NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO VI

      

                                    David sente-se inseguro



Os dias continuavam a passar na Covilhã, mas para David tudo parecia diferente desde que Carol tinha partido para a Nazaré.
As ruas eram as mesmas, os cafés continuavam cheios ao fim da tarde, e os colegas seguiam com a rotina das aulas no Liceu Nacional da Covilhã. Mas havia sempre uma sensação estranha, como se algo importante tivesse ficado vazio na cidade.
Muitas vezes, depois das aulas, David caminhava sozinho até ao Jardim Público da Covilhã.
Ali, entre as árvores e os bancos de madeira, ficava sentado a observar as pessoas que passavam. Alguns idosos conversavam calmamente, crianças brincavam perto dos caminhos de terra, e o som da cidade parecia distante.
Num desses dias, caminhou devagar até ao Monumento de Nossa Senhora da Conceição.
Ficou parado a olhar para a imagem da santa durante alguns minutos.
Não era propriamente uma oração. Era mais um momento de silêncio, de pensamentos que não sabia muito bem como organizar.
Pensava em Carol.
Pensava na praia, no mar que ela agora via todos os dias… e pensava na distância que separava a serra daquele litoral distante.
O desabafo
Nessa mesma tarde, Rui — o amigo mais próximo de todo o grupo — apareceu no jardim.
— Andas desaparecido — disse ele ao sentar-se no banco ao lado.
David suspirou.
— Tenho pensado muito.
Rui olhou para ele com atenção.
— Na Carol, não é?
David assentiu.
Durante alguns segundos ficou em silêncio.
— Tenho um pressentimento… — disse finalmente.
— Que pressentimento?
— Que a distância vai fazer tudo desaparecer.
Rui franziu a testa.
— Estás a exagerar.
David abanou a cabeça.
— Lá ela tem uma vida nova… escola nova… amigos novos… o mar… tudo diferente. Aqui é só a mesma cidade de sempre.
Rui encostou-se no banco e olhou para as árvores do jardim.
— Sabes uma coisa?
— O quê?
— Quando fomos à Serra da Estrela naquele dia… eu vi a forma como ela olhava para ti.
David ficou em silêncio.
— Aquilo não era uma coisa qualquer — continuou Rui. — Não desaparece assim de um dia para o outro.
David tentou sorrir.
— Espero que tenhas razão.
Rui deu-lhe uma pequena palmada no ombro.
— Em vez de pensares no pior… faz uma coisa.
— O quê?
— Vai visitá-la um dia destes.
David olhou para ele, surpreendido.
— À Nazaré?
— Claro. Nunca disseste que querias ver o mar?
David levantou os olhos para o céu que começava a ficar dourado ao final da tarde.
Talvez Rui tivesse razão.
Talvez aquela história ainda não tivesse chegado ao fim.
E talvez, algures na Praia da Nazaré, houvesse alguém à espera de o ver chegar pela primeira vez… para lhe mostrar o mar.


