A FALTA DE EMPATIA ATRÁS DE UM ECRÃ

 🍒Ao longo dos anos administrei alguns dos grupos mais conceituados da Covilhã. Fi-lo com dedicação, respeito e com a convicção de que as redes sociais poderiam ser um espaço de partilha, amizade e união entre pessoas que têm algo em comum: o amor pela sua terra.

Infelizmente, com o passar do tempo, fui percebendo uma realidade que me deixou profundamente desiludido.

Muitas pessoas transformaram as redes sociais num palco de críticas, ofensas e ataques gratuitos. Atrás de um ecrã, escondidas pelo conforto da distância, dizem aquilo que dificilmente teriam coragem de dizer frente a frente. A empatia, o respeito e a educação parecem, por vezes, ter ficado pelo caminho.

Vivemos numa época em que se comenta antes de compreender, se julga antes de conhecer e se ataca apenas porque alguém pensa de forma diferente. E isso entristece-me.

Foi precisamente essa falta de humanidade que me levou a afastar-me da administração de grupos que tanto significaram para mim. Não por falta de vontade, mas porque chegou o momento de perceber que a paz interior vale mais do que qualquer número de seguidores, gostos ou comentários.

Na vida, tal como nas redes sociais, aprendi a bloquear, a afastar e a deixar de seguir tudo aquilo que não me acrescenta nada de positivo. Não se trata de arrogância nem de intolerância. Trata-se de proteger a nossa tranquilidade, a nossa saúde emocional e o nosso bem-estar.

Por isso, deixo também um conselho aos meus amigos e amigas: não tenham receio de se afastar de quem vos faz mal. Aproximem-se de quem vos respeita, vos apoia, vos valoriza e vos estende a mão nos momentos difíceis.

A vida já tem desafios suficientes para ainda carregarmos o peso da negatividade dos outros.

Escolham estar perto de pessoas verdadeiras. Pessoas que vos façam sorrir, crescer e acreditar. Pessoas que se alegram genuinamente com as vossas conquistas e que permanecem ao vosso lado quando as coisas não correm bem.

Porque no final de tudo, não são os números que contam. Não são os seguidores, nem as reações, nem os comentários.

O que realmente importa são as pessoas que nos fazem sentir bem, que nos respeitam como somos e que tornam o nosso caminho mais leve.

Essas sim, merecem permanecer na nossa vida.

Bom domingo para todos nós 🍀



O CAMPO DAS FESTAS

Há lugares que não são apenas espaços. São pedaços da nossa vida.

Para muitos covilhanenses, o Campo das Festas foi muito mais do que um terreno amplo no coração da cidade. Foi um palco de sonhos, de encontros, de emoções e de memórias que o tempo não conseguiu apagar.

Quem viveu aqueles tempos lembra-se bem da grandiosidade da Feira de São Tiago. Durante dias, aquele espaço transformava-se numa verdadeira cidade dentro da cidade. Chegava gente de todo o país, de comboio, de autocarro ou em viatura própria. Havia movimento por todo o lado, vozes, música, vendedores, compradores, luzes e animação até perder de vista.

E depois vinham os circos...

 Para nós, miúdos, a chegada de um circo era um acontecimento mágico. Ficávamos fascinados ao ver os enormes camiões, as tendas gigantes a erguerem-se e os animais que só conhecíamos dos livros ou da televisão. Leões, tigres, elefantes... Parecia que o mundo inteiro tinha vindo parar à Covilhã.

E quantos de nós não aproveitámos uma distração dos porteiros para passar por baixo da lona e espreitar o espetáculo? 

O Campo das Festas era também o nosso estádio improvisado. Jogávamos à bola durante horas, sem relógios, sem telemóveis e sem preocupações. O único problema era quando alguém rematava a bola para os lados da Avenida Frei Heitor Pinto. Aí começava outra aventura: descer aquela encosta para a recuperar. E nem todos tinham coragem para isso!

