PODIA SER A PÁGINA DE UM DIÁRIO DOS ANOS 70

20 de setembro era o dia em que a minha mãe fazia anos. Deus a guarde no Céu.

20 de setembro era também um dia de muita felicidade, quando, ainda menino, corria pelo Jardim Público e percorria as ruas da cidade até chegar à piscina municipal.

20 de setembro ficou ainda marcado na minha memória por, no longínquo ano de 1978, ter pedido uma rapariga em namoro.

Mas este 20 de setembro ficará, para sempre, associado a uma notícia muito triste.

Esta sexta-feira recebi a notícia da partida para outra dimensão do meu melhor amigo de infância, o Francisco.

É mais uma parte de mim que se desmorona.

Passámos juntos momentos de aventura, brincadeiras sem fim, correrias, gargalhadas e tantos daqueles momentos que só a infância consegue proporcionar. Hoje, tudo isso permanece guardado num lugar muito especial: a memória.

E é aí que continuarás a viver, meu amigo.

Espera por mim, Chico, para um dia continuarmos as nossas brincadeiras, as nossas aventuras e aquelas gargalhadas que pareciam não ter fim.

A vida é mesmo assim… vai levando pessoas, vai fechando portas e deixando para trás pedaços da nossa história.

O verão prepara-se para as despedidas. Mais uma estação está prestes a começar.

O outono da vida.

Que esta nova estação seja repleta de coisas boas, de paz, de saúde e, sobretudo, de boas memórias.

Um abraço.



A VIDA DÁ, A VIDA TIRA…

E temos de aprender a habituar-nos a isso.

Quando somos novos, pensamos que somos imortais. Ou, pelo menos, acreditamos que temos uma vida inteira pela frente e que aqueles que mais amamos estarão sempre connosco.

Mas, aos poucos, a vida vai-nos ensinando que o ser humano é frágil e que, ao longo da nossa caminhada, vamos perdendo pessoas queridas em cada uma das suas estações.

É a lei da vida.

Partem uns, chegam outros. Tudo se renova. E são essas novas pessoas que entram no nosso caminho que, muitas vezes sem saberem, vão ajudando a apaziguar a dor e o vazio deixados por aqueles que partiram.

Também nós, um dia, iremos ficar numa estação qualquer…

Mas, enquanto esse dia não chega, e depois de tanta aprendizagem, há coisas que simplesmente deixam de fazer sentido.

O ódio não faz sentido.
Andarmos de costas voltadas não faz sentido.
Guardar mágoas não faz sentido.
Aquele café que prometemos e nunca bebemos não faz sentido.
E o eterno “fica para amanhã” só faz sentido… se ainda houver amanhã.

Porque a verdade é que nem sempre há tempo para depois.

É tão fácil sorrir, mesmo quando não nos apetece.
É tão fácil dizer “bom dia”, mesmo a quem não conhecemos.
É tão fácil ser simpático, mesmo quando não estamos a ter o nosso melhor dia.

Às vezes, um simples sorriso pode mudar o dia de alguém. Uma palavra amiga pode aliviar uma dor que desconhecemos. Um gesto de carinho pode ficar na memória de alguém muito mais tempo do que imaginamos.

Hoje vivemos, muitas vezes, numa espécie de redoma de vidro. Estamos rodeados de pessoas e, ainda assim, sentimo-nos sós. Tão sós, por vezes, num mundo que parece já não ser o nosso.

Mas lembram-se de quando éramos crianças?

Quando bastava um dia de sol para sermos felizes?
Quando brincar na rua era uma aventura?
Quando pisar uma poça de água era motivo para uma gargalhada?
Quando a felicidade cabia nas coisas mais simples?

O que foi feito dessa capacidade de sermos felizes com tão pouco?

Que esperamos nós para voltar a encontrar felicidade nas pequenas coisas?
Que esperamos para sermos melhores uns com os outros?

A vida é muito mais do que luxos, dinheiro ou coisas que hoje temos e amanhã podemos perder.

A vida é estar em paz connosco próprios.

E podem ter a certeza de uma coisa: quando estamos bem connosco, tornamo-nos melhores para os outros.

Por isso, se há alguém a quem devemos um abraço, dêmo-lo hoje.
Se há alguém a quem devemos um sorriso, sorria-mos hoje.
Se há alguém a quem prometemos aquele café… talvez seja melhor não deixar para amanhã.

Porque a vida dá.
A vida tira.
E, entre uma coisa e outra, o que realmente fica são os momentos que vivemos e o amor que fomos capazes de dar.