Continua…




NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO V



                                     Na praia da Nazaré


A viagem desde a Covilhã até à Nazaré pareceu longa para Carol. À medida que a carrinha da família descia das montanhas para as planícies e depois se aproximava do litoral, o ar começava a mudar. Tornava-se mais húmido, mais leve… e trazia um cheiro diferente que Carol nunca tinha sentido antes.
Quando finalmente chegaram, ouviu-se ao longe um som constante.
— O que é isso? — perguntou Carol.
O pai sorriu.
— É o mar.
Carol abriu a janela. O vento trouxe o cheiro do sal e o murmúrio das ondas. Naquele momento percebeu que a sua vida estava mesmo a começar numa nova página.
A nova casa ficava numa rua tranquila da Nazaré, não muito longe da praia. Era simples, mas tinha algo especial: das janelas do andar de cima via-se um pedaço do oceano.
Na primeira noite, Carol ficou alguns minutos à janela.
O som das ondas era diferente de tudo o que conhecia. Na Covilhã, o silêncio vinha das montanhas; ali, o silêncio era preenchido pelo mar.
Pensou em David.
— Um dia ele tem mesmo de ver isto — murmurou para si mesma.
Alguns dias depois começaram as aulas do 3º período na Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio.
Carol entrou um pouco nervosa. Tudo era novo: corredores diferentes, vozes desconhecidas, professores que ainda não sabia como eram.
Mas rapidamente percebeu que as pessoas da Nazaré eram acolhedoras.
Na sala de aula, uma rapariga chamada Ana sentou-se ao lado dela.
— És nova aqui, não és?
— Sou… vim da Covilhã.
— Da serra? Então mudaste da neve para o mar!
As duas riram.
Nos dias seguintes, Carol começou a conhecer outros colegas. Muitos eram filhos de pescadores ou de famílias ligadas ao mar.
Falavam das ondas, dos barcos e das histórias da pesca como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Para Carol, era como descobrir um universo novo.
Num domingo, os pais decidiram mostrar-lhe um dos lugares mais emblemáticos da vila: o Sítio da Nazaré.
Subiram até lá e Carol ficou sem palavras.
Do alto da falésia, o mar parecia infinito.
Ali perto ficava o antigo Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, onde muitas pessoas iam rezar e agradecer graças.
Entraram por alguns minutos.
O silêncio da igreja lembrou-lhe a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde tantas vezes tinha estado com David.
Carol fechou os olhos por um instante.
Talvez estivesse a pedir que a distância não mudasse aquilo que sentia.
Mas o momento que mais a marcou aconteceu alguns dias depois.
Carol caminhou até à Praia da Nazaré ao final da tarde.
O céu estava dourado e as ondas quebravam com força na areia.
Ela tirou os sapatos e caminhou devagar.
Quando a água fria tocou os seus pés, Carol riu sozinha.
O mar era poderoso, imenso, quase assustador… mas também fascinante.
Sentou-se na areia e ficou a olhar o horizonte.
Pensou nas ruas inclinadas da Covilhã, nos amigos, na piscina onde tudo tinha começado.
E claro… pensou em David.
Pegou num pequeno caderno que ele lhe tinha dado no Natal.
Escreveu apenas uma frase:
"David, tens mesmo de vir aqui. O mar é ainda mais bonito do que eu imaginava."
O vento levou o som das ondas pela praia.
E, mesmo longe da serra, Carol sentiu que uma parte da sua história ainda estava ligada à cidade onde tinha deixado alguém muito importante.

