AS SÉRIES E LIVROS DA MINHA VIDA

Hoje dei por mim perdido nas memórias de um tempo que já não volta… e talvez seja isso que lhe dá tanto valor.
Não é saudosismo. É aquela saudade boa de quem viveu uma infância simples, mas cheia de magia. Um tempo em que as bancas e quiosques eram verdadeiros tesouros, onde encontrávamos livros de aventuras, banda desenhada e revistas que nos faziam viajar sem sair do lugar.

 Enquanto hoje as crianças vibram com o Ruca, o Noddy ou o Pocoyo, nós crescemos com o Marco, a Heidi, o Calimero, o “Verão Azul” ou os “Pequenos Vagabundos”. E tenho a certeza de que, daqui a muitos anos, os nossos filhos também irão recordar os desenhos deles com o mesmo brilho nos olhos com que nós falamos dos nossos.

Ainda hoje guardo algumas dessas relíquias. Fiz questão de comprar ao meu filho a coleção completa do Marco e da Heidi, porque há histórias que merecem atravessar gerações. Tenho também em DVD séries antigas que marcaram a minha infância e adolescência… e sempre que as revejo, volto por instantes a ser aquele miúdo despreocupado.

Lembro-me de devorar os livros de “As Aventuras dos Sete”. Enquanto não acabasse um, nem descansava. E depois havia a magia das bandas desenhadas: Tio Patinhas, Mickey, Donald, Pateta… personagens que faziam parte da família de tanta criança dos anos 70, 80 e 90.

Na minha pequena biblioteca também moravam o Tarzan, o Homem-Aranha, o FBI, o Mundo de Aventuras e tantos outros que hoje quase desapareceram das mãos das crianças… substituídos por ecrãs, vídeos rápidos e distrações instantâneas.

E como esquecer certas séries que nos marcaram para sempre? “Holocausto”, por exemplo, ensinou muita gente sobre os horrores da guerra e da maldade humana. Verão Azul , Pequenos Vagabundos, ou aquele dia inesquecível em que fui ao Teatro-Cine da Covilhã ver “Marcelino Pão e Vinho”. Se a memória não me falha, foi o primeiro filme que vi numa sala de cinema. E ainda hoje consigo sentir aquela emoção.

 Não estou a dizer que antigamente tudo era melhor. Os tempos mudam, o mundo evolui e cada geração terá as suas próprias recordações. Mas havia qualquer coisa de especial naquela simplicidade. Havia tempo para sonhar, imaginar e viver as histórias de forma intensa.

Talvez por isso estas séries e estes livros nunca morram verdadeiramente. Porque não eram apenas entretenimento… eram companhia, emoção, inocência e felicidade.

 E é curioso como basta ouvir uma música antiga, rever um episódio ou folhear um livro antigo para sermos transportados imediatamente para um tempo em que a vida parecia mais leve.

Quem viveu esses tempos sabe exatamente do que estou a falar. 💗

Bom dia para todos nós 🍀



TEMOS QUE EDUCAR OS NOSSOS FILHOS

Vivemos numa época em que há crianças com tudo…
mas, ao mesmo tempo, cada vez mais vazias por dentro.
Hoje fala-se muito da violência nas escolas, da falta de respeito, da indisciplina e da frieza dos jovens.
Mas talvez esteja na altura de fazermos uma pergunta difícil:
Quanto tempo damos realmente aos nossos filhos?
Muitos pais chegam cansados a casa.
A vida está difícil, o trabalho desgasta, os problemas acumulam-se… eu sei disso.
Mas enquanto um adulto pensa nas contas, no emprego ou no cansaço, há uma criança do outro lado apenas à espera de atenção.
À espera de uma conversa.
De uma brincadeira.
De um abraço.
De alguém que lhe pergunte:
“Como foi o teu dia?”
E muitas vezes essa atenção é substituída por um telemóvel, um tablet, uma consola ou mais um brinquedo.
Mas nenhum brinquedo no mundo substitui a presença de um pai ou de uma mãe.
 Uma criança não precisa apenas de coisas.
Precisa de tempo.
Precisa de afeto.
Precisa de sentir que é importante para alguém.
Porque as crianças que crescem sem diálogo acabam muitas vezes por crescer também sem referências emocionais.
E depois admiramo-nos quando chegam à adolescência revoltados, distantes, agressivos ou incapazes de respeitar professores, colegas e até os próprios pais.
A verdade custa a ouvir:
a escola ensina… mas a educação começa em casa.
 Talvez bastassem 30 minutos por dia.
30 minutos sem televisão.
Sem telemóveis.
Sem distrações.
30 minutos para brincar, conversar, ouvir e criar memórias.
Porque um dia os nossos filhos vão esquecer muitos dos brinquedos que lhes demos…
mas nunca esquecerão a ausência ou a presença que tivemos nas suas vidas.
E no futuro, aquilo que mais ficará no coração deles não será o que comprámos.
Será o tempo que lhes dedicámos.

