O CAMPO DAS FESTAS

Há lugares que não são apenas espaços. São pedaços da nossa vida.

Para muitos covilhanenses, o Campo das Festas foi muito mais do que um terreno amplo no coração da cidade. Foi um palco de sonhos, de encontros, de emoções e de memórias que o tempo não conseguiu apagar.

Quem viveu aqueles tempos lembra-se bem da grandiosidade da Feira de São Tiago. Durante dias, aquele espaço transformava-se numa verdadeira cidade dentro da cidade. Chegava gente de todo o país, de comboio, de autocarro ou em viatura própria. Havia movimento por todo o lado, vozes, música, vendedores, compradores, luzes e animação até perder de vista.

E depois vinham os circos...

 Para nós, miúdos, a chegada de um circo era um acontecimento mágico. Ficávamos fascinados ao ver os enormes camiões, as tendas gigantes a erguerem-se e os animais que só conhecíamos dos livros ou da televisão. Leões, tigres, elefantes... Parecia que o mundo inteiro tinha vindo parar à Covilhã.

E quantos de nós não aproveitámos uma distração dos porteiros para passar por baixo da lona e espreitar o espetáculo? 

O Campo das Festas era também o nosso estádio improvisado. Jogávamos à bola durante horas, sem relógios, sem telemóveis e sem preocupações. O único problema era quando alguém rematava a bola para os lados da Avenida Frei Heitor Pinto. Aí começava outra aventura: descer aquela encosta para a recuperar. E nem todos tinham coragem para isso!

Também foi durante muitos anos o local onde estacionavam dezenas de autocarros vindos de todos os cantos do país. Os turistas passavam a noite na cidade e, ao nascer do dia, seguiam rumo à Serra da Estrela para ver a neve. A Covilhã respirava turismo, vida e movimento.

Hoje, quando passo por lá, sinto uma mistura de saudade e tristeza.

O Campo das Festas já não tem o brilho de outros tempos. O espaço continua lá, mas a magia parece ter desaparecido. As gargalhadas, os espetáculos, os jogos de futebol improvisados e a azáfama das grandes feiras vivem agora apenas na memória de quem teve a sorte de os viver.

Talvez os mais novos nunca consigam imaginar o que aquele lugar representou para várias gerações.

Por isso, merecia pelo menos uma placa, um monumento ou um simples sinal que contasse a sua história.

Porque há lugares que fazem parte da identidade de uma cidade.

E o Campo das Festas foi, sem dúvida, um deles.
💗Honra lhe seja feita.

Feliz sábado para todos nós 🍀



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