Continua…



NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO IV

                                      Rumo à Serra da Estrela

O novo ano de 1979 começou frio na Covilhã. A neve tinha caído durante a noite e, nas encostas da serra, tudo parecia coberto por um manto branco.
Numa tarde no Liceu Nacional da Covilhã, Rui apareceu com uma ideia que rapidamente entusiasmou todo o grupo.
— No domingo vamos à serra! A pé até onde conseguirmos!
— Estás maluco — disse Paula, rindo — com este frio?
— É por isso mesmo! Há neve!
David olhou para Carol.
— Vamos?
Carol sorriu.
— Claro que vamos.
A subida para a serra
No domingo de manhã encontraram-se cedo, ainda com o sol a nascer sobre os telhados da cidade.
Subiram pela estrada que levava à Serra da Estrela, conversando, rindo e escorregando na neve que aparecia cada vez mais à medida que deixavam a cidade para trás.
O ar era gelado, mas limpo.
Nando levava um rádio pequeno e a música ecoava pelo silêncio da montanha.
— Parece outro mundo — disse Carol, olhando para as paisagens brancas.
David caminhava ao lado dela.
— É o nosso mundo por hoje.
Brincadeiras na neve
Quando chegaram perto da Torre da Serra da Estrela, a neve já era alta.
O grupo começou imediatamente uma batalha de bolas de neve.
Risos ecoavam pelo ar frio.
Paula caiu na neve. Rui escorregou numa pedra gelada. Nando tentava proteger o rádio como se fosse um tesouro.
Carol correu para fugir de uma bola de neve lançada por David, mas escorregou.
David correu para a ajudar.
Os dois acabaram por cair na neve.
Durante alguns segundos ficaram apenas a rir, deitados no branco silencioso da serra.
Carol estava estranhamente silenciosa.
— Estás bem? — perguntou David.
Ela demorou alguns segundos a responder.
— David… tenho de te contar uma coisa.
Ele sentiu logo que algo importante estava para ser dito.
— O que foi?
Carol respirou fundo.
— O meu pai conseguiu trabalho no litoral… vamos mudar-nos para a Nazaré.
David ficou imóvel.
— Para a praia?
— Sim… para a Praia da Nazaré. Vamos viver lá na primavera.
O vento frio da serra soprou entre eles.
David tentou imaginar Carol longe da Covilhã, longe das ruas onde se encontravam, longe da piscina onde tudo tinha começado.
— É muito longe… — murmurou ele.
Carol apertou as mãos.
— Eu sei.
Durante alguns momentos nenhum deles falou. À volta, apenas o silêncio da serra.
— Mas não é para sempre — disse Carol finalmente. — Posso vir cá nas férias… e tu podes visitar-me.
David olhou para ela.
— Nunca vi o mar.
Carol sorriu, com um brilho nos olhos.
— Então prometo uma coisa… quando fores à Nazaré comigo, o primeiro lugar onde te levo é à praia. Quero ver a tua cara quando vires o mar pela primeira vez.
David sorriu pela primeira vez desde que ela tinha contado a notícia.
— Então temos um plano.
Quando regressaram ao grupo, ninguém percebeu logo o que tinha sido dito.
Mas algo tinha mudado.
Aquela viagem à Serra da Estrela tinha transformado o amor leve de verão numa promessa mais séria.
Agora havia distância no futuro.
Mas também havia uma nova esperança:
o dia em que David, rapaz da montanha, iria ver o mar na Nazaré… por causa de Carol.


Continua…





PARABÉNS BLOGUE NESTA DATA FESTIVA!

 Hoje Sábado de Páscoa é uma data bonita.

 O Blogue Verão Azul, o meu pequeno mundo, chega à idade adulta. 

 Francamente quando iniciei este projeto não iria imaginar até onde podia ir. Numa altura em que não fazia parte de outras redes sociais, nem sequer tinha internet em casa, lancei-me neste bonito desafio como uma espécie de diário e de motivação para mim, lembro que na altura fazia uma tentativa para parar de fumar.

 Os primeiros seis anos de Blogue foram de aprendizagem com poucas mensagens. 2015 foi o ano de viragem, com mais conhecimentos tecnológicos e internet em casa (desde 2011), fui aperfeiçoando o blogue e em sintonia com publicações na rede social Facebook, criei o blogue à minha imagem.

 Nestes 18 anos estão registados todos os maiores acontecimentos do mundo, do país, da Covilhã e feitos desportivos e conquistas do "meu" Sporting. 

 Acontecimentos pessoais de relevo, como o parar de fumar e a minha renovação pessoal também estão transcritos neste Blogue. 

 Porque os 18 anos merecem ser comemorados, quinta feira tive um almoço no restaurante "Carapito", lancei a nova imagem no Blogue e o romance "Nunca Digas Nunca" em episódios, simultâneo com a rede social Facebook. 

 Obrigado a todos os que visitaram este blogue e foram apenas 217.370 (!?) visualizadores até ao momento , aos 14 seguidores fixos e a todos os seguidores que me têm visitado mesmo de forma anónima. 

 A todos uma Feliz Páscoa e continuação de boas leituras neste Blogue.

 Abraço. 



