QUANDO UM DIA DE SOL BASTAVA PARA SER FELIZ

Houve um tempo em que bastava abrir a janela e ver o sol para saber que o dia ia ser bom.

Não existiam avisos amarelos, laranjas ou vermelhos. Não havia aplicações meteorológicas a dizer-nos se podíamos ou não sair de casa. Existiam apenas dias bons e dias maus. E, quando o sol aparecia, ninguém precisava de mais explicações.

Saíamos para a rua sem relógios nem telemóveis. O Jardim Público era um dos nossos reinos e qualquer pedaço de terreno servia para uma partida de futebol. Fosse no Campo das Festas, no Largo do Calvário ou noutro qualquer canto da cidade, lá estávamos nós, felizes, a correr atrás de uma bola, sem medo de rasgar as calças ou esfolar os joelhos.

Quando chegava o calor, pegávamos numa toalha, metíamo-la debaixo do braço e seguíamos a pé para a piscina dos Penedos Altos. Parecia uma aventura. Muitas vezes levávamos apenas duas sandes feitas em casa, mas sentíamo-nos donos do mundo. Passávamos ali o dia inteiro, entre mergulhos, gargalhadas e amizades que pareciam eternas.

Nas férias de Verão, em grupo, fazíamos o caminho para as Penhas da Saúde pelos atalhos que os mais velhos nos tinham ensinado. Hoje talvez pareça impensável, mas naquela altura a liberdade era o nosso maior património. Caminhávamos quilómetros sem nos queixarmos, porque o destino era sempre uma recompensa.

E depois veio a adolescência.

As tardes passadas na esplanada do Café MONTALTO tinham um encanto especial. Entre conversas, sonhos e uma imperial fresca, observávamos os gestos quase coreografados do polícia sinaleiro a orientar o trânsito à volta da placa. Parecia fazer parte da paisagem da cidade, como se sempre lá tivesse estado.

O Teatro Cine exibia os seus cartazes semanais, despertando curiosidades e conversas, enquanto a Tabacaria Hermínios era paragem obrigatória para quem queria comprar o jornal e saber das novidades.

Hoje temos mais tecnologia, mais informação e mais conforto. Sabemos a temperatura ao minuto, recebemos alertas para tudo e temos o mundo inteiro dentro de um telemóvel.

Mas, às vezes, dou por mim a pensar que éramos mais ricos quando tínhamos menos.

Porque houve um tempo em que um simples dia de sol bastava para nos fazer felizes.

E talvez essa tenha sido a maior riqueza de todas.

Bom dia para todos nós 🍀



DIA DE PORTUGAL E DIA DA MINHA RENOVAÇÃO PESSOAL

 Bom dia caros seguidores: 

 Hoje é dia 10 de Junho, dia de Portugal, dia de Camões e dia das Comunidades Portuguesas, mas o dia 10 também é de extrema importância para mim, por ser o dia do começo da minha Renovação Pessoal. 

 Cada dia 9 recorda-me o dia que parei de fumar, já lá vão 14 anos, 5 meses e 1 dia. Cada dia 10 recorda-me o dia que parei de beber bebidas alcoólicas e já lá vão 2 anos e 4 meses. 

 A partir do dia 10 de Fevereiro de 2024 começou a minha renovação pessoal e o meu próprio rejuvenescimento interior. Sei que muita coisa ainda me espera,  mas  o mais importante será viver um dia de cada vez, sempre na procura do melhor e rodear-me com tudo o que me faz bem. 

 Paz, muita paz interior e tudo o resto virá por acréscimo. 

 Grande abraço. 




OS SINALEIROS DA COVILHÃ – GUARDIÕES DAS NOSSAS MEMÓRIAS

Há profissões que desapareceram das ruas, mas que continuam vivas na memória de quem teve o privilégio de as conhecer. Os sinaleiros são uma delas.

Antes dos semáforos dominarem os cruzamentos e ditarem o ritmo da circulação, eram homens de farda, de braços erguidos e olhar atento, que organizavam o trânsito e garantiam a segurança de todos. Eram figuras respeitadas, quase tão familiares para os covilhanenses como os vizinhos da porta ao lado.

Ainda hoje recordo os sinaleiros que desempenhavam a sua missão em vários pontos da cidade. Na Rua Comendador Campos Melo, em frente à loja do saudoso Sr. Raul Paiva, estava um deles, sempre vigilante no seu pedestal. Outro encontrava-se entre o MONTIEL e a antiga Farmácia Pedroso, coordenando o movimento incessante de veículos e peões. Havia também o sinaleiro em frente ao Café MONTALTO, e aquele que marcava presença no Largo de São João de Malta.

Curiosamente, apenas não cheguei a conhecer o que desempenhava funções no cruzamento entre a Rua Marquês d'Ávila e Bolama e a Rua Visconde da Coriscada. Talvez tenha pertencido a uma época ligeiramente anterior à minha memória.
A foto que ilustra este texto é de um sinaleiro a controlar o trânsito, precisamente nessa rua.

