MEMÓRIAS DE SÃO FRANCISCO

Há Freguesias onde as pessoas vivem.

E há Freguesias que vivem para sempre dentro de nós.
São Francisco é uma delas.

Nasci na Rua Comendador Campos Melo, a nossa eterna Rua Direita, bem no coração da Covilhã. Foi ali que aprendi o verdadeiro significado da palavra infância. Uma infância sem telemóveis, sem internet, sem videojogos… mas com uma riqueza que hoje vale ouro: a liberdade.
O Jardim Público era o nosso mundo. Jogávamos às apanhadas, ao berlinde, aos castelos, às escondidas e inventávamos brincadeiras que duravam horas. Quando construíram o parque infantil, parecia que tínhamos recebido um parque de diversões. Quem não se lembra da "barca" constantemente virada ao contrário? Dos cavalinhos que pareciam andar à velocidade da luz? E dos baloiços onde acreditávamos que conseguíamos tocar no céu? 

No adro da Igreja de São Francisco jogava-se à bola, mesmo sabendo que, mais cedo ou mais tarde, o Sr. Padre apareceria à porta a ralhar connosco. Mas isso nunca nos demovia.
Juntávamos moedas entre todos e, com apenas 2$50, um de nós ia à loja do Sr. Raúl Paiva ou do Sr. Morão comprar uma bola de plástico. Vinham penduradas em enormes sacos à porta da loja. Duravam pouco… Bastava um remate mais forte e ficavam com uma forma que nem o melhor guarda-redes conseguia prever. 
E depois havia o inesquecível Campo das Festas. Que jogos épicos ali se fizeram! Havia equipas, árbitro, discussões, golos e muita paixão. O drama começava quando uma "rosca" mandava a bola até à Avenida Frei Heitor Pinto. Quem a fosse buscar tinha de descer… e depois subir tudo outra vez. Era o preço da glória.

Quando a barriga começava a dar horas, seguíamos para a padaria da Dona São, no Largo de Infantaria 21. Recebia-nos sempre com um sorriso. Era ali que as nossas mães compravam o pão e onde tantas vezes se dizia: "Fica na conta."

As festas de São João transformavam a Freguesia. Havia bailaricos, fogueiras, cheiro a rosmaninho, música e alegria até altas horas. Ainda me lembro do senhor que vendia bombinhas e estalinhos na Avenida Frei Heitor Pinto. No Carnaval vinham as garrafinhas de mau cheiro, as seringas de água e as batalhas que hoje fariam qualquer adulto entrar em pânico. Felizmente, naquele tempo ainda não existia a ASAE... nem as redes sociais para filmar tudo! 
E quem esquece os grandes bailes no Arsenal de São Francisco?
Os fins de semana de inverno eram outro espetáculo. Nos anos 70 e 80, centenas de autocarros chegavam à Covilhã rumo à Serra da Estrela. A cidade fervilhava de vida. Os hotéis estavam cheios, os cafés apinhados, o Teatro-Cine e o Cine Centro com lotações esgotadas. Lembro-me de muitas vezes nem conseguir entrar na Leitaria Triunfo, tal era a multidão.

Poderia escrever durante horas sobre São Francisco. Recordar vizinhos, comerciantes, jardineiros, funcionários da Biblioteca, dirigentes das coletividades, sacerdotes… Tenho receio de esquecer alguém, porque todos fizeram parte desta história.

Deixo um abraço muito especial ao Sr. Padre Fernando Brito, a todos os amigos dessa época e, sobretudo, aos nossos pais, muitos deles já ausentes, mas eternamente presentes naquilo que somos hoje.

Obrigado.
Obrigado por nos terem dado uma infância que nenhuma tecnologia conseguirá substituir.
Obrigado por nos ensinarem que a felicidade podia morar numa bola de plástico, num baloiço, numa fatia de pão ou numa rua cheia de amigos.

Porque nós não tivemos tudo…
Mas tivemos tudo o que realmente importava.

Bom dia para todos nós 🍀



O PROBLEMA DAS PESSOAS É NÃO DIZEREM O QUE PENSAM, MAS SIM O QUE OS OUTROS QUEREM OUVIR.


Vivemos numa época em que as palavras são escolhidas com mais cuidado do que os sentimentos. Antes de respondermos, pensamos se vamos agradar. Antes de dizermos o que realmente sentimos, perguntamos a nós próprios se alguém ficará ofendido, se perderemos uma amizade, um relacionamento ou até a aprovação de quem nos rodeia.

E, pouco a pouco, vamos vestindo máscaras.

Dizemos "está tudo bem" quando estamos por dentro a desabar. Sorrimos quando a vontade é chorar. Concordamos quando, no íntimo, discordamos. E elogiamos apenas porque o silêncio poderia ser mal interpretado.
O problema é que viver para agradar aos outros tem um preço muito elevado: deixamos de ser nós próprios.
Há quem passe anos a representar um papel. O amigo que nunca diz "não". O companheiro que aceita tudo para evitar discussões. O funcionário que se cala perante uma injustiça. O filho que escolhe uma vida que nunca desejou apenas para corresponder às expectativas da família.

A verdade é que quem vive constantemente preocupado em dizer aquilo que os outros querem ouvir acaba por esquecer aquilo que realmente pensa e sente.
Ser sincero não significa ser rude. Não significa magoar deliberadamente ninguém. Significa apenas ter a coragem de ser verdadeiro.

É possível dizer "não" com educação.
É possível discordar com respeito.
É possível terminar uma relação sem humilhar.
É possível dizer "gosto de ti", "tenho saudades" ou "estou magoado" sem vergonha.

Infelizmente, preferimos muitas vezes o conforto da mentira à responsabilidade da verdade.
Vivemos rodeados de pessoas que dizem "conta sempre comigo", mas desaparecem quando mais precisamos. De quem promete telefonar e nunca liga. 

De quem elogia pela frente e critica pelas costas. De quem diz "és importante" apenas porque fica bem dizê-lo.
As palavras perderam peso porque, demasiadas vezes, deixaram de nascer do coração.

Curiosamente, as pessoas que mais admiramos costumam ser aquelas que falam com autenticidade. Nem sempre dizem o que queremos ouvir, mas dizem aquilo em que acreditam. E isso transmite confiança.

A sinceridade pode, por vezes, criar um momento de desconforto. A falsidade cria uma vida inteira de desilusão.
Talvez esteja na altura de trocarmos a necessidade de aprovação pela tranquilidade da consciência. De falarmos menos para impressionar e mais para comunicar. De dizermos aquilo que sentimos, mesmo que nem todos concordem.

Porque quem gosta de nós apenas quando dizemos aquilo que quer ouvir nunca gostou verdadeiramente da nossa essência.

No final de tudo, as relações mais fortes não são construídas com frases bonitas, mas com verdades ditas com respeito. E talvez o mundo fosse um lugar mais leve se cada um tivesse menos medo de ser autêntico e mais coragem para deixar que a sua voz refletisse aquilo que o coração realmente sente.

Porque a pior mentira não é aquela que contamos aos outros… é aquela que repetimos a nós próprios todos os dias, apenas para sermos aceites.

