regressarmos imediatamente a outros tempos.

Nos recreios, os rapazes jogavam à bola, brincavam às apanhadas e inventavam os seus próprios divertimentos.

Não havia telemóveis, tablets, computadores ou videojogos.

Havia uma bola, um espaço para correr e, acima de tudo, imaginação.

No fim das aulas, lá íamos, em grupo ou sozinhos, de regresso a casa. Muitas vezes pelo caminho da brincadeira, debaixo de chuva ou de sol.

Havia colegas que percorriam quilómetros a pé para chegar à escola. Outros, depois das aulas, ainda tinham de ajudar os pais nos campos.

Era assim a escola dos meus tempos de menino.

Uma escola de regras, de disciplina, de dificuldades e de algumas durezas que hoje nos parecem tão distantes.

Mas, no meio de tantas adversidades, também encontrávamos tempo para sermos felizes.

Talvez porque éramos crianças.

Talvez porque precisávamos de muito pouco para sorrir.

Ou talvez porque, quando olhamos para trás, percebemos que algumas das melhores recordações da nossa vida nasceram precisamente nesses tempos simples.

Há memórias que o tempo não consegue apagar.

 Bom dia para todos nós🍀



🍂MAIS FÁCIL CAIR DO QUE LEVANTAR

Ninguém nasce ensinado. É com os tropeços da vida, com os erros e até com as desilusões que vamos aprendendo.

Cair faz parte da vida, mas levantar é uma escolha.
Por vezes, parece mais fácil ficar no chão, deixar que o desânimo tome conta de nós e desistir. Mas é precisamente nesses momentos que descobrimos a força que existe dentro de nós.

Cada queda traz uma lição, cada dificuldade deixa uma marca e cada recomeço ensina-nos a caminhar com mais sabedoria.

Porque a vida não exige que sejamos perfeitos… exige apenas que não deixemos de tentar.
 
É mais fácil cair do que levantar, mas desistir nunca!

Bom dia para todos nós 🍀



🍂ALTERAÇÕES NA VIDA DA GENTE

O tempo é como a alma da gente: hoje pode chover, amanhã pode nascer o sol.

Também a nossa vida é assim. Há dias de alegria e dias de tristeza, momentos em que tudo parece correr bem e outros em que precisamos de encontrar forças para continuar.

Nada é permanente. Tudo muda.

Depois da chuva vem sempre o sol, depois dos dias cinzentos chegam novas manhãs e, muitas vezes, aquilo que hoje parece um problema amanhã será apenas mais uma recordação.

Por isso, não devemos perder a esperança quando a vida nos apresenta dias difíceis.

Aceitar as mudanças, aprender com elas e continuar a caminhar é também uma forma de viver. 

Afinal, tal como o tempo, a vida também muda de um momento para o outro.
Que hoje seja um daqueles dias em que o sol aparece, nem que seja apenas dentro de nós. 

Bom dia para todos nós! 🍀



🌿A IDADE NÃO É DESCULPA PARA PARAR!

A idade não significa que devemos cruzar os braços, sentarmo-nos num sofá da sala a partilhar publicações nas redes sociais ou a passar horas seguidas a ver televisão.
Se fizermos sempre a vontade ao corpo, estamos arrumados! 😀

Por isso, há que mexer, andar, caminhar, correr… como quiserem. Cada um ao seu ritmo, dentro das suas possibilidades, mas nunca deixando o corpo e a mente cair na inércia.
Este ano, durante as férias, fiz uma pequena loucura: uma caminhada desde a minha casa, no Teixoso, até ao Estádio José Santos Pinto, na Covilhã.
Nem digo a idade que tenho, para não vos assustar! 😀

Outra dica importante: fumar faz mal à saúde e também à carteira. Este é mesmo um hábito que devemos evitar.
Quanto às bebidas alcoólicas, tudo com moderação. O consumo excessivo pode potenciar situações muito desagradáveis, para além dos problemas de saúde que lhe estão associados.
Uma coisa que passei a fazer foi beber um copo de água em jejum, um hábito que me foi aconselhado por médicos, com o objetivo de ajudar a repor os líquidos que o nosso organismo perde durante o período noturno.
Deitar e acordar, sempre que possível, à mesma hora também pode contribuir para uma boa rotina de sono. Hoje em dia, por questões profissionais, deito-me por volta das 22h30 e levanto-me pelas 05h30.
Nunca é tarde para começarmos a criar hábitos saudáveis!
Eu próprio já tive muitos excessos. Fumei, bebi, fiz noitadas… e estou perfeitamente à vontade para falar sobre todos esses temas, porque também já passei por eles.
Foi precisamente por isso que decidi mudar, seguir uma vida mais saudável e partilhar esta experiência com quem me acompanha.
E volto a repetir:
NUNCA É TARDE!
Aos 50, aos 60, aos 70, aos 80, aos 90… e por aí fora.
A idade não tem de ser uma barreira.
Se não puderes correr, anda.
Se não puderes andar, mexe-te como conseguires.
Se estiveres sentado, mexe os dedos dos pés.
Se estiveres deitado, podes fazer a “bicicleta” com as pernas.
O importante é não ficar completamente inerte.
E não devemos esquecer a cabeça. Também ela precisa de exercício!
Faz palavras cruzadas, puzzles ou jogos que puxem pela memória e pelo raciocínio. Lê, escreve, aprende coisas novas. Brinca como brincavas quando eras criança.
Mantém a cabeça ocupada, nem que seja a fazer uma story para o Face!

