Lá fora já se ouvia o barulho dos carros e dos autocarros que transportavam estudantes e operários para mais um dia de trabalho. Sem telemóveis, sem internet e sem distrações digitais, a vida começava cedo e a pé.
Saía de casa pela Rua Direita, descia as escadas do Quebra-Costas e passava por São João de Malta, onde os autocarros chegavam cheios de gente vinda das aldeias do concelho.
Era uma Covilhã diferente.
Mais lenta.
Mais simples.
Mais humana.
Mais lenta.
Mais simples.
Mais humana.
Ao chegar ao Liceu encontrava os colegas no átrio. Falávamos de futebol, das raparigas e dos testes que se aproximavam. Eu já sabia que Matemática e Física me iam dar dores de cabeça, mas naquela idade as preocupações duravam pouco.
Depois tocava a campainha.
O silêncio instalava-se na sala e apenas os pássaros lá fora pareciam ter autorização para falar.
No intervalo corríamos para o refeitório, que também servia de bar. Por vezes íamos à padaria junto ao Café Primor comprar os famosos "nevões".
Quem se lembra deles sabe do que falo…
Era impossível comê-los sem ficar com a roupa cheia de açúcar e farinha.
As aulas sucediam-se.
Português, Matemática, Biologia…
Os professores eram exigentes, mas respeitados.
E nós, mesmo sem percebermos na altura, estávamos a aprender muito mais do que as matérias dos livros.
Aprendíamos respeito.
Aprendíamos amizade.
Aprendíamos a crescer.
Aprendíamos amizade.
Aprendíamos a crescer.
No intervalo maior, o pátio enchia-se de vida.
Ali contavam-se anedotas, trocavam-se segredos, faziam-se amizades para a vida inteira.
O Rui Paulo Fonseca já mostrava o talento que mais tarde o levaria ao teatro, à televisão e às dobragens da Disney.
Naquele recreio ninguém imaginava o futuro que cada um teria pela frente.
A última aula parecia sempre a mais longa.
As carteiras verdes alinhadas, o quadro de ardósia, o giz branco, os funcionários atentos no corredor…
Tudo fazia parte daquele pequeno universo que era a nossa escola.
E quando finalmente tocava para a saída, arrumávamos os livros à velocidade da luz e corríamos para casa.
Esperava-nos o almoço.
Esperava-nos a família.
Esperava-nos mais uma tarde de brincadeiras.
Esperava-nos a família.
Esperava-nos mais uma tarde de brincadeiras.
Hoje os tempos são outros.
As escolas mudaram.
A tecnologia transformou o mundo.
Mas há algo que nunca mudou:
A tecnologia transformou o mundo.
Mas há algo que nunca mudou:
A saudade daqueles dias.
Dos amigos.
Dos professores.
Dos corredores.
Dos sonhos.
Dos professores.
Dos corredores.
Dos sonhos.
Porque quem viveu a escola nos anos 70 e 80 não guarda apenas recordações.
Guarda pedaços de felicidade que o tempo nunca conseguiu apagar.
Porque, no fim de contas, podemos perder os anos, os lugares e até as pessoas, mas nunca perdemos verdadeiramente os momentos que nos fizeram felizes.
Bom feriado para todos nós🍀