ESTÁ CONSUMADO

🙏 




NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO III

                                            Inverno Rigoroso

Com novembro, chegou o frio da serra.
Os encontros passaram a ser mais curtos, as noites mais longas. O grupo já não se reunia tantas vezes como no verão.
Mas David e Carol continuavam a caminhar juntos pelas ruas da cidade iluminadas pelos candeeiros amarelos.
E mesmo com o inverno a aproximar-se, havia algo que permanecia quente entre eles.
Um amor jovem, nascido num verão na piscina… e que agora crescia lentamente nas ruas antigas da Covilhã.
O inverno instalou-se definitivamente na Covilhã. O vento frio descia da serra e corria pelas ruas inclinadas da cidade, fazendo as pessoas apertarem os casacos enquanto caminhavam apressadas.
Mesmo assim, havia uma alegria especial no ar. As montras começaram a encher-se de luzes e enfeites. O cheiro a bolo-rei e a filhoses saía das pastelarias, e as ruas ganhavam uma atmosfera diferente.
O Natal aproximava-se.
Numa tarde fria de dezembro, David encontrou Carol junto à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
As luzes de Natal já estavam acesas nas ruas e o sino da igreja ecoava pela cidade.
— A Covilhã fica bonita nesta altura — disse Carol, olhando para as decorações.
— Fica… mas tu ficas mais — respondeu David, meio envergonhado.
Carol riu.
Caminharam até ao centro, passando pela Confeitaria Lisbonense, onde as vitrinas estavam cheias de sonhos, rabanadas e bolo-rei.
Entraram para se aquecer.
O senhor José, atrás do balcão, reconheceu-os imediatamente.
— Então, os namorados da piscina! Já estão preparados para o Natal?
David corou, enquanto Carol escondia o sorriso.
Sentaram-se junto à janela. Lá fora, algumas pessoas passavam com sacos de compras e crianças apontavam para as luzes nas árvores.
— O que pediste para o Natal? — perguntou David.
— Nada especial… talvez só que tudo fique como está.
David olhou para ela com atenção.
— Eu também.
Na noite de Natal, cada um ficou com a sua família.
David jantou no pequeno apartamento do centro da cidade. Depois da ceia, saiu à varanda. Lá ao longe via as luzes da cidade espalhadas pela encosta.
Pensou em Carol.
Ao mesmo tempo, no Bairro da Estação, Carol também pensava nele. O som distante de um comboio a passar pela estação misturava-se com as vozes da família na sala.
No dia seguinte encontraram-se novamente.
Trocaram pequenos presentes:
David ofereceu-lhe um cachecol azul.
Carol deu-lhe um pequeno caderno com capa de couro.
— Para escreveres histórias — disse ela.
— Histórias?
— Sim… sobre nós, talvez.
David sorriu.
À medida que o ano se aproximava do fim, os amigos começaram a falar da grande festa de passagem de ano.
Seria no GIR Rodrigo, um dos lugares mais animados da cidade.
— Vai haver baile! — dizia Nando entusiasmado.
— E música ao vivo — acrescentava Paula.
Todos combinaram ir.
A noite de fim de ano
Na noite de 31 de dezembro de 1978, o salão do GIR Rodrigo estava cheio de gente.
As luzes coloridas refletiam-se no chão encerado, e a banda tocava músicas que faziam toda a gente dançar.
David chegou primeiro com Rui e Nando.
Pouco depois, Carol entrou com as amigas.
David quase deixou cair o copo quando a viu.
Ela usava um vestido simples, mas elegante, e o cabelo caía-lhe sobre os ombros.
— Estás linda — disse ele.
— E tu estás nervoso — respondeu Carol, sorrindo.
A música começou e foram para a pista.
Dançaram, riram, encontraram os amigos e voltaram a dançar outra vez.
Meia-noite
Pouco antes da meia-noite, a música parou e alguém começou a contagem decrescente.
— Dez… nove… oito…
O salão inteiro repetia os números.
David e Carol estavam lado a lado.
— Três… dois… um…
Feliz Ano Novo!
Abraços, gargalhadas e brindes ecoaram pelo salão.
David olhou para Carol.
Por um segundo, o barulho à volta pareceu desaparecer.
— Feliz Ano Novo, Carol.
— Feliz Ano Novo, David.
Ele aproximou-se devagar e deu-lhe um beijo.
O primeiro beijo do novo ano.
Lá fora, no céu frio da Covilhã, rebentavam alguns foguetes improvisados.
E naquele instante, no início de 1979, parecia que toda a cidade celebrava não só a chegada de um novo ano… mas também o amor que tinha começado meses antes numa piscina de verão.