Boa noite para todos nós 🌙



PORTUGAL EM SEGUNDO LUGAR NO GRUPO K

Portugal e Colômbia empatam numa partida sem golos e os sul-americanos ficam em primeiro do Grupo K, a equipa lusa fica em segundo. Portugal vai defrontar a Croácia nos 16 avos de final do Mundial'2026, à meia-noite da madrugada de quinta para sexta-feira (dia 2 para 3 de julho), em Toronto, no Canadá. Na outra partida do Grupo a RD Congo venceu com reviravolta (3-1) frente ao Uzbequistão, e conseguiu uma qualificação histórica para os 16 avos de final.



A VELHINHA EN 18… QUANDO A VIAGEM ERA TÃO IMPORTANTE COMO O DESTINO

Houve um tempo em que sair da Covilhã não era apenas pegar no carro e chegar depressa. Era partir para uma aventura.

A velha EN 18 não era uma simples estrada. Era uma coleção de memórias, de paisagens, de cheiros, de conversas e de paragens que ficaram gravadas na vida de quem por ela passou.

A viagem começava na Covilhã, com a Serra da Estrela a despedir-se pelo espelho retrovisor, as curvas em direção ao Fundão, o imponente perfil de Alpedrinha, sempre ali, encostada à serra, como uma varanda sobre a Cova da Beira.

E quem não se lembra da obrigatória paragem no alto de Alpedrinha?
Não havia GPS nem aplicações a dizer onde comer. Havia experiência. Havia tradição. Havia aqueles restaurantes onde já se sabia que a comida era caseira, onde a sopa fumegava, o vinho era servido em jarro e o café era bebido sem pressa, porque ainda faltavam muitos quilómetros para o destino.

Muitas famílias nem sequer entravam em restaurantes.
Levavam a geleira, a toalha aos quadrados, o frango assado, as pataniscas, os ovos cozidos, a salada de tomate e o garrafão de água fresca. Bastava encontrar uma sombra à beira da estrada e ali nascia o melhor restaurante do mundo.
O almoço sabia melhor porque tinha paisagem.
E que paisagens!

Campos dourados, olivais intermináveis, sobreiros, pequenas aldeias, rebanhos a atravessar a estrada, cegonhas nos postes, tratores que obrigavam a reduzir a velocidade... e ninguém se importava.
A viagem fazia parte das férias.
Claro que havia também momentos... menos perfumados.

Quem passou pela Vila Velha de Ródão dificilmente esquece aquele cheiro intenso e nauseabundo que durante muitos anos invadia a estrada, vindo das fábricas de pasta de papel. Era quase um marco da viagem.
Bastava alguém dizer:
— "Já estamos em Ródão..."
Nem era preciso olhar para as placas.
O nariz tratava do assunto.

Depois vinham as Portas de Ródão, o Tejo, as fragas gigantescas, uma das paisagens naturais mais bonitas do país, e a estrada continuava a contar histórias.
Mais à frente esperavam localidades como Nisa, Portalegre, Estremoz, Évora ou tantas outras, dependendo do rumo escolhido. Cada quilómetro tinha identidade própria.

Hoje fazemos o mesmo percurso pela A23.
É rápida.
É confortável.
É segura.
E isso tem um valor enorme.
Ganhamos tempo. Muito tempo.
Mas perdemos qualquer coisa pelo caminho.
Perdemos a surpresa de descobrir uma terra sem estar planeado.
Perdemos os cafés de beira de estrada onde toda a gente se conhecia.
Perdemos as pequenas lojas, os restaurantes familiares, os miradouros improvisados.
Perdemos aquela sensação de que viajar era viver.

Hoje quase tudo acontece entre separadores centrais, túneis, viadutos e áreas de serviço, onde o café sabe ao mesmo em qualquer lugar.
Chega-se mais cedo.
Mas leva-se menos viagem na memória.

A velha EN 18 ensinava-nos que o destino era importante... mas que o caminho podia ser ainda melhor.
Talvez seja por isso que quem a percorreu nunca a esquece.
Porque algumas estradas não ligavam apenas cidades.
Ligavam pessoas.
Ligavam famílias.
Ligavam momentos felizes.

E essas... não aparecem em nenhum mapa.

Feliz domingo para todos nós 🍀



SETEMBRO DE 1979 - FÉRIAS NA NAZARÉ

Há muito, muito tempo, parti da cidade da Covilhã para umas férias merecidas. Estávamos no quente mês de setembro de 1979.

Naquela altura, as aulas só começavam em outubro e os preços para os veraneantes eram mais baixos no último mês de verão.

A Nazaré era uma terra pacata, escolhida por muitos covilhanenses para passar uns dias de descanso. E foi para lá que seguimos eu, a minha mãe e a minha avó.
Nesse ano resolvemos ir de comboio até ao Entroncamento, depois apanhámos uma camioneta para Torres Novas e ainda outra de Torres Novas para a Nazaré.
Mal chegámos, logo algumas nazarenas das sete saias nos abordaram para saber se estávamos interessados em quartos. Acabámos por ficar logo na primeira casa que arrendámos por uma semana.

A Rua António Carvalho Laranjo ficava perto da praia — era só descê-la — e, da janela do meu quarto, ouvia-se o som de um rádio com músicas do Marco Paulo. Mesmo por trás da casa estava outro casal, com os filhos, também naturais da Covilhã.

De manhã, ao acordar, lá descia eu a rua em direção à praia, com a toalha na mão e a felicidade estampada no rosto. Por vezes o mar estava bravo. Houve até um dia em que a água chegou à Avenida da República, a marginal da Nazaré.

Era fácil conhecer pessoas e jovens da minha idade era o que mais havia. Perto da hora de almoço regressava a casa e, pelo caminho, o cheiro a sardinha assada tomava conta da rua. Vinha dos restaurantes, que as assavam no exterior e enchiam o ar de verão e de mar.
Geralmente comíamos em casa, porque o Mercado Municipal não ficava longe, mas muitas vezes, sobretudo ao almoço, optávamos por comer nos restaurantes da vila.
Com a barriguinha cheia, deslocava-me à Praça Sousa Oliveira, onde havia uma esplanada e um salão de jogos com máquinas de flippers para me entreter um pouco. Havia também uma banca que vendia livros aos quadradinhos, como o Mundo de Aventuras, o FBI e outros do género, que eu comprava para ler no quarto.

Por volta das quinze horas, voltava novamente para a praia, desta vez na companhia da família.
A noite era aproveitada para passear pela Avenida da República. Depois de irmos ao café, eu seguia sozinho a caminhar, saboreando a brisa do mar e o som das ondas em noites estreladas. Que serenidade aquilo me dava… que paz de espírito…

Quem passa férias na Nazaré, ou quem vai apenas de passagem, não pode deixar de visitar o Sítio. É um local lindíssimo, de onde se aprecia uma paisagem magnífica. Para lá chegar, apanha-se o elevador, que parece levar-nos ao céu. São pontos de referência o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e o miradouro.