Bom dia para todos nós🍀



NASCI SPORTINGUISTA

Não foi uma escolha de ocasião, nem uma moda passageira. Foi um sentimento que me entrou no coração ainda em criança, daqueles que passam de geração em geração como um tesouro de família. O meu pai era Sportinguista… e sem saber, ensinou-me muito mais do que futebol. Ensinou-me paixão, lealdade e amor a um símbolo que atravessa décadas.

Cresci a ouvir os relatos do Sporting na rádio, com aquele nervosismo bom que só quem viveu esses tempos consegue entender. A imaginação fazia o resto… cada golo parecia ainda maior, cada vitória era celebrada como uma conquista da nossa própria família. A rádio unia casas, cafés, ruas inteiras e fazia bater milhares de corações ao mesmo ritmo.

Os meus ídolos tinham nomes eternos.
Héctor Yazalde, o goleador temível.
Vítor Damas, o eterno guardião leonino.
Rui Jordão, classe pura dentro de campo.
Joaquim Agostinho, um gigante do ciclismo que fazia Portugal parar.
Carlos Lopes e Fernando Mamede, homens que levaram o nome de Portugal e do Sporting mais longe.

Ainda hoje guardo na memória a emoção de ver o grande Agostinho subir a serra na Volta a Portugal. As estradas cheias, o povo ao rubro, os aplausos sentidos… eram momentos que pareciam unir o país inteiro. E que orgulho foi também ver ao vivo jogadores como Rui Jordão, Manuel Fernandes, Ferenc Mészáros e António Oliveira. Jogadores que não vestiam apenas uma camisola… carregavam uma história inteira às costas.

E depois há a Taça de Portugal… ah, a Taça é sempre uma festa! É o futebol vivido na sua essência mais pura, onde o coração fala mais alto e onde o Sporting mostra a força do seu povo. Porque ser do Sporting não é apenas apoiar um clube. É sentir orgulho nas vitórias, manter a fé nas derrotas e continuar sempre ao lado do leão.

 Viva o Sporting Clube de Portugal!
Um amor que não se explica… sente-se. 

Bom domingo para todos nós🍀




1978


Em 1978 não existiam telemóveis.
Não havia internet, redes sociais, computadores ou televisão por cabo.

E, mesmo assim… eu era feliz.

Talvez até mais feliz do que muitos jovens hoje.

Tinha 16 anos.
Vivia com a minha mãe, a minha avó materna e o meu irmão.
A vida era simples, mas tinha sabor.

Nesse verão, por alturas da Feira de São Tiago, apaixonei-me perdidamente… durante cinco dias 
Parece pouco?
Naquela idade parecia uma eternidade. 😂

Numa outra ocasião, eu e o Francisco, grande amigo da minha juventude, conhecemos umas emigrantes e acabámos por improvisar um baile na Escola Central.
Ele foi buscar o rádio de cassetes a casa e fizemos uma festa como hoje já quase não se vê.

A escola estava aberta.
As pessoas confiavam umas nas outras.
E nós só queríamos rir, dançar e aproveitar a vida.