Continua…



NUNCA DIGAS NUNCA - CAPÍTULO II

                                                Capítulo II
                                            Outono


O verão terminou devagar, quase sem ninguém dar por isso. As tardes ficaram mais curtas e o vento da serra começou a trazer o cheiro das folhas molhadas.
Na Piscina dos Penedos Altos já não se ouviam as gargalhadas do grupo. As portas fecharam e o silêncio tomou conta do lugar onde, durante meses, tinham vivido tantas aventuras.
Mas David e Carol continuavam a encontrar-se.
Agora os encontros eram no centro da cidade.
Num sábado à tarde, David esperava Carol à porta do Teatro Cine da Covilhã. Segurava dois bilhetes amassados na mão.
Quando Carol apareceu, com um casaco castanho e uma pasta da escola debaixo do braço, o sorriso de David surgiu imediatamente.
— Ainda vamos a tempo? — perguntou ela.
— Claro… comprei os bilhetes mais cedo.
Entraram na sala escura do cinema, onde o cheiro a madeira se misturava com o murmúrio das pessoas. Durante o filme, as mãos deles tocaram-se discretamente.
Nenhum dos dois disse nada.
Mas ficaram assim, de mãos dadas, até o ecrã voltar a ficar branco.
Depois do cinema, o grupo às vezes encontrava-se na Confeitaria Lisbonense.
As vitrinas estavam cheias de bolos e pastéis, e o senhor José atendia sempre com o mesmo sorriso.
— O costume? — perguntava ele.
David pedia uma meia de leite e Carol escolhia quase sempre um mil-folhas.
Sentavam-se numa mesa perto da janela enquanto os amigos falavam alto e contavam histórias da escola.
Carol, às vezes, olhava pela janela para as pessoas que passavam.
— Um dia vou sair daqui para ver o mundo — disse ela certa vez.
David ficou em silêncio por alguns segundos.
— E voltas?
Carol olhou para ele.
— Talvez… se tiver alguém à minha espera.
Caminhos da escola
Com o começo das aulas, as rotinas mudaram.
David estudava no Liceu Nacional da Covilhã. Todas as manhãs descia a Avenida 25 de Abril com os livros debaixo do braço, encontrando colegas pelo caminho.
Carol passava muitas vezes por ali quando vinha do Bairro da Estação.
Às vezes encontravam-se à porta do liceu, afinal ela estudava logo em frente na escola Campos Melo.
— Já tens teste hoje? — perguntava ela.
— Matemática… vou precisar de sorte.
— Então toma — dizia ela, dando-lhe um pequeno beijo na face.
E David entrava na escola com um sorriso que durava o resto do dia.
Havia também momentos mais tranquilos.
Numa tarde de domingo, caminharam até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Lá dentro reinava um silêncio profundo. A luz entrava pelos vitrais e pintava o chão de cores suaves.
Sentaram-se lado a lado num banco de madeira.
— Gosto deste silêncio — sussurrou Carol.
David olhou para o altar e depois para ela.
— Eu também.
Não falaram mais durante algum tempo. Apenas ficaram ali, lado a lado, como se o mundo lá fora estivesse muito longe.

Continua…
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Bom dia para todos nós🍀



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...