Cinco dias passavam depressa demais, mas eram suficientes para nos encher a alma para o ano inteiro que vinha pela frente.
Todo o tempo que passei nessa linda praia da Nazaré nunca irei esquecer. Não só esse ano de 1979, mas também outros anos em que lá estive durante a minha infância e adolescência.
Senti tanto aqueles momentos, vivi-os com tanta intensidade, que acabei por passar a Nazaré à categoria de minha praia adotiva.

Há anos que lá não vou, mas continuo com vontade de regressar. Rever aquela boa gente, simples e humilde, e talvez reencontrar um pouco daquele rapaz que um dia desceu uma rua com a toalha na mão e o coração cheio de verão.
Que Deus lhes dê muita vida e muita saúde.

Depois deste texto estar concluído, voltei, no ano passado, à Praia da Nazaré. 💛

Bom dia para todos nós 🍀



HÁ GESTOS QUE VALEM MAIS QUE MIL DISCURSOS

Há pessoas que falam de paz, mas semeiam guerras.
Que apregoam bondade, mas vivem de aparências.
Que dizem ser luz, mas carregam sombra no coração.
Que estendem a mão em público, mas fecham-na em privado.

Vivemos num tempo em que muitos anunciam o bem como se fosse troféu.
Mostram, exibem, contam, publicam…
como se a solidariedade precisasse de plateia
e o amor tivesse de vir acompanhado de aplausos.

Mas depois existem os outros.

Os que ajudam em silêncio.
Os que estendem a mão sem perguntar quem está a ver.
Os que dão sem esperar retribuição.
Os que aliviam a dor dos outros sem fazer disso bandeira.

Esses são os maiores.

Porque a verdadeira bondade não faz barulho.
A verdadeira generosidade não precisa de palco.
E o amor, quando é sincero, não vem com fatura nem com publicidade.

Gabarmo-nos do bem que fazemos tira-lhe pureza.
Transforma a dádiva em vaidade.
E quando a ajuda serve para alimentar o ego, já não nasce do coração — nasce da necessidade de ser visto.

Ajudar por amor é outra coisa.
É dar sem contar.
É estar sem cobrar.
É fazer o bem e seguir caminho, em silêncio, com a alma em paz.

No fim, quem mais merece admiração nem sempre é quem mais aparece.

É, quase sempre, quem mais ama… sem precisar que o mundo saiba.

Bom dia para todos nós 🍀



AOS OLHOS DE DEUS, SOMOS TODOS IGUAIS

Há pessoas boas e más em todas as etnias, em todas as raças, em todos os credos e em todos os cantos do mundo.

A cor da pele não define o caráter.
A origem não mede a dignidade.
A religião não faz ninguém superior a ninguém.

O que nos distingue não é a raça, é o coração.
Não é a cor, é a alma.
Não é o nome, é a forma como tratamos os outros.

Perante Deus, não há sangue mais puro, nem gente mais importante.
Há apenas seres humanos.

Todos com o mesmo direito ao respeito, à dignidade e ao amor.

O racismo é uma das formas mais tristes de ignorância, porque julga por fora aquilo que só o interior pode revelar.

 Num mundo já tão ferido por guerras, ódios e divisões, está mais do que na hora de aprendermos o essencial:
ninguém é maior do que ninguém.

#racismonão

Bom dia para todos nós 🍀



NÃO GOSTO DE...

Não gosto de pessoas falsas.
De quem sorri pela frente e apunhala por trás.

Não gosto de brincar à caridade.
A solidariedade não pode servir de palco para vaidades.

Não gosto de inveja.
Há lugar para todos, sem precisar de atropelar ninguém.

Não gosto de oportunistas.
Sobem à custa dos outros e ainda se julgam gigantes.

Não gosto de extremismos.
A História já mostrou, com sangue e horror, onde esse caminho pode levar.

Não gosto de ver crianças tristes.
E quando a tristeza vem da fome, dói ainda mais.

Não gosto de hipocrisia.
Nem de má educação disfarçada de modernidade.

Não gosto de guerras.
Nem de pessimistas.
Nem de máscaras — por isso também nunca gostei muito do Carnaval.

E não gosto de gente que vive de aparência, de falsidade e de manobras de bastidores.

 No fundo, não gosto de tudo aquilo que tira verdade ao mundo.

Prefiro gente frontal.
Prefiro caráter.
Prefiro empatia.
Prefiro luz.

Porque viver já é difícil demais para ainda termos de carregar gente falsa às costas.

Bom dia para todos nós 🍀



PORTUGAL GOLEIA UZBEQUISTÃO POR 5-0

Portugal disparou primeiro e perguntou depois

A seleção acalmou a fervura. E também Ronaldo, que caminhava sobre brasas, pôde colocar os pés em água fria. Marcou dois golos e afastou a pressão de não marcar há dez jogos em Mundiais e Europeus.

Este grande desempenho, em Houston, na 2.ª jornada do Grupo K, permite à seleção sair do jogo pela porta da frente, fresca e muito segura de que vai estar nos 16 avos-de-final da prova – e confiante, mesmo que não certa, de que o fará em primeiro lugar no grupo.

Golos de Ronaldo (2), Nuno Mendes, Nematov (Própria baliza), e Rafael Leão.






HOJE NÃO JOGA APENAS UMA EQUIPA. JOGA UM PAÍS INTEIRO.

Hoje é dia de deixar tudo em campo.

Dia de sofrer, de vibrar, de acreditar até ao último segundo.

Porque os portugueses podem cair, podem ser postos à prova, podem até sofrer mais do que muitos… mas há uma coisa que nunca sabem fazer: desistir.

Somos um povo de coragem.
Um povo habituado às dificuldades.
Um povo que transforma lágrimas em força e pressão em raça.
E é por isso que, quando a Seleção entra em campo, não entram apenas onze jogadores.
Entramos todos.
Entram os que estão nas bancadas, os que gritam em casa, os que sofrem em silêncio, os que vivem cada lance como se fosse o último.

Ali não há clubes.
Não há divisões.
Não há favoritos.
Ali há apenas uma camisola.
Uma bandeira.
Um hino.
Um povo inteiro a empurrar na mesma direção.

Hoje não é dia de críticas.
Hoje é dia de união.
Dia de acreditar.
Dia de vestir as cores de Portugal com orgulho no peito e esperança no coração.

Porque no fim logo se vê.
E as contas fazem-se no apito final.
Até lá… acredita-se, luta-se e apoia-se.

Eu acredito.
E tu?

FORÇA PORTUGAL!



UM DIA SEREMOS APENAS UMA FOTO NA ESTANTE DE ALGUÉM

Um dia seremos apenas uma fotografia pousada numa estante, pendurada numa parede ou guardada numa velha gaveta. Um retrato que alguém irá olhar com saudade, lembrando-se de quem fomos, das palavras que dissemos, dos abraços que demos e dos momentos que partilhámos.

A verdade é que passamos grande parte da vida preocupados com coisas que, vistas à distância do tempo, pouco significado terão. Preocupamo-nos com rugas, cabelos brancos, alguns quilos a mais, pequenas imperfeições que julgamos enormes. Corremos atrás de um ideal de perfeição que nem sequer existe, esquecendo-nos de viver.