Estudava na Escola Frei Heitor Pinto, onde hoje tenho o privilégio de trabalhar.
A vida dá voltas incríveis.

Nas férias brincávamos em São Silvestre, nos Penedos Altos ou simplesmente na rua até anoitecer.
Não precisávamos de muito para sermos felizes.

E sabem uma das minhas brincadeiras preferidas?

Escrever nas caricas das garrafas os nomes dos ciclistas da Volta à França e inventar eu próprio as etapas da corrida pela sala de casa 

Os móveis transformavam-se em montanhas, curvas perigosas e metas finais.
E eu divertia-me horas sem precisar de ecrãs, internet ou baterias.

 Hoje as crianças têm quase tudo…
mas muitas vezes falta-lhes aquilo que nós tínhamos em abundância:
tempo, imaginação e liberdade.

Na televisão existiam apenas dois canais da RTP e, com sorte, apanhávamos os canais espanhóis da TVE.
Talvez por isso vivêssemos mais na rua do que fechados dentro de casa.

 Não escrevo isto por saudosismo.
Nem para dizer que antigamente tudo era melhor.

Escrevo apenas para recordar uma verdade simples:

A felicidade nunca dependeu da tecnologia.
Dependeu sempre das pessoas, dos momentos e da forma como vivíamos a vida.

E às vezes penso…

talvez tenhamos evoluído muito no conforto…
mas perdido um pouco da alma pelo caminho.

Bom dia para todos nós 🍀



UMA RUA CHEIA DE VIDA

É difícil explicar a saudade de um lugar onde fomos verdadeiramente felizes.

🌿 Eu nasci numa rua cheia de vida.
Uma rua onde as pessoas se conheciam pelo nome, onde as portas estavam quase sempre abertas e onde os cheiros das estações pareciam fazer parte da família.

Ainda hoje fecho os olhos e consigo ver-me a correr até São Silvestre para brincar com os meus amigos na Escola Central, no tempo em que ainda era passagem pública.
Antes disso, esperava pacientemente junto ao “Montiel” pelo sinal do polícia sinaleiro… e mal ele autorizava, lá ia eu a correr pela rua fora, como se o mundo inteiro me esperasse no Largo da Capela de São Silvestre.

Naquele tempo, a cidade tinha alma.

O comércio vivia cheio de gente.
Na mercearia do Sr. Raúl Paiva levantavam-se as compras da minha mãe e da minha avó.
Em frente ao Jardim Público, a D. São recebia todos na padaria com um sorriso que nunca falhava.

E na minha rua… a Comendador Campos Melo… havia vida em cada porta.

Os cafés cheios de conversa e amizade.
As lojas tradicionais onde toda a gente se conhecia.
As mercearias, padarias e livrarias que davam vida à rua.
Os espaços onde se aprendia música, onde se faziam amizades e onde cada porta guardava histórias.
Os bancos, os pequenos negócios, sempre cheios de gente e movimento.

Cada nome destes guarda uma história.
Cada porta fechada hoje leva consigo um pedaço da nossa memória.

 Às 5h30 da manhã já se ouviam os operários a descer para as fábricas, a mota do padeiro e, pouco depois, o primeiro autocarro vindo da Aldeia do Carvalho.

A cidade acordava cedo… mas acordava viva.

Não havia telemóveis.
Não havia redes sociais.
Havia futebol na rua, joelhos esfolados, gargalhadas sinceras e adultos sentados nos cafés a conversar horas sem olhar para relógios.

No Natal, as famílias juntavam-se à mesa como se nada fosse mais importante no mundo.
E muitos ainda saíam para a Missa do Galo ou para se aquecerem junto da fogueira.

 Hoje, quando passo naquela rua, sinto um aperto no peito.

Vejo demasiadas portas fechadas onde antes existia movimento, amizade e alegria.
Mas há coisas que o tempo nunca conseguirá apagar.

Porque, mesmo mudada… mesmo mais silenciosa…
continuará sempre a ser a rua onde nasci.
A minha rua.
A rua da minha vida.