Naqueles tempos, as pessoas respeitavam profundamente os sinaleiros. Bastava um gesto do braço para que automóveis, camionetas e peões obedecessem sem hesitação. E que gestos eram aqueles! Alguns executavam os movimentos com uma elegância quase militar; outros tinham maneiras tão particulares e expressivas que acabavam por se tornar figuras carismáticas da cidade. Havia até quem observasse os seus movimentos com um sorriso, como se assistisse diariamente a uma pequena representação teatral ao ar livre.

Ao final da tarde, quando o movimento diminuía e o dia se aproximava do fim, os sinaleiros abandonavam os seus pedestais. Desciam do palco onde, durante horas, tinham dirigido a vida da cidade, e recolhiam à esquadra na Rua António Augusto de Aguiar. Era o fim de mais um dia de serviço, cumprido com dedicação e sentido de responsabilidade.

Hoje, os semáforos fazem o trabalho que outrora lhes pertencia. São mais modernos, mais eficientes e nunca se cansam. Mas não sorriem, não cumprimentam, não têm histórias para contar nem deixam memórias.

Os sinaleiros desapareceram das ruas da Covilhã, mas permanecem vivos na lembrança daqueles que os viram trabalhar. Porque algumas pessoas não ficam apenas na História de uma cidade; ficam também guardadas no coração de quem a viveu.

A todos os sinaleiros da Covilhã, e de Portugal, deixo a minha sentida homenagem. Homens que, com dedicação, disciplina e um profundo sentido de serviço público, fizeram parte do quotidiano das nossas cidades e das nossas vidas. Muitos já partiram, outros permanecem apenas nas nossas recordações, mas todos merecem ser lembrados pelo importante papel que desempenharam numa época que jamais será esquecida.

Bom feriado para todos nós 🍀



O NOSSO TEMPO

Não existe mais o " no nosso tempo" nem "no meu tempo".

O nosso tempo é todo o caminho que percorremos desde o dia em que nascemos até ao dia em que partimos.

Enquanto respiramos, enquanto sentimos, enquanto amamos, sonhamos e construímos memórias, esse continua a ser o nosso tempo.

Só quando chega o momento da despedida é que o "nosso tempo" deixa de nos pertencer e passa a ser apenas uma recordação na memória daqueles que ficam.

Por isso, talvez não faça sentido viver preso ao passado ou à espera do futuro.

Porque o nosso tempo é agora.

E cada dia que amanhece faz parte dele.

Bom dia para todos nós 🍀



A VIDA NÃO AVISA

Passamos grande parte da vida a fazer planos.

Planeamos o próximo fim de semana, as próximas férias, o próximo Natal, o próximo verão. Dizemos muitas vezes: "Depois telefono", "Depois passo por lá", "Depois combinamos um café".

Mas a verdade é que a vida nem sempre espera pelo nosso "depois".

Num instante, tudo pode mudar.

Hoje estamos a conversar com alguém, amanhã resta apenas a saudade dessa conversa.
Hoje recebemos um abraço, amanhã daríamos tudo para o voltar a sentir.
Hoje ouvimos uma voz familiar, amanhã procuramo-la na memória.

A vida é bela, mas também é frágil.

Não avisa quando vai mudar.
Não marca hora para partir.
Não pede licença para levar quem amamos.
Não nos dá a oportunidade de voltar atrás para dizer aquilo que ficou por dizer.

E talvez seja por isso que devíamos viver de forma diferente.

Abraçar mais.
Perdoar mais.
Agradecer mais.
Visitar mais.
Amar mais.

Porque acumulamos tantas coisas materiais durante uma vida inteira e, no final, aquilo que realmente fica são os momentos, os afetos e as pessoas que tocaram o nosso coração.

Muitas vezes andamos zangados por coisas sem importância, alimentamos orgulhos inúteis e adiamos gestos simples que poderiam fazer toda a diferença.

A vida ensina-nos, quase sempre tarde demais, que o mais valioso nunca foi o dinheiro, os bens ou as aparências.

O mais valioso são as pessoas.

Por isso, se amas alguém, diz-lhe.
Se tens saudades, procura.
Se tens de pedir desculpa, pede.
Se tens de agradecer, agradece.

Não porque o mundo vá acabar amanhã.

Mas porque ninguém sabe se terá a oportunidade de o fazer amanhã.

E há uma pergunta que devia acompanhar-nos todos os dias:

E se este fosse o último abraço?
E se esta fosse a última conversa?
E se amanhã eu já não estivesse aqui... ou tu já não estivesses para me ouvir?

Vive.
Ama.
Perdoa.
Agradece.

Porque a vida é um sopro... e o tempo que temos com quem amamos é o bem mais precioso que alguma vez possuiremos.