Aproveitem o estado físico que têm hoje. Não esperem pelo peso ideal para ir à praia. Não esperem pela roupa perfeita para tirar uma fotografia. Não adiem uma caminhada, uma viagem, um mergulho no mar ou uma dança porque acham que já não têm a mesma forma de antigamente.

Daqui a alguns anos, quando alguém pegar numa fotografia vossa, não irá reparar nas rugas, nas marcas do tempo ou nas imperfeições que tanto vos preocupavam. Irá ver a pessoa que ali estava. Irá recordar o sorriso, a alegria, a presença. Irá desejar, muitas vezes, voltar a ouvir a vossa voz por apenas mais um minuto.

O tempo tem o estranho hábito de transformar defeitos em saudades. Aquilo que hoje criticamos ao espelho será amanhã uma recordação preciosa para quem nos ama.

Por isso, vivam. Tirem fotografias. Riam alto. Guardem memórias. Abram os braços aos vossos filhos, aos vossos netos, aos amigos de sempre. Saiam de casa. Vistam a roupa que gostam. Aproveitem os dias de sol e até alguns dias de chuva.

Porque um dia seremos apenas uma fotografia na estante de alguém. Mas enquanto esse dia não chega, temos o privilégio de estar do lado de cá da moldura, a escrever a nossa história.

E essa história merece ser vivida com intensidade, gratidão e alegria.

Bom dia para todos nós 🍀



HEIDI, PEDRO, O AVÔ E A CLARA: AMIGOS QUE NUNCA ESQUECEMOS

Há personagens que entram na nossa infância e acabam por ficar connosco para toda a vida. Passam os anos, mudam os tempos, surgem novas séries, novos heróis e novas tecnologias, mas alguns rostos continuam guardados num cantinho especial da nossa memória. Para muitos da nossa geração, a Heidi, o Pedro, o Avô e a Clara fazem parte desse grupo privilegiado.

Heidi não era apenas um desenho animado. Era uma lição de amizade, de simplicidade e de amor pela natureza. Numa época em que havia poucos canais de televisão e em que os desenhos animados eram um acontecimento esperado com ansiedade, bastava ouvir a música de abertura para corrermos para junto do televisor.

A Heidi era a menina de coração puro que encontrava felicidade nas pequenas coisas. Corria pelos prados, conversava com os animais e descobria beleza em tudo o que a rodeava. O Pedro, pastor das montanhas, era o amigo fiel, companheiro de aventuras e guardador de rebanhos. O Avô, homem de poucas palavras mas de enorme coração, transmitia valores que hoje continuam atuais: respeito, trabalho, honestidade e amor incondicional pela família.

E depois havia a Clara, presa a uma cadeira de rodas, que nos ensinava que a amizade consegue derrubar barreiras que parecem impossíveis. Quantos de nós não vibrámos quando a vimos recuperar a esperança? Quantos não sentimos um aperto no coração e, ao mesmo tempo, uma enorme alegria ao acompanhar a sua história?

Naqueles tempos, os episódios eram vividos de forma diferente. Não existiam plataformas de streaming, gravações automáticas nem a possibilidade de ver tudo de seguida. Se perdíamos um episódio, tínhamos de esperar e imaginar o que teria acontecido. Talvez por isso cada capítulo tivesse um sabor especial.
Mas a verdadeira magia da Heidi estava na forma como nos fazia sonhar. Sonhávamos com as montanhas, com os campos verdes, com a liberdade de correr sem preocupações, com a amizade sincera e com um mundo onde as pessoas valiam mais pelo que eram do que pelo que tinham.

Hoje, quando ouvimos a música da série ou vemos uma imagem daqueles personagens, somos transportados para um tempo mais simples. Um tempo em que a felicidade cabia numa tarde de desenhos animados, num pão com chocolate, numa brincadeira na rua ou numa conversa à porta de casa.

A Heidi, o Pedro, o Avô e a Clara não eram apenas personagens de televisão. Eram companheiros das nossas tardes, cúmplices dos nossos sonhos e habitantes permanentes das nossas recordações.
E talvez seja por isso que, passadas tantas décadas, continuamos a sorrir quando alguém pronuncia aqueles nomes. Porque algumas histórias não envelhecem. Ficam guardadas para sempre no coração de quem teve a sorte de crescer com elas. 💗
"As montanhas continuam lá, os anos passaram, mas a Heidi permanece para sempre na memória de uma geração."

Bom domingo para todos nós 🍀



SORROW

 Caros seguidores:

 Olhem só o que eu descobri, uma das minhas canções preferidas nos anos 70' e 80'. 

 Mort Shuman a interpretar Sorrow 

 Feliz sábado!








PROTEJAM A TRANQUILIDADE

Se nos preocuparmos constantemente com coisas insignificantes, quando surgir um verdadeiro problema corremos o risco de não ter forças para o enfrentar.

Evitem as intrigas, os falsos profetas, as más influências e tudo aquilo que transporta carga negativa. Vão ver que a saúde melhora, a mente fica mais leve e o mundo ganha novas cores.

Talvez, nessa altura, consigamos ver mais festas nas aldeias do que tragédias nos noticiários, mais sorrisos do que amarguras e mais esperança do que desilusão.

Quanto aos falsos profetas... cuidado!
Muitas vezes apresentam-se como amigos, pregam o bem, oferecem ajuda e parecem caminhar ao nosso lado. Mas, quando menos esperamos, revelam-se exatamente o contrário daquilo que aparentavam ser.

A vida ensina-nos que nem todos os sorrisos são sinceros e nem todas as mãos estendidas vêm com boas intenções.

Por isso, escolham bem quem deixam entrar no vosso caminho.
A paz vale demasiado para ser entregue a quem vive da intriga, da falsidade ou da traição.
Protejam a vossa tranquilidade. Ela é um dos bens mais preciosos que possuem.

Boa noite para todos nós🌙



A POBREZA ALIMENTA INTERESSES

A pobreza nunca irá acabar enquanto alimentar interesses.

Dizem que a pobreza é um problema que todos querem resolver. Mas, olhando à nossa volta, por vezes parece que ela também alimenta muitos interesses. À sua volta existem instituições, projetos, campanhas, cargos e financiamentos que dependem da sua existência para continuar a funcionar.

Isto não significa que quem ajuda o faça por interesse, porque há muitas pessoas que dedicam a vida a apoiar quem mais precisa com enorme generosidade. Mas a verdade é que, enquanto houver pobreza, haverá também quem viva profissionalmente do combate à pobreza.

Talvez o maior desafio não seja apenas aliviar as dificuldades de quem sofre, mas criar condições para que cada pessoa possa caminhar pelos seus próprios meios. Porque ajudar é importante, mas acabar com a necessidade de ajuda seria ainda mais importante.

E essa é uma reflexão que merece ser feita.

Bom dia para todos nós 🍀



PORTUGAL - 1 CONGO - 1


A seleção portuguesa de futebol empatou hoje a um golo com a República Democrática do Congo, em encontro da primeira jornada do Grupo K do Mundial de 2026.