Boa tarde para todos nós 🍀



ABRIL TEM DE SER CORAGEM, MUDANÇA, FUTURO

Portugal está a morrer aos poucos… e o mais assustador é que já quase ninguém se indigna.

Em pleno século XXI, vemos o interior do país a ficar vazio.
Fecham escolas.
Encerram centros de saúde, tribunais, correios e serviços públicos.
Diminuem os transportes.
As aldeias perdem vida.
As ruas perdem crianças.

Os pais abandonam os filhos.
Os filhos maltratam os pais.

E, enquanto tudo fecha… aumentam os lares e alargam-se os cemitérios.

Um país que abandona os seus idosos, destrói a educação e deixa morrer o interior é um país que perde a sua identidade.

Hoje temos tecnologia, temos modernidade, temos redes sociais…
mas estamos a perder aquilo que mais importava: valores, humanidade e sentido de comunidade.

Os nossos pais e avós tinham menos dinheiro… mas talvez fossem mais felizes.
Havia respeito.
Havia união.
Havia tempo para viver e não apenas para sobreviver.

Então porque razão tanta gente vive sem esperança?

Portugal é um dos países mais bonitos do mundo.
Tem mar, montanha, sol, terra fértil e um povo trabalhador.
Um verdadeiro cantinho à beira-mar plantado.

Porque durante anos deixámos que nos roubassem o futuro em silêncio.
E porque muitas vezes criticamos tudo… mas esquecemo-nos de que também somos responsáveis pelas escolhas que fazemos.

Mas eu recuso-me a acreditar que este país não tem solução.

A esperança está numa geração que tenha coragem de lutar, de pensar diferente e de voltar a colocar as pessoas em primeiro lugar.

Porque Abril não pode ser apenas uma data no calendário.
Abril tem de ser coragem.
Tem de ser mudança.
Tem de ser futuro.

E enquanto houver alguém que não desista de Portugal…
Portugal ainda pode renascer.

Boa tarde para todos nós🍀



MESTRES OU APRENDIZES?

Somos mestres a aconselhar os outros… mas aprendizes quando a vida nos põe ao espelho.

É curioso como conseguimos encontrar as palavras certas para aliviar a dor de alguém:
“Vai passar.”
“Tu és forte.”
“Não penses demasiado nisso.”
“Afasta-te do que te faz mal.”

Mas quando a tempestade chega à nossa porta, esquecemo-nos de tudo aquilo que ensinámos aos outros.

😔 É mais fácil entender a tristeza alheia do que enfrentar os nossos próprios medos.
É mais fácil criticar os vícios dos outros enquanto escondemos os nossos nas gavetas do silêncio.
É mais fácil apontar defeitos do que admitir que também falhamos… todos os dias.

Vivemos numa sociedade onde muitos falam de força, mas poucos têm coragem de mostrar as suas fragilidades.
Há quem critique quem bebe demais, enquanto se afoga em ansiedades escondidas.
Há quem condene a mentira, mas viva preso às pequenas falsidades que criou para parecer perfeito.
Há quem dê lições de amor, mas não saiba amar-se a si próprio.

A verdade é que todos carregamos batalhas invisíveis.
Todos temos cicatrizes que escondemos atrás de sorrisos.
Todos temos hábitos, medos e fraquezas que tentamos maquilhar para que ninguém veja.

E talvez a maior humildade da vida seja esta:
antes de julgarmos alguém… olharmos para dentro de nós.

Porque ninguém é tão perfeito como mostra nas redes sociais.
Ninguém tem a vida totalmente resolvida.
E muitas vezes, quem mais aconselha… é quem mais precisa de ouvir os próprios conselhos.

Talvez o mundo fosse mais leve se trocássemos a crítica pela compreensão.
Se em vez de apontarmos dedos, estendêssemos mãos.
Se tivéssemos a coragem de admitir:
“Eu também erro.”
“Eu também caio.”
“Eu também estou a tentar.”

No fundo, todos somos humanos a aprender a viver… mesmo quando fingimos que já sabemos tudo.

Boa noite para todos nós 🌙



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...