Bom dia para todos nós 🍀



A FALTA DE EMPATIA ATRÁS DE UM ECRÃ

 🍒Ao longo dos anos administrei alguns dos grupos mais conceituados da Covilhã. Fi-lo com dedicação, respeito e com a convicção de que as redes sociais poderiam ser um espaço de partilha, amizade e união entre pessoas que têm algo em comum: o amor pela sua terra.

Infelizmente, com o passar do tempo, fui percebendo uma realidade que me deixou profundamente desiludido.

Muitas pessoas transformaram as redes sociais num palco de críticas, ofensas e ataques gratuitos. Atrás de um ecrã, escondidas pelo conforto da distância, dizem aquilo que dificilmente teriam coragem de dizer frente a frente. A empatia, o respeito e a educação parecem, por vezes, ter ficado pelo caminho.

Vivemos numa época em que se comenta antes de compreender, se julga antes de conhecer e se ataca apenas porque alguém pensa de forma diferente. E isso entristece-me.

Foi precisamente essa falta de humanidade que me levou a afastar-me da administração de grupos que tanto significaram para mim. Não por falta de vontade, mas porque chegou o momento de perceber que a paz interior vale mais do que qualquer número de seguidores, gostos ou comentários.

Na vida, tal como nas redes sociais, aprendi a bloquear, a afastar e a deixar de seguir tudo aquilo que não me acrescenta nada de positivo. Não se trata de arrogância nem de intolerância. Trata-se de proteger a nossa tranquilidade, a nossa saúde emocional e o nosso bem-estar.

Por isso, deixo também um conselho aos meus amigos e amigas: não tenham receio de se afastar de quem vos faz mal. Aproximem-se de quem vos respeita, vos apoia, vos valoriza e vos estende a mão nos momentos difíceis.

A vida já tem desafios suficientes para ainda carregarmos o peso da negatividade dos outros.

Escolham estar perto de pessoas verdadeiras. Pessoas que vos façam sorrir, crescer e acreditar. Pessoas que se alegram genuinamente com as vossas conquistas e que permanecem ao vosso lado quando as coisas não correm bem.

Porque no final de tudo, não são os números que contam. Não são os seguidores, nem as reações, nem os comentários.

O que realmente importa são as pessoas que nos fazem sentir bem, que nos respeitam como somos e que tornam o nosso caminho mais leve.

Essas sim, merecem permanecer na nossa vida.

Bom domingo para todos nós 🍀



O CAMPO DAS FESTAS

Há lugares que não são apenas espaços. São pedaços da nossa vida.

Para muitos covilhanenses, o Campo das Festas foi muito mais do que um terreno amplo no coração da cidade. Foi um palco de sonhos, de encontros, de emoções e de memórias que o tempo não conseguiu apagar.

Quem viveu aqueles tempos lembra-se bem da grandiosidade da Feira de São Tiago. Durante dias, aquele espaço transformava-se numa verdadeira cidade dentro da cidade. Chegava gente de todo o país, de comboio, de autocarro ou em viatura própria. Havia movimento por todo o lado, vozes, música, vendedores, compradores, luzes e animação até perder de vista.

E depois vinham os circos...

 Para nós, miúdos, a chegada de um circo era um acontecimento mágico. Ficávamos fascinados ao ver os enormes camiões, as tendas gigantes a erguerem-se e os animais que só conhecíamos dos livros ou da televisão. Leões, tigres, elefantes... Parecia que o mundo inteiro tinha vindo parar à Covilhã.

E quantos de nós não aproveitámos uma distração dos porteiros para passar por baixo da lona e espreitar o espetáculo? 

O Campo das Festas era também o nosso estádio improvisado. Jogávamos à bola durante horas, sem relógios, sem telemóveis e sem preocupações. O único problema era quando alguém rematava a bola para os lados da Avenida Frei Heitor Pinto. Aí começava outra aventura: descer aquela encosta para a recuperar. E nem todos tinham coragem para isso!

Também foi durante muitos anos o local onde estacionavam dezenas de autocarros vindos de todos os cantos do país. Os turistas passavam a noite na cidade e, ao nascer do dia, seguiam rumo à Serra da Estrela para ver a neve. A Covilhã respirava turismo, vida e movimento.

Hoje, quando passo por lá, sinto uma mistura de saudade e tristeza.

O Campo das Festas já não tem o brilho de outros tempos. O espaço continua lá, mas a magia parece ter desaparecido. As gargalhadas, os espetáculos, os jogos de futebol improvisados e a azáfama das grandes feiras vivem agora apenas na memória de quem teve a sorte de os viver.

Talvez os mais novos nunca consigam imaginar o que aquele lugar representou para várias gerações.

Por isso, merecia pelo menos uma placa, um monumento ou um simples sinal que contasse a sua história.

Porque há lugares que fazem parte da identidade de uma cidade.

E o Campo das Festas foi, sem dúvida, um deles.
💗Honra lhe seja feita.

Feliz sábado para todos nós 🍀



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...