Em Houston, nos Estados Unidos, Portugal adiantou-se logo aos seis minutos, por João Neves, servido por Pedro Neto, mas, já nos descontos, aos 45+5, Yoane Wissa restabeleceu a igualdade, que se manteve até final.

Com este resultado, portugueses e congoleses seguem com um ponto, na frente do Grupo K, antes do embate entre a Colômbia e o estreante Uzbequistão, na Cidade do México.



O MEU PEQUENO MUNDO

O meu pequeno mundo tem sol e tem chuva, tem arco-íris e tem tormentas.

Tem um grande castelo, construído pedra a pedra, dia após dia, com a ajuda dos príncipes, das princesas e dos plebeus que o frequentam.

Nesse castelo só mora quem eu quero. Quem merece. Quem é verdadeiro.

Há momentos de alegria, mas também de tristeza.
Nos momentos felizes, rimos juntos.
Nos momentos difíceis, choramos juntos.

Porque, no meu pequeno mundo, ninguém caminha sozinho.

Ali, as diferenças perdem importância, os afetos falam mais alto e os laços tornam-se eternos.

E é por isso que, no meu pequeno mundo, somos todos apenas um.

Bom dia para todos nós 🍀



E O SPORTING CLUBE DA COVILHÃ VENCEU

Naquele tempo em que as novas tecnologias não passavam da série Espaço 1999 e em que uma bola de plástico comprada na loja do Sr. Raúl Paiva custava apenas dois escudos e cinquenta centavos, jogar à bola ou construir castelos no Jardim Público era felicidade garantida.

Não tínhamos internet.
Não tínhamos telemóveis.
Não tínhamos redes sociais.

Mas tínhamos uma coisa que hoje parece cada vez mais rara: tempo para viver.

 Era domingo. Dia de futebol.
E quando o Sporting da Covilhã jogava em casa, o dia tinha um sabor especial.
Havia quase um ritual.
Almoçava por volta da uma da tarde e vestia a minha melhor roupa. Sim, porque naquele tempo existia a "roupa de domingo". Não importava se éramos ricos ou pobres; ao domingo vestíamo-nos como se fosse um dia de festa.
Depois seguia para a Leitaria Triunfo, onde o Zé Manuel já me esperava.
Por essa hora, a Covilhã estava ao rubro.
Os cafés cheios.
As ruas movimentadas.
Os autocarros chegavam às dezenas, trazendo turistas que vinham conhecer a Serra da Estrela.
A cidade respirava vida.
Depois do café e do inevitável cigarrinho da ordem, pagava ao Sr. Amaral e lá seguíamos em direção ao Santos Pinto.
Pelo Pelourinho, o trânsito era tanto que o sinaleiro mal tinha mãos para o controlar. No Café MONTALTO entravam e saíam pessoas sem parar, como formigas num carreiro.
Pela Rua Ruy Faleiro formavam-se filas intermináveis de automóveis.
Turistas.
Visitantes do Hospital.
Adeptos de futebol.
Toda a cidade parecia caminhar no mesmo sentido.
Lembro-me até de um motorista de ambulância, junto à Papelaria Ferrão, a tentar abrir caminho no meio daquela confusão.
E, curiosamente, ninguém reclamava.
Porque aquela confusão era sinal de uma cidade viva.

Finalmente subíamos a rampa do Hospital.
Ao longe já se ouvia a música que fazia parte da identidade da cidade:
"Covilhã, Cidade Neve…"
Sentávamo-nos na bancada lateral, do lado do Poço Grande, de onde víamos os jogadores aquecer antes do início da partida.
Tinha chovido na véspera, mas o pelado apresentava-se em boas condições.
E que tarde foi aquela!
Vitória serrana por duas bolas a zero frente ao União de Tomar.
A raça do Fazenda foi decisiva, mas também ficaram na memória o Baixa, o Coimbra e as defesas extraordinárias do Guilherme.
No final do jogo regressávamos a casa.
O trânsito já era menor, embora os carros continuassem a descer da Serra. Os candeeiros começavam a iluminar as ruas e anunciavam a chegada da noite.

Despedia-me do Zé Manuel e recolhia a casa.
Não havia saídas noturnas.
Não havia centros comerciais.
Não havia ecrãs a ocupar cada minuto da nossa vida.
Havia o Domingo Desportivo na RTP 1.
Havia os resumos dos jogos.
Havia a escola no dia seguinte.
E havia aquela sensação maravilhosa de quem tinha aproveitado o dia até ao último minuto.

Hoje, quando recordo esses domingos, percebo que a felicidade não estava nas coisas que possuíamos.
Estava nos amigos.
Nas conversas.
Nos cafés cheios.
Nas ruas com gente.
No futebol ao domingo.

E naquela Covilhã que parecia pequena para quem a via de fora, mas enorme para quem a trazia no coração.
Quem viveu aqueles tempos sabe exatamente do que estou a falar.
E talvez seja por isso que certas memórias nunca envelhecem.

Bom domingo para todos nós🍀



QUANDO UM DIA DE SOL BASTAVA PARA SER FELIZ

Houve um tempo em que bastava abrir a janela e ver o sol para saber que o dia ia ser bom.

Não existiam avisos amarelos, laranjas ou vermelhos. Não havia aplicações meteorológicas a dizer-nos se podíamos ou não sair de casa. Existiam apenas dias bons e dias maus. E, quando o sol aparecia, ninguém precisava de mais explicações.

Saíamos para a rua sem relógios nem telemóveis. O Jardim Público era um dos nossos reinos e qualquer pedaço de terreno servia para uma partida de futebol. Fosse no Campo das Festas, no Largo do Calvário ou noutro qualquer canto da cidade, lá estávamos nós, felizes, a correr atrás de uma bola, sem medo de rasgar as calças ou esfolar os joelhos.

Quando chegava o calor, pegávamos numa toalha, metíamo-la debaixo do braço e seguíamos a pé para a piscina dos Penedos Altos. Parecia uma aventura. Muitas vezes levávamos apenas duas sandes feitas em casa, mas sentíamo-nos donos do mundo. Passávamos ali o dia inteiro, entre mergulhos, gargalhadas e amizades que pareciam eternas.

Nas férias de Verão, em grupo, fazíamos o caminho para as Penhas da Saúde pelos atalhos que os mais velhos nos tinham ensinado. Hoje talvez pareça impensável, mas naquela altura a liberdade era o nosso maior património. Caminhávamos quilómetros sem nos queixarmos, porque o destino era sempre uma recompensa.

E depois veio a adolescência.

As tardes passadas na esplanada do Café MONTALTO tinham um encanto especial. Entre conversas, sonhos e uma imperial fresca, observávamos os gestos quase coreografados do polícia sinaleiro a orientar o trânsito à volta da placa. Parecia fazer parte da paisagem da cidade, como se sempre lá tivesse estado.

O Teatro Cine exibia os seus cartazes semanais, despertando curiosidades e conversas, enquanto a Tabacaria Hermínios era paragem obrigatória para quem queria comprar o jornal e saber das novidades.

