🌿MEMÓRIAS DA RUA DIREITA

Falar da Rua Direita é, para mim, um misto de emoções. É uma nostalgia que nunca acaba e que o tempo jamais conseguirá apagar.

Nasci no n.º 82, num primeiro andar de uma casa cujo rés do chão era ocupado pelo Café Danúbio, propriedade dos meus pais. O meu pai, o conhecido Zé Caninhas, além de ser proprietário do café, teve também um automóvel de aluguer na antiga praça de carros.

Foi naquela rua que vivi a minha infância e adolescência. Percorri aqueles passeios milhares de vezes, ora em direção ao Jardim Público, ora a subir rumo ao Pelourinho. Cada pedra da calçada guarda uma recordação, cada porta uma história, cada esquina um pedaço da minha vida.

A Rua Direita, que na realidade se chama Rua Comendador Campos Melo, era, nas décadas de 70 e 80, um verdadeiro centro comercial a céu aberto. Havia de tudo um pouco: bancos, cafés, lojas de pronto-a-vestir, sapatarias, alfaiates, escritórios ligados aos têxteis, mercearias, casas de ferragens, livrarias, ourivesarias, perfumarias e tantos outros estabelecimentos que faziam daquela rua uma das mais movimentadas da cidade. Como se costuma dizer, havia "do bom e do melhor".

Lembro-me de o Café Danúbio ser parede-meia com o Café Montanha. Nunca existiram rivalidades entre ambos. Os clientes conviviam naturalmente, conheciam-se e respeitavam-se. Era um ambiente saudável, onde imperava a amizade. Naquele tempo, os cafés praticamente não tinham dia de encerramento e mantinham-se abertos durante todo o ano. Recordo-me perfeitamente de, quando o meu pai precisava de sair por algum motivo com a família, deixar sempre um empregado ao balcão para que o café nunca fechasse portas. Havia um enorme respeito pelos clientes e, em troca, os clientes eram fiéis à casa.

Guardo também na memória a Rua Direita quando tinha dois sentidos de trânsito e, mais tarde, quando passou a ter apenas um. Ainda me recordo do sinaleiro que regulava a circulação junto à mercearia do Sr. Raúl Paiva.

Vou recordar apenas alguns comerciantes desta emblemática rua. Aos muitos outros que não menciono, peço desde já desculpa. Uns permanecem bem vivos na minha memória; outros eram clientes habituais do Danúbio e fazem igualmente parte das minhas recordações.

Recordo o patriarca da família Paraíso e os seus dois filhos. Hoje, apenas o Sr. Guilherme continua entre nós e o Pedro mantém viva a tradição da família na sua agência. A propósito deles, recordo uma história que já contei noutras publicações: sempre que faltava a eletricidade em casa ou no café, era ao Sr. Paraíso que recorríamos para pedir velas.

Lembro igualmente o Sr. Manuel e a sua esposa, pais do conhecido Zé Manuel, do "Verde e Amarelo", que abriram a sua primeira loja na Rua Fernão Penteado.
A mercearia do Sr. Raúl Paiva era onde aviávamos as compras da casa. Ali trabalhou durante muitos anos a D. Fernanda Bicho, que recentemente terminou também a sua ligação à Mini Grula.

Recordo ainda o Sr. Mendes, alfaiate; a Casa Diniz, uma referência no pronto-a-vestir; o Zeca da Pinheira, que tantas vezes oferecia uma peça de roupa ao marcador do golo da vitória do Sporting da Covilhã; o Sr. Santos e a D. Luísa, da Livraria Nacional; o Sr. Pombo, da Electro-Selfe; a Casa Camolino; o Sr. João Nunes, dos Seguros; a Casa Cardona; a Casa Sousa; o Sr. Esteves; o Sr. Gabinete, juntamente com a esposa e as filhas; a Livraria Brincarte; as Ourivesarias Pacheco, Tavares e Patrão; o Sr. Sardinha; o Café Leitão, conhecido pelo seu café em saco; o Sr. Raúl Bonina; a loja dos candeeiros; o Banco Totta & Açores; o escritório Rodrigues & Bicho; a Sapataria Reis; a Casa Fael; a Drogaria Zenite; Perfurmaria Mário... e tantos outros que ajudaram a fazer da Rua Direita o coração comercial da Covilhã.

