DOMINGOS DE CHUVA

Os domingos de chuva da nossa infância tinham outra magia…

Nos anos 70 e 80, os domingos na Covilhã começavam cedo. Ainda mal amanhecia e já os cafés estavam cheios de turistas, de gorro na cabeça, prontos para subir à Serra da Estrela.
Às seis da manhã já havia chávenas a tilintar, torradas na mesa e conversas que enchiam as ruas de vida.

Galp, Montanha, Danúbio, Montalto, Solneve, Ritz, Polo Norte… cafés não faltavam. E tabernas? Havia tantas que pareciam nunca ter fim.

Enquanto uns corriam para a serra, outros vestiam a roupa de domingo para a missa. E os miúdos mais traquinas ainda tentavam fugir… mas tinham sempre de decorar a cor da batina do padre, não fossem os pais fazer perguntas à chegada a casa 😊

As tardes de chuva passavam devagar.
Ouviam-se relatos de futebol na rádio, via-se o “Passeio dos Alegres”, ou então saía-se para o Teatro Cine, para o Cine Centro ou para apoiar o Sporting da Covilhã no Santos Pinto. Naquele tempo, chuva, frio ou neve não serviam de desculpa para faltar.

E talvez o mais bonito fosse isto:
era impossível andar sozinho. Havia sempre amigos, conversa, gargalhadas e tempo uns para os outros. Não existiam redes sociais, mas existia algo muito mais raro hoje em dia… presença.

Vivíamos com menos tecnologia… mas, talvez, com muito mais humanidade. 💗
Quem viveu estes tempos na Covilhã vai sentir este texto no coração.

E quem não viveu… dificilmente conseguirá imaginar a beleza simples daqueles domingos.

Bom domingo para todos nós🍀

Igreja de Nossa Senhora da Conceição


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