Também foi durante muitos anos o local onde estacionavam dezenas de autocarros vindos de todos os cantos do país. Os turistas passavam a noite na cidade e, ao nascer do dia, seguiam rumo à Serra da Estrela para ver a neve. A Covilhã respirava turismo, vida e movimento.

Hoje, quando passo por lá, sinto uma mistura de saudade e tristeza.

O Campo das Festas já não tem o brilho de outros tempos. O espaço continua lá, mas a magia parece ter desaparecido. As gargalhadas, os espetáculos, os jogos de futebol improvisados e a azáfama das grandes feiras vivem agora apenas na memória de quem teve a sorte de os viver.

Talvez os mais novos nunca consigam imaginar o que aquele lugar representou para várias gerações.

Por isso, merecia pelo menos uma placa, um monumento ou um simples sinal que contasse a sua história.

Porque há lugares que fazem parte da identidade de uma cidade.

E o Campo das Festas foi, sem dúvida, um deles.
💗Honra lhe seja feita.

Feliz sábado para todos nós 🍀



EMPATIA

🍁Pode-se imaginar na pele do outro, contudo ninguém sente a dor como o próprio, pois falar com a dor dos outros é fácil demais.

Vivemos num mundo onde abundam opiniões, conselhos e julgamentos. Muitas vezes, ao vermos alguém atravessar um momento difícil, acreditamos compreender exatamente aquilo que essa pessoa sente. Dizemos frases como "eu percebo-te" ou "sei o que estás a passar". Mas a verdade é que cada dor tem uma intensidade, uma história e uma marca que só quem a vive conhece verdadeiramente.

Podemos imaginar a tristeza de uma perda, a angústia de uma desilusão ou o peso de uma luta diária. Podemos até recordar situações semelhantes nas nossas vidas. No entanto, nunca sentiremos exatamente aquilo que o outro sente, porque ninguém carrega as mesmas memórias, os mesmos medos, as mesmas cicatrizes ou a mesma forma de encarar a vida.

Falar da dor dos outros é relativamente fácil quando a observamos de fora. Difícil é suportá-la quando ela nos bate à porta, quando nos rouba o sono, quando nos aperta o peito e nos acompanha em silêncio durante dias, meses ou até anos. É nesses momentos que percebemos como é injusto julgar e como é importante praticar a empatia.

Por isso, antes de criticar alguém pela forma como reage às dificuldades, devemos lembrar-nos de que nem todas as batalhas são visíveis. Há sorrisos que escondem lágrimas, há silêncios que escondem gritos e há pessoas que carregam pesos que jamais conseguiríamos imaginar.

A verdadeira grandeza não está em dizer que compreendemos tudo. Está em estender a mão sem julgar, em ouvir sem interromper e em respeitar uma dor que, embora possamos tentar compreender, nunca será totalmente nossa.

Porque podemos caminhar ao lado de alguém, mas só quem calça os seus sapatos conhece o caminho, os obstáculos e as feridas que ele deixou pelo percurso.

Bom dia para todos nós 🍀



A CARTA (VIA CTT)

Covilhã, Junho de 1983

Meus queridos amigos,

Passei por aqui apenas para vos dizer que este dia está quase passado.

E vocês, andam bem?

O tempo voa, não é verdade? Ainda há pouco parecia que estávamos no início do ano e agora já sentimos os dias mais longos, o calor a chegar e a alegria do Verão a bater à porta.

Por aqui já deixámos os cobertores mais pesados. As árvores começam a dar um ar da sua graça, vestem-se de verde e enchem a paisagem de vida. É bonito ver a natureza acordar para mais uma estação.

A cidade segue tranquila. As pessoas passeiam ao final da tarde, as crianças brincam na rua até mais tarde e o sol parece não ter pressa de se esconder atrás da serra.

Daqui a pouco vou ver um pouco de televisão e descansar as pernas, porque amanhã é dia de trabalho.