Hoje temos mais tecnologia, mais informação e mais conforto. Sabemos a temperatura ao minuto, recebemos alertas para tudo e temos o mundo inteiro dentro de um telemóvel.

Mas, às vezes, dou por mim a pensar que éramos mais ricos quando tínhamos menos.

Porque houve um tempo em que um simples dia de sol bastava para nos fazer felizes.

E talvez essa tenha sido a maior riqueza de todas.

Bom dia para todos nós 🍀



DIA DE PORTUGAL E DIA DA MINHA RENOVAÇÃO PESSOAL

 Bom dia caros seguidores: 

 Hoje é dia 10 de Junho, dia de Portugal, dia de Camões e dia das Comunidades Portuguesas, mas o dia 10 também é de extrema importância para mim, por ser o dia do começo da minha Renovação Pessoal. 

 Cada dia 9 recorda-me o dia que parei de fumar, já lá vão 14 anos, 5 meses e 1 dia. Cada dia 10 recorda-me o dia que parei de beber bebidas alcoólicas e já lá vão 2 anos e 4 meses. 

 A partir do dia 10 de Fevereiro de 2024 começou a minha renovação pessoal e o meu próprio rejuvenescimento interior. Sei que muita coisa ainda me espera,  mas  o mais importante será viver um dia de cada vez, sempre na procura do melhor e rodear-me com tudo o que me faz bem. 

 Paz, muita paz interior e tudo o resto virá por acréscimo. 

 Grande abraço. 




OS SINALEIROS DA COVILHÃ – GUARDIÕES DAS NOSSAS MEMÓRIAS

Há profissões que desapareceram das ruas, mas que continuam vivas na memória de quem teve o privilégio de as conhecer. Os sinaleiros são uma delas.

Antes dos semáforos dominarem os cruzamentos e ditarem o ritmo da circulação, eram homens de farda, de braços erguidos e olhar atento, que organizavam o trânsito e garantiam a segurança de todos. Eram figuras respeitadas, quase tão familiares para os covilhanenses como os vizinhos da porta ao lado.

Ainda hoje recordo os sinaleiros que desempenhavam a sua missão em vários pontos da cidade. Na Rua Comendador Campos Melo, em frente à loja do saudoso Sr. Raul Paiva, estava um deles, sempre vigilante no seu pedestal. Outro encontrava-se entre o MONTIEL e a antiga Farmácia Pedroso, coordenando o movimento incessante de veículos e peões. Havia também o sinaleiro em frente ao Café MONTALTO, e aquele que marcava presença no Largo de São João de Malta.

Curiosamente, apenas não cheguei a conhecer o que desempenhava funções no cruzamento entre a Rua Marquês d'Ávila e Bolama e a Rua Visconde da Coriscada. Talvez tenha pertencido a uma época ligeiramente anterior à minha memória.
A foto que ilustra este texto é de um sinaleiro a controlar o trânsito, precisamente nessa rua.

Naqueles tempos, as pessoas respeitavam profundamente os sinaleiros. Bastava um gesto do braço para que automóveis, camionetas e peões obedecessem sem hesitação. E que gestos eram aqueles! Alguns executavam os movimentos com uma elegância quase militar; outros tinham maneiras tão particulares e expressivas que acabavam por se tornar figuras carismáticas da cidade. Havia até quem observasse os seus movimentos com um sorriso, como se assistisse diariamente a uma pequena representação teatral ao ar livre.

Ao final da tarde, quando o movimento diminuía e o dia se aproximava do fim, os sinaleiros abandonavam os seus pedestais. Desciam do palco onde, durante horas, tinham dirigido a vida da cidade, e recolhiam à esquadra na Rua António Augusto de Aguiar. Era o fim de mais um dia de serviço, cumprido com dedicação e sentido de responsabilidade.

Hoje, os semáforos fazem o trabalho que outrora lhes pertencia. São mais modernos, mais eficientes e nunca se cansam. Mas não sorriem, não cumprimentam, não têm histórias para contar nem deixam memórias.

Os sinaleiros desapareceram das ruas da Covilhã, mas permanecem vivos na lembrança daqueles que os viram trabalhar. Porque algumas pessoas não ficam apenas na História de uma cidade; ficam também guardadas no coração de quem a viveu.

A todos os sinaleiros da Covilhã, e de Portugal, deixo a minha sentida homenagem. Homens que, com dedicação, disciplina e um profundo sentido de serviço público, fizeram parte do quotidiano das nossas cidades e das nossas vidas. Muitos já partiram, outros permanecem apenas nas nossas recordações, mas todos merecem ser lembrados pelo importante papel que desempenharam numa época que jamais será esquecida.

Bom feriado para todos nós 🍀



O NOSSO TEMPO

Não existe mais o " no nosso tempo" nem "no meu tempo".

O nosso tempo é todo o caminho que percorremos desde o dia em que nascemos até ao dia em que partimos.

Enquanto respiramos, enquanto sentimos, enquanto amamos, sonhamos e construímos memórias, esse continua a ser o nosso tempo.

Só quando chega o momento da despedida é que o "nosso tempo" deixa de nos pertencer e passa a ser apenas uma recordação na memória daqueles que ficam.

Por isso, talvez não faça sentido viver preso ao passado ou à espera do futuro.

Porque o nosso tempo é agora.

E cada dia que amanhece faz parte dele.

Bom dia para todos nós 🍀



A VIDA NÃO AVISA

Passamos grande parte da vida a fazer planos.

Planeamos o próximo fim de semana, as próximas férias, o próximo Natal, o próximo verão. Dizemos muitas vezes: "Depois telefono", "Depois passo por lá", "Depois combinamos um café".

Mas a verdade é que a vida nem sempre espera pelo nosso "depois".

Num instante, tudo pode mudar.

Hoje estamos a conversar com alguém, amanhã resta apenas a saudade dessa conversa.
Hoje recebemos um abraço, amanhã daríamos tudo para o voltar a sentir.
Hoje ouvimos uma voz familiar, amanhã procuramo-la na memória.

A vida é bela, mas também é frágil.

Não avisa quando vai mudar.
Não marca hora para partir.
Não pede licença para levar quem amamos.
Não nos dá a oportunidade de voltar atrás para dizer aquilo que ficou por dizer.

E talvez seja por isso que devíamos viver de forma diferente.

Abraçar mais.
Perdoar mais.
Agradecer mais.
Visitar mais.
Amar mais.

Porque acumulamos tantas coisas materiais durante uma vida inteira e, no final, aquilo que realmente fica são os momentos, os afetos e as pessoas que tocaram o nosso coração.

Muitas vezes andamos zangados por coisas sem importância, alimentamos orgulhos inúteis e adiamos gestos simples que poderiam fazer toda a diferença.

A vida ensina-nos, quase sempre tarde demais, que o mais valioso nunca foi o dinheiro, os bens ou as aparências.

O mais valioso são as pessoas.

Por isso, se amas alguém, diz-lhe.
Se tens saudades, procura.
Se tens de pedir desculpa, pede.
Se tens de agradecer, agradece.

Não porque o mundo vá acabar amanhã.

Mas porque ninguém sabe se terá a oportunidade de o fazer amanhã.