Bom dia para todos nós. 🍀



ATÉ UM DIA, FRANCISCO 🌹

Hoje recebi uma notícia muito triste.

Morreu o meu melhor amigo de infância, companheiro de tantas aventuras, brincadeiras e risos. Estou desolado. Partiu alguém que era muito mais do que um amigo; era como um irmão.

É, por isso, também uma pequena homenagem e uma forma de guardar na memória uma pessoa boa, que deixou a sua marca tanto na vida profissional, como enfermeiro em Castelo Branco, como na sua vida pessoal, enquanto amigo e ser humano.

Estas palavras ganham agora um significado ainda mais especial.



Até um dia, Francisco. 🌹



🌅 FIM DE VERÃO DE 1978

Há Verões que acabam no calendário… mas ficam para sempre dentro de nós.

Era o fim do Verão de 1978. Eu, o Francisco e o restante grupinho, toalha debaixo do braço, lá íamos nós a caminho dos últimos banhos na piscina dos Penedos Altos.

Sabíamos que setembro estava a chegar ao fim e que a piscina, como era habitual, encerraria portas no último dia do mês ou, por vezes, já nos primeiros dias de outubro. Por isso, cada banho, cada mergulho e cada momento passado entre amigos tinha um sabor especial.

O caminho era quase sempre o mesmo.

Saíamos pelo Jardim Público, descíamos as Escadas da Trapa, atravessávamos a Rua Marquês D’Ávila e Bolama, descíamos as Escadas da Ponte dos Costas e, finalmente, chegávamos àquela porta de pedra que dava acesso ao recinto da piscina.

E lá dentro… já cheirava a “maresia”! 

Primeiro, uma passagem rápida pela esplanada, só para espreitar quem estava lá em baixo. Depois, lá apresentávamos, com orgulho, o nosso cartão de sócio do CDC.

Entrávamos nos balneários, colocávamos a roupa no cabide e entregávamo-lo ao funcionário, recebendo em troca uma pequena chapa com um número. Aquela chapa era guardada religiosamente, porque, no final, era com ela que recuperávamos o nosso cabide e a nossa roupa.

Depois… era aproveitar!

Na relva, encontrávamo-nos com outro grupo de raparigas e rapazes do Bairro da Estação. Conversas, risos, brincadeiras, mergulhos… e as horas passavam sem darmos por elas.

E havia sempre aquele momento que nos fazia rir: os chuveiros de água fria! 

Uns encolhiam-se todos para conseguir passar, outros atravessavam aquilo a correr e ainda havia os mais espertos, que simplesmente saltavam a vedação!

Éramos jovens. Não precisávamos de muito para sermos felizes.

Uma toalha, uns amigos, uma piscina, algumas brincadeiras e tempo… muito tempo para viver.

Quando o sol começava a esconder-se por detrás das montanhas da Serra, abandonávamos a piscina e fazíamos juntos o caminho de regresso.

Ao chegarmos ao cruzamento da Rua do Rodrigo, chegava a hora das despedidas.

Um “até logo” aos amigos, porque naquele tempo quase nunca era um verdadeiro adeus.

 Depois do jantar, começava outra parte da noite.

Íamos ter com as namoradas — ou com as pretendentes a namoradas — para a esplanada do Café Primor.

Entre umas Pepsi-Colas, uns amendoins e muitas gargalhadas, falávamos sobre o Verão que estava a terminar e sobre aquilo que imaginávamos para o futuro.

As aulas estavam quase a começar e, naquela idade, o futuro parecia estar tão longe… e ao mesmo tempo tão perto.

Mais tarde, acabávamos sentados na relva, em frente às casas do Bairro.

Entre conversas, risos e uns beijos inocentes de namorados, próprios daquela adolescência, íamos vivendo os nossos pequenos grandes momentos.

Não tínhamos telemóveis.
Não tínhamos redes sociais.
Não tínhamos internet.

Mas tínhamos tempo, amigos e vontade de viver.

E talvez por isso aquelas memórias tenham ficado tão profundamente gravadas em nós.

No final da noite, elas ficavam por ali e eu e o Francisco subíamos a Avenida, de regresso às nossas casas.

 Nesse fim de Verão, o céu parecia mais estrelado do que nunca.

Uma brisa suave descia da Serra e a Covilhã adormecia lentamente, envolta num silêncio que anunciava a chegada dos dias mais curtos e das noites mais frias.