Mas o melhor disto tudo é que amanhã já é sexta-feira…

E só essa ideia já nos põe um sorriso no rosto.

Por hoje despeço-me.

Recebam um forte abraço e muitos beijinhos deste vosso amigo, que vos escreve da bela cidade serrana da Covilhã.

Que a vida vos sorria, que a saúde não vos falte e que nunca se perca o hábito de recordar aqueles que moram no nosso coração.

Com amizade e saudade,

Paulo

Bom dia para todos nós 🍀



UM DIA DE ESCOLA EM 1978

Acordava pelas 7h45.

Lá fora já se ouvia o barulho dos carros e dos autocarros que transportavam estudantes e operários para mais um dia de trabalho. Sem telemóveis, sem internet e sem distrações digitais, a vida começava cedo e a pé.

Saía de casa pela Rua Direita, descia as escadas do Quebra-Costas e passava por São João de Malta, onde os autocarros chegavam cheios de gente vinda das aldeias do concelho.

Era uma Covilhã diferente.
Mais lenta.
Mais simples.
Mais humana.

Ao chegar ao Liceu encontrava os colegas no átrio. Falávamos de futebol, das raparigas e dos testes que se aproximavam. Eu já sabia que Matemática e Física me iam dar dores de cabeça, mas naquela idade as preocupações duravam pouco.

Depois tocava a campainha.

O silêncio instalava-se na sala e apenas os pássaros lá fora pareciam ter autorização para falar.

 No intervalo corríamos para o refeitório, que também servia de bar. Por vezes íamos à padaria junto ao Café Primor comprar os famosos "nevões".

Quem se lembra deles sabe do que falo…

Era impossível comê-los sem ficar com a roupa cheia de açúcar e farinha. 

 As aulas sucediam-se.

Português, Matemática, Biologia…

Os professores eram exigentes, mas respeitados.

E nós, mesmo sem percebermos na altura, estávamos a aprender muito mais do que as matérias dos livros.

Aprendíamos respeito.
Aprendíamos amizade.
Aprendíamos a crescer.

 No intervalo maior, o pátio enchia-se de vida.

Ali contavam-se anedotas, trocavam-se segredos, faziam-se amizades para a vida inteira.

O Rui Paulo Fonseca já mostrava o talento que mais tarde o levaria ao teatro, à televisão e às dobragens da Disney.

Naquele recreio ninguém imaginava o futuro que cada um teria pela frente.

 A última aula parecia sempre a mais longa.

As carteiras verdes alinhadas, o quadro de ardósia, o giz branco, os funcionários atentos no corredor…

Tudo fazia parte daquele pequeno universo que era a nossa escola.

E quando finalmente tocava para a saída, arrumávamos os livros à velocidade da luz e corríamos para casa.

Esperava-nos o almoço.
Esperava-nos a família.
Esperava-nos mais uma tarde de brincadeiras.

Hoje os tempos são outros.

As escolas mudaram.
A tecnologia transformou o mundo.
Mas há algo que nunca mudou:

A saudade daqueles dias.

Dos amigos.
Dos professores.
Dos corredores.
Dos sonhos.

Porque quem viveu a escola nos anos 70 e 80 não guarda apenas recordações.

Guarda pedaços de felicidade que o tempo nunca conseguiu apagar.

Porque, no fim de contas, podemos perder os anos, os lugares e até as pessoas, mas nunca perdemos verdadeiramente os momentos que nos fizeram felizes.

Bom feriado para todos nós🍀



AOS MAIS JOVENS...

Não tenham tanta pressa de crescer.
A vida passa num instante.

Hoje querem ser adultos…
amanhã vão sentir saudades do tempo em que a maior preocupação era brincar, rir e chegar a casa antes de anoitecer.

Escutem os vossos pais, mesmo quando parece que não vos entendem.
Os “cotas” podem não saber tudo sobre o mundo moderno…
mas sabem amar-vos como ninguém.

