Hoje, gostava de deixar duas notas a todos aqueles que acompanham e leem as minhas publicações.
Em primeiro lugar, quero agradecer-vos o carinho. Já fui abordado na rua por algumas pessoas que me felicitam pelos textos e que, com toda a naturalidade, me perguntam por que razão não escrevo um livro. Confesso que fico muito sensibilizado com esses gestos. Por isso, se me reconhecerem na rua, falem comigo! Terei todo o gosto em retribuir a vossa simpatia. Afinal, o que de melhor pode acontecer a quem escreve é sentir que as suas palavras chegam ao coração de alguém.
Quanto à possibilidade de escrever um livro, a verdade é que não é uma prioridade na minha vida.
Aliás, nem sequer me considero escritor. Gosto de escrever, de pegar em recordações, pensamentos e pequenas histórias, passar tudo isso para o computador e dar-lhes vida através das palavras. São, como costumo dizer, uns rabiscos que nascem do coração. Mas, para mim, há uma grande distância entre gostar de escrever e considerar-me escritor.
Na minha maneira de ver, um bom escritor é aquele cuja obra desperta o interesse dos leitores, que procuram os seus livros, os leem e os recomendam, independentemente de estarem em qualquer parte do país ou do mundo.
Editar um livro para vender meia dúzia de exemplares e, depois, ter de andar de evento em evento para tentar recuperar o investimento não é, sinceramente, aquilo que procuro. Prefiro continuar a partilhar os meus textos por aqui e no meu blogue, chegando diariamente a quem tem a paciência e a gentileza de me ler.
Se um dia surgir alguém interessado em publicar algum do meu trabalho por acreditar que merece ser partilhado em livro, então, sim, poderemos conversar. Depois, logo se verá!
Para já, tenho aquilo de que preciso: gosto de escrever e sinto prazer em partilhar o que me vai na alma. E, enquanto houver alguém disposto a ler-me, haverá sempre uma boa razão para continuar.
A segunda nota prende-se com algo que também me dizem algumas vezes: que deveria ser mais crítico em relação à nossa cidade.
Meus amigos e minhas amigas, cada pessoa tem a sua maneira de olhar para o mundo e de usar as palavras. Eu gosto de escrever sobre memórias, sobre pessoas, sobre lugares e sobre tudo aquilo que faz parte da nossa identidade. Gosto de recordar uma Covilhã que muitos viveram e que outros apenas conheceram através das histórias dos pais e dos avós.
As críticas à gestão da cidade deixo-as, sobretudo, para quem nos representa nos órgãos autárquicos e para os espaços onde esse debate deve acontecer. Naturalmente, também faço os meus comentários nos grupos da cidade, porque tenho opiniões e não sou indiferente ao que acontece à minha volta. Simplesmente, não é a crítica que me move quando me sento para escrever os meus textos.
Quando era administrador de grupos, mantinha contacto com administradores de outras cidades e depressa percebi que as preocupações eram muito semelhantes. Não pensem, por isso, que as críticas à gestão autárquica acontecem apenas na Covilhã. Elas existem por todo o lado.
E ainda bem que assim é!
Uma sociedade saudável precisa de cidadãos atentos, com liberdade para questionar, discordar e exigir melhores decisões. Mal seria se vivêssemos num mundo em que a crítica fosse censurada e as pessoas tivessem medo de dizer aquilo que pensam. Criticar, quando se faz com respeito e sentido de responsabilidade, também é uma forma de participar e de querer o melhor para a nossa terra.
Mas cada um de nós tem o seu caminho, a sua maneira de pensar e a sua forma de contribuir. Eu escolhi fazê-lo, sobretudo, através das palavras, das memórias e das histórias que gosto de partilhar convosco.
E, por falar em histórias, tenho novidades!
Vou retomar os contos «Uma Aventura», protagonizados pelos seis amigos aventureiros covilhanenses. Amanhã, vou dedicar-me a escrever a aventura completa «Nas Portas do Sol», para depois dar início a uma nova história, intitulada «Uma Aventura na Estação».
Espero que continuem a acompanhar estes seis amigos e que se deixem levar pela imaginação, pela aventura e por aquele gosto especial de descobrir o que vem a seguir. Afinal, também é para isso que escrevo: para recordar, imaginar e, quem sabe, despertar em cada um de vós uma emoção ou um sorriso.
E termino com uma frase de que gosto particularmente, porque encerra uma grande verdade sobre a vida:
«Estou em construção, mas já estive em demolição.»
Gosto desta frase porque nos lembra que ninguém está verdadeiramente acabado. Todos temos partes de nós que ainda precisam de ser reconstruídas, sonhos que ficaram pelo caminho e feridas que o tempo vai ajudando a sarar.
Há momentos em que a vida nos deita abaixo, em que perdemos o rumo e julgamos que já não temos forças para recomeçar. Mas é precisamente nesses momentos que descobrimos do que somos feitos.
Reconstruir leva tempo. Exige coragem, paciência e, acima de tudo, vontade de continuar. Nem sempre voltamos a ser quem éramos, mas podemos tornar-nos pessoas mais fortes, mais conscientes e mais capazes de dar valor ao que realmente importa.
Porque a vida não exige que sejamos perfeitos, nem que tenhamos tudo resolvido. Pede-nos apenas que não desistamos de nós próprios.
E vocês? Também sentem que, ao longo da vida, já tiveram de demolir algumas partes de vós para poderem construir uma versão melhor de quem são hoje?
Um bom dia para todos, com saúde, paz e serenidade. E obrigado, do fundo do coração, por continuarem desse lado! 🍀