Porque há uma coisa que aprendi:
Envelhecer é inevitável. Parar de viver é uma escolha.
Acreditem que somos capazes. 💪

Criem hábitos saudáveis, mexam o corpo, exercitem a mente e, acima de tudo, não deixem que a idade vos convença de que já não vale a pena.
Vale sempre a pena!
Acreditar que somos capazes é meio caminho andado para a vida nos sorrir. 😊

Bom dia para todos nós! 🍀
Boas entradas no Outono 🍂



🌿MEMÓRIAS DO PASSADO E OS VALORES DE HOJE

Ter memórias do passado não significa que não se ande de braço dado com o presente. Eu, que até sou um adepto de tudo o que é novo e vai aparecendo, sei bem disso.
Ter memórias do passado é recordar um pouco de nós que ficou lá atrás. Umas são melhores, outras piores, mas, de uma maneira ou de outra, fica sempre uma ponta de saudade.
Já li muitos disparates quando se recorre às memórias para descrever o tempo passado. Um dos mais comuns é: “Têm saudades da pobreza?”
Não tem comparação. Aliás, pobreza existiu ontem e existe hoje. E pobreza de espírito… nem se fala.
Claro que hoje existem mais mordomias e a vida pode proporcionar-nos mais conforto e alguns luxos. Mas outra interrogação se levanta: como estamos nós de valores?
Há 30 ou 40 anos, vivíamos com aquilo que tínhamos. Não existiam telemóveis, computadores, e-mails, ar condicionado, micro-ondas… e nem sequer existia o VAR no futebol. 😊

A verdade é que ninguém inveja aquilo que não conhece. Tal como hoje, daqui a uns anos existirão certamente outras coisas que não temos atualmente, e que passarão a fazer parte do nosso quotidiano.
Cada década teve os seus momentos de felicidade. Fui feliz na infância, fui feliz na adolescência e, claro, também tive desilusões e tristezas, como qualquer ser humano.

Mas não, não era só pobreza.
Já existiam ricos, remediados, pobres e muito pobres, tal e qual como acontece hoje. A diferença é que cada época tinha a sua maneira de viver, os seus hábitos, as suas dificuldades e também as suas alegrias.

Hoje vivemos, sem dúvida, com mais qualidade de vida e com muito mais conforto. Mas também se perdeu muito daquilo que fazia parte das relações humanas: o respeito pelo outro, a amizade genuína, as conversas de café, os serões à porta de casa e aquela proximidade entre vizinhos e amigos que hoje, tantas vezes, parece ter desaparecido.

Meus amigos, ninguém tem saudades da pobreza. Mas olhem que a pobreza ainda hoje anda por aí, muitas vezes escondida atrás de portas que ninguém abre e de sorrisos que escondem muitas dificuldades.

Temos, por vezes, a mania de criticar de “barriga cheia”. Se antes existia pobreza, também é verdade que a muitos nunca faltava comida na mesa, porque havia pais que faziam das tripas coração para que nada faltasse aos filhos, nem que para isso eles próprios tivessem de ficar sem comer.

E hoje? Hoje também existem filhos com fome, por este ou por aquele motivo.
Por isso, talvez seja altura de olharmos menos para aquilo que temos e mais para aquilo que somos.

Sejamos mais humanos, mais amigos e, acima de tudo, tentemos incutir nas novas gerações aqueles que deveriam ser os principais valores da nossa sociedade: respeito, honestidade, empatia, solidariedade, justiça, amor e compaixão.

Porque podemos evoluir muito em tecnologia, ter mais conforto e viver rodeados de coisas que os nossos pais e avós nunca imaginaram… mas, se perdermos os valores que nos tornam humanos, teremos evoluído assim tanto?

Boa noite para todos nós 🍀



PODIA SER A PÁGINA DE UM DIÁRIO DOS ANOS 70

20 de setembro era o dia em que a minha mãe fazia anos. Deus a guarde no Céu.

20 de setembro era também um dia de muita felicidade, quando, ainda menino, corria pelo Jardim Público e percorria as ruas da cidade até chegar à piscina municipal.

20 de setembro ficou ainda marcado na minha memória por, no longínquo ano de 1978, ter pedido uma rapariga em namoro.

Mas este 20 de setembro ficará, para sempre, associado a uma notícia muito triste.

Esta sexta-feira recebi a notícia da partida para outra dimensão do meu melhor amigo de infância, o Francisco.

É mais uma parte de mim que se desmorona.

Passámos juntos momentos de aventura, brincadeiras sem fim, correrias, gargalhadas e tantos daqueles momentos que só a infância consegue proporcionar. Hoje, tudo isso permanece guardado num lugar muito especial: a memória.

E é aí que continuarás a viver, meu amigo.

Espera por mim, Chico, para um dia continuarmos as nossas brincadeiras, as nossas aventuras e aquelas gargalhadas que pareciam não ter fim.

A vida é mesmo assim… vai levando pessoas, vai fechando portas e deixando para trás pedaços da nossa história.

O verão prepara-se para as despedidas. Mais uma estação está prestes a começar.

O outono da vida.

Que esta nova estação seja repleta de coisas boas, de paz, de saúde e, sobretudo, de boas memórias.

Um abraço.



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...