Mesmo em frente ao Café Danúbio situava-se o Orfeão da Covilhã e, no piso superior, funcionou durante muitos anos o Clube Nacional de Montanhismo.
Foi também nesta rua que frequentei as aulas de catequese, numa porta ao lado da Casa Camolino.

Logo pela manhã, a Rua Direita ganhava vida. Cruzavam-se os operários que iam e vinham das fábricas, o primeiro autocarro vindo da Aldeia do Carvalho, a motorizada do padeiro, as senhoras que seguiam cedo para a praça e os comerciantes que levantavam as portas dos seus estabelecimentos para mais um dia de trabalho.

Era uma rua cheia de vida, de gente, de comércio, de cumplicidade e de humanidade. Uma rua onde todos se conheciam pelo nome, onde a palavra valia mais do que um contrato e onde um simples "bom dia" era dado com um sorriso sincero.

Hoje restam as memórias. Memórias que o tempo não consegue apagar, porque fazem parte da nossa identidade e da história de uma cidade que muitos tivemos o privilégio de viver intensamente.
Tenho saudades das verdadeiras amizades, da entreajuda, do respeito e dos valores que marcaram uma geração inteira.

E, como costuma dizer o meu amigo Pedro Paraíso:
"A Rua Direita… Sempre!"

Um excelente domingo para todos nós 🍀



MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO

 E assim entramos no mês de Agosto 🌞

 Se estiverem de férias (como eu 😊) desejo boas férias!

 Se estiverem a trabalhar, bom trabalhinho 😕




🌿VIVE PARA AGRADAR A TI, E NÃO AOS OUTROS

Nas vitórias, todos te aclamam. Nas derrotas, muitos desaparecem.

A vida ensina-nos, por vezes da forma mais dura, que nem todos os aplausos são sinceros e nem todas as companhias são permanentes. Há quem esteja ao teu lado apenas enquanto tudo corre bem, mas se afaste ao primeiro obstáculo.

Por isso, não vivas à procura da aprovação dos outros. Vive de acordo com a tua consciência, os teus valores e aquilo que te faz verdadeiramente feliz.

Quem passa a vida a tentar agradar a toda a gente acaba, muitas vezes, por deixar de agradar à única pessoa que nunca deveria desiludir: a si próprio.

Sê verdadeiro. Sê livre. Sê fiel ao teu coração.
Porque, no fim de contas, a opinião que realmente importa é aquela que tens quando te olhas ao espelho.

Bom dia para todos nós 🍀



🌿 VIVER É MUITO MAIS DO QUE EXISTIR 🌿

Quando estamos bem connosco próprios, nada nos consegue verdadeiramente apoquentar.

Escolhemos caminhar ao lado de quem nos faz bem, de quem espalha luz e irradia sol todos os dias. Em contrapartida, afastamo-nos naturalmente das pessoas cinzentas, permanentemente de mal com a vida, que apenas alimentam a negatividade e roubam a nossa paz.

Viver é muito mais do que simplesmente existir. E, se tivermos a felicidade de viver com qualidade, serenidade e rodeados de boas pessoas, tanto melhor para nós como para todos aqueles que fazem parte da nossa caminhada.

A vida é demasiado preciosa para ser desperdiçada com quem não sabe sorrir nem deixar os outros sorrirem.

Bom dia, amigos do meu pequeno mundo. Que nunca vos falte paz, saúde e motivos para acreditar que amanhã pode ser ainda melhor 🍀



FÉRIAS 2026

Depois de mais uma época de trabalhinho, eis que chegam as tão aguardadas férias.