Nós ainda não sabíamos…

Mas estávamos a viver momentos que, décadas mais tarde, haveríamos de recordar com um sorriso no rosto e uma lágrima escondida no canto do olho.

Porque há coisas que o tempo leva…

Mas há memórias que o tempo nunca consegue apagar. 

E talvez seja essa a verdadeira magia da juventude: só percebemos o quanto fomos felizes quando já não podemos voltar atrás.

Quem viveu aqueles tempos sabe do que estou a falar.

Quem se lembra dos últimos banhos na piscina dos Penedos Altos? 

Bom dia para todos nós. 🍀



🍂 A PASSAGEM DO VERÃO PARA O OUTONO 🍂

A passagem do Verão para o Outono causa sempre uma certa nostalgia. As crianças regressam à escola, os dias ficam mais pequenos, as aves emigram e o tempo cinzento volta a fazer parte dos nossos dias. Valha-nos, ao menos, a beleza das cores do Outono, que conseguem embelezar a paisagem e dar-lhe um encanto muito próprio. 

Por entre as vidraças, vejo a chuva cair lá fora. É um daqueles momentos que nos levam para outros pensamentos e nos fazem viajar no tempo.

Quando era criança, também ficava longos minutos com a cara encostada ao vidro da janela, a ver a chuva cair e as pessoas apressadas no passeio, tentando desviar-se das poças de água. Era como se o mundo lá fora tivesse outra vida quando chovia.

Nos dias mais frios, tínhamos a braseira, que acendíamos com álcool e, por cima, colocávamos um estrado para podermos aquecer os pés. Enquanto isso, na televisão, passava a Telescola durante a tarde… uma grande seca para mim naquela altura! 

À tarde, vinha sempre uma fresquinha da Serra da Estrela. Se no Verão agradecíamos aquela aragem fresca, no Outono já era bem menos desejada. E depois havia o som inconfundível do amola-tesouras que, como se dizia na nossa terra, era sinal de que a chuva vinha a caminho.

Mas não era só o amola-tesouras que parecia adivinhar a chuva.

Quando víamos a caravana do circo chegar e começar a montar a tenda na cidade, era chuva pela certa! Três dias de circo no Campo das Festas e, muitas vezes, uma semanada de chuva já ninguém nos tirava. E quando começava a chover, eram dias sem fim… e o Inverno ainda vinha longe.

As aulas começavam por volta do dia 7 de Outubro e ainda hoje se costuma dizer: “Começam as aulas e muda o tempo.” Mas, naquele tempo, parecia que era mesmo assim. Coincidência ou não, começavam as aulas e o tempo mudava mesmo!

E havia ainda os avisos do Almanaque Borda d’Água, que, como se sabe, ainda hoje se vende e continua a fazer parte das nossas tradições. 

Hoje, olhando pela janela e vendo a chuva cair, dou por mim a recordar tudo isto e a pensar como eram diferentes aqueles dias… Não tínhamos tantas coisas como temos hoje, mas talvez tivéssemos mais tempo para olhar pela janela, ouvir a chuva e guardar na memória pequenos momentos que, muitos anos depois, se tornam grandes recordações.

Seja como for, as estações continuam a chegar, ano após ano, cada uma à sua hora. 

E nós só temos de as acompanhar, vivendo cada uma delas da melhor maneira, para não perdermos o comboio da vida. 

Bom dia para todos nós. 🍀



🌿NADA É POR ACASO…

Tudo na vida tem um propósito, uma razão. Nada acontece verdadeiramente por acaso.

Há pessoas que entram na nossa vida para nos ensinar alguma coisa. Há caminhos que se fecham para nos obrigar a procurar outros. Há despedidas que doem, mas que acabam por nos libertar. E há momentos difíceis que, mais tarde, percebemos que foram necessários para nos tornar mais fortes.

Nem sempre entendemos, no momento, porque certas coisas acontecem. Às vezes perguntamos: “Porquê eu?”

Mas o tempo tem uma forma especial de nos mostrar aquilo que, no presente, não conseguimos compreender.

Talvez aquela porta que se fechou tenha sido a oportunidade de encontrarmos uma melhor. Talvez aquela pessoa que partiu tenha deixado uma lição que ficará para sempre. Talvez aquele sonho que não se realizou tenha dado lugar a outro muito maior.

A vida nem sempre acontece como queremos, mas muitas vezes acontece como precisamos.

Por isso, não desistas quando o caminho parecer difícil.