E há uma pergunta que devia acompanhar-nos todos os dias:

E se este fosse o último abraço?
E se esta fosse a última conversa?
E se amanhã eu já não estivesse aqui... ou tu já não estivesses para me ouvir?

Vive.
Ama.
Perdoa.
Agradece.

Porque a vida é um sopro... e o tempo que temos com quem amamos é o bem mais precioso que alguma vez possuiremos.

Bom dia para todos nós 🍀



A FALTA DE EMPATIA ATRÁS DE UM ECRÃ

 🍒Ao longo dos anos administrei alguns dos grupos mais conceituados da Covilhã. Fi-lo com dedicação, respeito e com a convicção de que as redes sociais poderiam ser um espaço de partilha, amizade e união entre pessoas que têm algo em comum: o amor pela sua terra.

Infelizmente, com o passar do tempo, fui percebendo uma realidade que me deixou profundamente desiludido.

Muitas pessoas transformaram as redes sociais num palco de críticas, ofensas e ataques gratuitos. Atrás de um ecrã, escondidas pelo conforto da distância, dizem aquilo que dificilmente teriam coragem de dizer frente a frente. A empatia, o respeito e a educação parecem, por vezes, ter ficado pelo caminho.

Vivemos numa época em que se comenta antes de compreender, se julga antes de conhecer e se ataca apenas porque alguém pensa de forma diferente. E isso entristece-me.

Foi precisamente essa falta de humanidade que me levou a afastar-me da administração de grupos que tanto significaram para mim. Não por falta de vontade, mas porque chegou o momento de perceber que a paz interior vale mais do que qualquer número de seguidores, gostos ou comentários.

Na vida, tal como nas redes sociais, aprendi a bloquear, a afastar e a deixar de seguir tudo aquilo que não me acrescenta nada de positivo. Não se trata de arrogância nem de intolerância. Trata-se de proteger a nossa tranquilidade, a nossa saúde emocional e o nosso bem-estar.

Por isso, deixo também um conselho aos meus amigos e amigas: não tenham receio de se afastar de quem vos faz mal. Aproximem-se de quem vos respeita, vos apoia, vos valoriza e vos estende a mão nos momentos difíceis.

A vida já tem desafios suficientes para ainda carregarmos o peso da negatividade dos outros.

Escolham estar perto de pessoas verdadeiras. Pessoas que vos façam sorrir, crescer e acreditar. Pessoas que se alegram genuinamente com as vossas conquistas e que permanecem ao vosso lado quando as coisas não correm bem.

Porque no final de tudo, não são os números que contam. Não são os seguidores, nem as reações, nem os comentários.

O que realmente importa são as pessoas que nos fazem sentir bem, que nos respeitam como somos e que tornam o nosso caminho mais leve.

Essas sim, merecem permanecer na nossa vida.

Bom domingo para todos nós 🍀



O CAMPO DAS FESTAS

Há lugares que não são apenas espaços. São pedaços da nossa vida.

Para muitos covilhanenses, o Campo das Festas foi muito mais do que um terreno amplo no coração da cidade. Foi um palco de sonhos, de encontros, de emoções e de memórias que o tempo não conseguiu apagar.

Quem viveu aqueles tempos lembra-se bem da grandiosidade da Feira de São Tiago. Durante dias, aquele espaço transformava-se numa verdadeira cidade dentro da cidade. Chegava gente de todo o país, de comboio, de autocarro ou em viatura própria. Havia movimento por todo o lado, vozes, música, vendedores, compradores, luzes e animação até perder de vista.

E depois vinham os circos...

 Para nós, miúdos, a chegada de um circo era um acontecimento mágico. Ficávamos fascinados ao ver os enormes camiões, as tendas gigantes a erguerem-se e os animais que só conhecíamos dos livros ou da televisão. Leões, tigres, elefantes... Parecia que o mundo inteiro tinha vindo parar à Covilhã.

E quantos de nós não aproveitámos uma distração dos porteiros para passar por baixo da lona e espreitar o espetáculo? 

O Campo das Festas era também o nosso estádio improvisado. Jogávamos à bola durante horas, sem relógios, sem telemóveis e sem preocupações. O único problema era quando alguém rematava a bola para os lados da Avenida Frei Heitor Pinto. Aí começava outra aventura: descer aquela encosta para a recuperar. E nem todos tinham coragem para isso!

Também foi durante muitos anos o local onde estacionavam dezenas de autocarros vindos de todos os cantos do país. Os turistas passavam a noite na cidade e, ao nascer do dia, seguiam rumo à Serra da Estrela para ver a neve. A Covilhã respirava turismo, vida e movimento.

Hoje, quando passo por lá, sinto uma mistura de saudade e tristeza.

O Campo das Festas já não tem o brilho de outros tempos. O espaço continua lá, mas a magia parece ter desaparecido. As gargalhadas, os espetáculos, os jogos de futebol improvisados e a azáfama das grandes feiras vivem agora apenas na memória de quem teve a sorte de os viver.

Talvez os mais novos nunca consigam imaginar o que aquele lugar representou para várias gerações.

Por isso, merecia pelo menos uma placa, um monumento ou um simples sinal que contasse a sua história.

Porque há lugares que fazem parte da identidade de uma cidade.

E o Campo das Festas foi, sem dúvida, um deles.
💗Honra lhe seja feita.

Feliz sábado para todos nós 🍀



EMPATIA

🍁Pode-se imaginar na pele do outro, contudo ninguém sente a dor como o próprio, pois falar com a dor dos outros é fácil demais.

Vivemos num mundo onde abundam opiniões, conselhos e julgamentos. Muitas vezes, ao vermos alguém atravessar um momento difícil, acreditamos compreender exatamente aquilo que essa pessoa sente. Dizemos frases como "eu percebo-te" ou "sei o que estás a passar". Mas a verdade é que cada dor tem uma intensidade, uma história e uma marca que só quem a vive conhece verdadeiramente.

Podemos imaginar a tristeza de uma perda, a angústia de uma desilusão ou o peso de uma luta diária. Podemos até recordar situações semelhantes nas nossas vidas. No entanto, nunca sentiremos exatamente aquilo que o outro sente, porque ninguém carrega as mesmas memórias, os mesmos medos, as mesmas cicatrizes ou a mesma forma de encarar a vida.

Falar da dor dos outros é relativamente fácil quando a observamos de fora. Difícil é suportá-la quando ela nos bate à porta, quando nos rouba o sono, quando nos aperta o peito e nos acompanha em silêncio durante dias, meses ou até anos. É nesses momentos que percebemos como é injusto julgar e como é importante praticar a empatia.

Por isso, antes de criticar alguém pela forma como reage às dificuldades, devemos lembrar-nos de que nem todas as batalhas são visíveis. Há sorrisos que escondem lágrimas, há silêncios que escondem gritos e há pessoas que carregam pesos que jamais conseguiríamos imaginar.

A verdadeira grandeza não está em dizer que compreendemos tudo. Está em estender a mão sem julgar, em ouvir sem interromper e em respeitar uma dor que, embora possamos tentar compreender, nunca será totalmente nossa.