E quando a vida apertar, falem.
Desabafar não é sinal de fraqueza — é sinal de coragem.
Guardar dores em silêncio pode destruir por dentro até o sorriso mais bonito.

Não são os copos, os charros, as noites loucas ou as aparências que vos tornam mais importantes.
O verdadeiro valor de uma pessoa está no caráter, na humildade e na forma como trata os outros.
Nunca mudem a vossa essência para serem aceites por um grupo.
Quem gostar realmente de vocês ficará pelo coração… não pela máscara.

E nunca se esqueçam desta verdade:
Pode existir muita gente que goste de vocês,
mas ninguém neste mundo terá um amor tão puro e infinito como os vossos pais.

Aproveitem a vida.
Sonhem muito.
Errem, aprendam e levantem-se sempre.

Porque o tempo voa…
e um dia vão perceber que as coisas mais valiosas da vida nunca foram as materiais, mas sim os momentos, os abraços e as pessoas que caminharam ao vosso lado.

Boa tarde para todos nós 🍀



ATITUDES

Chega uma altura da vida em que percebemos que agradar a toda a gente é impossível.
Por mais correto que sejas, haverá sempre alguém para criticar a tua maneira de pensar, agir ou sentir.

Durante muito tempo preocupamo-nos demasiado com a opinião dos outros.
Calamo-nos para evitar conflitos.
Sorrimos quando estamos magoados.
Concordamos apenas para sermos aceites.

Mas viver assim é deixar de ser nós próprios.

Hoje prefiro perder aplausos do que perder a minha essência.
Prefiro ser verdadeiro e incomodar, do que ser falso apenas para agradar.

Não tenho de pensar igual aos outros para os respeitar.
Cada pessoa tem o direito de defender aquilo em que acredita, desde que o faça com dignidade e consciência.

A verdadeira liberdade começa quando deixamos de viver para a aprovação alheia.

Porque no final do dia, quando o barulho do mundo se cala, existe apenas uma pergunta realmente importante:

“Consigo dormir de consciência tranquila?”

Se a resposta for sim, então já vencemos uma das maiores batalhas da vida.

Bom dia para todos nós 🍀



O FUTURO QUE IMAGINÁMOS… E O MUNDO QUE ENCONTRÁMOS

Quando, em 1973, a professora Ivone nos pediu um desenho sobre o ano 2000, a minha imaginação voou mais depressa do que qualquer avião.

Desenhei carros voadores.
Imaginei teletransportes.
Sonhei com cidades futuristas como as das séries e filmes que víamos na televisão.

Mais tarde apareceu Espaço 1999 na RTP e a minha cabeça voltou a viajar para um futuro cheio de tecnologia, máquinas incríveis e descobertas sem limites.

Naquele tempo acreditávamos que o futuro seria quase mágico.

E a verdade é que muita coisa mudou.
Vieram os computadores, os telemóveis, a internet, a inteligência artificial… coisas que em 1973 pareciam impossíveis.

Estamos em 2026.
E apesar de toda a evolução tecnológica, continuo à espera da maior invenção de todas:

Mais humanidade.

Porque o mundo evoluiu muito nas máquinas…
mas, por vezes, parece ter desaprendido o essencial:
o respeito, a empatia, a solidariedade e a capacidade de olhar verdadeiramente pelos outros.

Hoje, se me pedissem novamente um desenho sobre 1973, talvez eu não desenhasse carros voadores.

Desenharia algo muito mais raro nos dias de hoje:
um senhor de fato cinzento e uma criança de calções e sandálias, de mãos dadas num jardim da cidade.

Porque há valores antigos que nunca deveriam sair de moda.
E talvez o verdadeiro futuro não esteja na tecnologia…
mas sim em conseguirmos voltar a ser mais humanos uns para os outros. 

Bom domingo para todos nós 🍀







Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...