Continua a caminhar, confia no processo e acredita que, mesmo nos dias em que nada parece fazer sentido, há sempre uma razão por detrás de cada capítulo da nossa vida.

Um dia, ao olharmos para trás, talvez percebamos:
“Agora entendo… afinal, nada foi por acaso.”

Boa noite para todos nós 🌜



AI, ANOS 80! ❤️


AI, ANOS 80! ❤️

Caso para dizer: ai, quem me dera ter outra vez 20 anos…

Os anos 80 foram uma década muito marcante na minha vida. Foram anos de juventude, de sonhos, de amizades, de futebol, de trabalho, de descobertas e, também, de algumas perdas que ficaram para sempre na memória.

Acabei o liceu e fui mobilizado para o Serviço Militar Obrigatório. Fiz a recruta em Castelo Branco e, depois de tirar a especialidade de Socorrista, prestei serviço no Hospital Militar Regional 2, em Coimbra.

Vi o Sporting Clube da Covilhã subir por duas vezes à Primeira Divisão. Fiz parte da claque “Leões da Serra” e também da organização dos comboios e da famosa caravana verde, momentos que ainda hoje recordo com enorme emoção. 

Assisti ao nascimento e ao crescimento da Universidade da Beira Interior, que viria a transformar profundamente a nossa cidade.

Vi muito cinema no Teatro Cine e no Cine Centro. 

Bebi muitos cafés e imperiais no Montalto, antes de este encerrar. 

Trabalhei na Etchandy, no antigo pavilhão da FAEC, e também na secção de peças da oficina Auto Sprint, ao Biribau.

E quem se lembra dos tempos em que ainda havia tantos carros a dar voltas à placa, no Pelourinho, à procura de um lugar para estacionar? 

Nem tudo foram rosas nos anos 80. Na segunda metade da década, perdi duas pessoas muito queridas e muito próximas, perdas que abalaram profundamente o meu interior e que o tempo nunca conseguiu apagar.

Mas a vida é mesmo assim: não existem espinhos sem rosas, nem rosas sem espinhos. 

Esta fotografia é dos anos 80, de um passeio que fizemos a Évora. Eu sou o dos óculos. 

Olho para esta fotografia e penso em tudo o que ficou para trás… Pessoas, lugares, momentos e histórias que fazem parte de quem somos.

Ai, anos 80… Se fosse possível voltar atrás no tempo, nem que fosse por um único dia, talvez eu não mudasse nada. Apenas queria voltar a sentir aquilo que era ter 20 anos. 

Bom dia para todos nós.🍀



BOM ANO LETIVO

Caminhos Cruzados chegou ao fim

“Caminhos Cruzados” chegou ao seu final. No início, tinha pensado em escrever 90 episódios, mas, à medida que fui desenvolvendo a história, percebi que iria criar um enredo com demasiadas tramas e labirintos, o que poderia acabar por aborrecer os seguidores e, ao mesmo tempo, criar um grau de dificuldade desnecessário para mim.

Assim, decidi reduzir a história para 15 episódios, mantendo sempre o suspense em torno de Sofia. Penso que o vosso feedback foi positivo e espero que tenham acompanhado esta aventura com o mesmo gosto com que eu a escrevi.

Este ano foram quatro romances: Um Romance na Covilhã, Nunca Digas Nunca, Amar e Viver em Liberdade e Caminhos Cruzados. A estes juntaram-se ainda duas aventuras: Uma Aventura em São Silvestre e Uma Aventura nas Portas do Sol.

A única coisa que me move é o gosto pela escrita. Escrever é, para mim, uma forma de dar vida a histórias, personagens, emoções e lugares que fazem parte do nosso imaginário. Quem quiser ler estes romances poderá encontrá-los aqui no blogue ou, simplesmente, pesquisá-los na minha página do Facebook.

Quanto ao lançamento de um livro, como já disse anteriormente, não é uma prioridade para mim, mas continuo recetivo a quem possa estar interessado nessa possibilidade.

Terça feira começa um novo ano letivo e, como faço parte da comunidade educativa, quero deixar uma palavra especial a todos os alunos, professores, funcionários, pais e restantes elementos desta comunidade: desejo-vos um excelente ano letivo, cheio de sucesso, esperança e muitas conquistas. Que tudo corra pelo melhor!

E, sobretudo, um enorme obrigado a todos os que me acompanham, leem, comentam e incentivam a continuar a escrever. Sem vocês, estas histórias não teriam o mesmo sentido.

Bom dia para todos nós. 🍀


Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...