Porque podemos caminhar ao lado de alguém, mas só quem calça os seus sapatos conhece o caminho, os obstáculos e as feridas que ele deixou pelo percurso.

Bom dia para todos nós 🍀



A CARTA (VIA CTT)

Covilhã, Junho de 1983

Meus queridos amigos,

Passei por aqui apenas para vos dizer que este dia está quase passado.

E vocês, andam bem?

O tempo voa, não é verdade? Ainda há pouco parecia que estávamos no início do ano e agora já sentimos os dias mais longos, o calor a chegar e a alegria do Verão a bater à porta.

Por aqui já deixámos os cobertores mais pesados. As árvores começam a dar um ar da sua graça, vestem-se de verde e enchem a paisagem de vida. É bonito ver a natureza acordar para mais uma estação.

A cidade segue tranquila. As pessoas passeiam ao final da tarde, as crianças brincam na rua até mais tarde e o sol parece não ter pressa de se esconder atrás da serra.

Daqui a pouco vou ver um pouco de televisão e descansar as pernas, porque amanhã é dia de trabalho.

Mas o melhor disto tudo é que amanhã já é sexta-feira…

E só essa ideia já nos põe um sorriso no rosto.

Por hoje despeço-me.

Recebam um forte abraço e muitos beijinhos deste vosso amigo, que vos escreve da bela cidade serrana da Covilhã.

Que a vida vos sorria, que a saúde não vos falte e que nunca se perca o hábito de recordar aqueles que moram no nosso coração.

Com amizade e saudade,

Paulo

Bom dia para todos nós 🍀



UM DIA DE ESCOLA EM 1978

Acordava pelas 7h45.

Lá fora já se ouvia o barulho dos carros e dos autocarros que transportavam estudantes e operários para mais um dia de trabalho. Sem telemóveis, sem internet e sem distrações digitais, a vida começava cedo e a pé.

Saía de casa pela Rua Direita, descia as escadas do Quebra-Costas e passava por São João de Malta, onde os autocarros chegavam cheios de gente vinda das aldeias do concelho.

Era uma Covilhã diferente.
Mais lenta.
Mais simples.
Mais humana.

Ao chegar ao Liceu encontrava os colegas no átrio. Falávamos de futebol, das raparigas e dos testes que se aproximavam. Eu já sabia que Matemática e Física me iam dar dores de cabeça, mas naquela idade as preocupações duravam pouco.

Depois tocava a campainha.

O silêncio instalava-se na sala e apenas os pássaros lá fora pareciam ter autorização para falar.

 No intervalo corríamos para o refeitório, que também servia de bar. Por vezes íamos à padaria junto ao Café Primor comprar os famosos "nevões".

Quem se lembra deles sabe do que falo…

Era impossível comê-los sem ficar com a roupa cheia de açúcar e farinha. 

 As aulas sucediam-se.

Português, Matemática, Biologia…

Os professores eram exigentes, mas respeitados.

E nós, mesmo sem percebermos na altura, estávamos a aprender muito mais do que as matérias dos livros.

Aprendíamos respeito.
Aprendíamos amizade.
Aprendíamos a crescer.

 No intervalo maior, o pátio enchia-se de vida.

Ali contavam-se anedotas, trocavam-se segredos, faziam-se amizades para a vida inteira.

O Rui Paulo Fonseca já mostrava o talento que mais tarde o levaria ao teatro, à televisão e às dobragens da Disney.

Naquele recreio ninguém imaginava o futuro que cada um teria pela frente.

 A última aula parecia sempre a mais longa.

As carteiras verdes alinhadas, o quadro de ardósia, o giz branco, os funcionários atentos no corredor…

Tudo fazia parte daquele pequeno universo que era a nossa escola.

E quando finalmente tocava para a saída, arrumávamos os livros à velocidade da luz e corríamos para casa.

Esperava-nos o almoço.
Esperava-nos a família.
Esperava-nos mais uma tarde de brincadeiras.

Hoje os tempos são outros.

As escolas mudaram.
A tecnologia transformou o mundo.
Mas há algo que nunca mudou:

A saudade daqueles dias.

Dos amigos.
Dos professores.
Dos corredores.
Dos sonhos.

Porque quem viveu a escola nos anos 70 e 80 não guarda apenas recordações.

Guarda pedaços de felicidade que o tempo nunca conseguiu apagar.

Porque, no fim de contas, podemos perder os anos, os lugares e até as pessoas, mas nunca perdemos verdadeiramente os momentos que nos fizeram felizes.

Bom feriado para todos nós🍀



AOS MAIS JOVENS...

Não tenham tanta pressa de crescer.
A vida passa num instante.

Hoje querem ser adultos…
amanhã vão sentir saudades do tempo em que a maior preocupação era brincar, rir e chegar a casa antes de anoitecer.

Escutem os vossos pais, mesmo quando parece que não vos entendem.
Os “cotas” podem não saber tudo sobre o mundo moderno…
mas sabem amar-vos como ninguém.

E quando a vida apertar, falem.
Desabafar não é sinal de fraqueza — é sinal de coragem.
Guardar dores em silêncio pode destruir por dentro até o sorriso mais bonito.

Não são os copos, os charros, as noites loucas ou as aparências que vos tornam mais importantes.
O verdadeiro valor de uma pessoa está no caráter, na humildade e na forma como trata os outros.
Nunca mudem a vossa essência para serem aceites por um grupo.
Quem gostar realmente de vocês ficará pelo coração… não pela máscara.

E nunca se esqueçam desta verdade:
Pode existir muita gente que goste de vocês,
mas ninguém neste mundo terá um amor tão puro e infinito como os vossos pais.

Aproveitem a vida.
Sonhem muito.
Errem, aprendam e levantem-se sempre.

Porque o tempo voa…
e um dia vão perceber que as coisas mais valiosas da vida nunca foram as materiais, mas sim os momentos, os abraços e as pessoas que caminharam ao vosso lado.

Boa tarde para todos nós 🍀



ATITUDES

Chega uma altura da vida em que percebemos que agradar a toda a gente é impossível.
Por mais correto que sejas, haverá sempre alguém para criticar a tua maneira de pensar, agir ou sentir.

Durante muito tempo preocupamo-nos demasiado com a opinião dos outros.
Calamo-nos para evitar conflitos.
Sorrimos quando estamos magoados.
Concordamos apenas para sermos aceites.

Mas viver assim é deixar de ser nós próprios.

Hoje prefiro perder aplausos do que perder a minha essência.
Prefiro ser verdadeiro e incomodar, do que ser falso apenas para agradar.

Não tenho de pensar igual aos outros para os respeitar.
Cada pessoa tem o direito de defender aquilo em que acredita, desde que o faça com dignidade e consciência.

A verdadeira liberdade começa quando deixamos de viver para a aprovação alheia.

Porque no final do dia, quando o barulho do mundo se cala, existe apenas uma pergunta realmente importante:

“Consigo dormir de consciência tranquila?”

Se a resposta for sim, então já vencemos uma das maiores batalhas da vida.

Bom dia para todos nós 🍀



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...