Para quem está no ativo, existem três momentos especiais no ano civil: a Páscoa, o Natal e, claro, as férias.

Para mim, as férias são, acima de tudo, um tempo para descansar a mente depois de um ano de trabalho. 

Posso garantir que termino mais um ano profissional de consciência tranquila e com o dever cumprido.

Agora é tempo de usufruir da vida, fazer coisas que não é possível fazer durante o resto do ano, dedicar-me a novos projetos que revelarei a seu tempo e, acima de tudo, encontrar paz. É tempo de preparar a mente para novos desafios e novas conquistas. Nunca se é demasiado velho para aprender, nem para partilhar os nossos conhecimentos com os outros.

Fiquem bem.

Bom dia para todos nós



🌿AS NOSSAS FORÇAS INTERIORES E EXTERIORES

Há dias em que simplesmente não estamos bem. E isso é perfeitamente normal. O nosso corpo não é de ferro, nem o nosso coração está imune ao peso das emoções, das preocupações e das adversidades da vida.

Mas é precisamente nesses momentos que descobrimos uma força extraordinária: a força interior. Aquela coragem silenciosa que nos faz levantar quando tudo parece querer derrubar-nos, que nos leva a fazer o que julgávamos impossível.

E existe também uma força exterior. Para quem acredita, essa força tem um nome: fé. A fé dá esperança quando tudo parece perdido, ilumina o caminho quando reina a escuridão e recorda-nos que, por mais difícil que seja a caminhada, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

A vida pode testar-nos muitas vezes, mas enquanto houver força dentro de nós e fé no coração, haverá sempre um motivo para continuar a lutar.

Nunca subestime o poder de quem acredita… porque, muitas vezes, os maiores milagres começam dentro de nós.

Bom dia para todos nós 🍀



🌿BELÍSSIMOS DIAS DE VERÃO

Nos belos dias de Verão do século passado, quando eu ainda era um menino, saía com os meus familiares em passeio desde o centro da cidade da Covilhã, onde morava, até às portas de entrada do Canhoso.

Não íamos de automóvel, nem de autocarro, mas sim a pé, pois naquela época caminhava-se muito e as distâncias não metiam medo a ninguém. Descíamos as Escadas da Trapa, passávamos pela Ponte dos Costas e seguíamos pela EN 230, entre a Covilhã e o Canhoso. Pelo caminho, divertia-me a subir e a descer as pequenas encostas das bermas da estrada, como se cada metro percorrido fosse uma nova aventura.

Chegados ao Canhoso, o destino era a quinta dos meus tios-avós, situada nas traseiras das antigas bombas da SACOR. Atrás da casa existia um grande descampado — onde hoje se encontra o cemitério do Canhoso — que era o meu parque de diversões. Ali brincava durante horas e, sempre que o comboio passava, corria quase lado a lado com ele, acenando alegremente aos passageiros que seguiam viagem.

A quinta tinha uma mina de água cristalina, onde nunca faltava uma caneca de esmalte para matar a sede com aquela água sempre fresca e deliciosa. Quando as minhas primas vinham de França passar férias, era uma verdadeira festa. Na rádio tocava o conjunto Maria Albertina, com a inesquecível "Canção do Emigrante", e, no velho rádio da minha tia Maria, ainda se acompanhava, religiosamente, a radionovela "Simplesmente Maria".

Mas aquilo de que hoje mais me lembro — e ao qual, na altura, dava tão pouca importância — eram as noites passadas deitado no terraço, debaixo de um céu carregado de estrelas. Que silêncio... Que paz... Que sensação de liberdade e felicidade aquelas noites me proporcionavam!

E como esquecer os casamentos que duravam dois dias, reunindo famílias inteiras à volta de mesas fartas de comida caseira, gargalhadas, música e uma alegria que parecia não ter fim?

São memórias que o tempo jamais conseguirá apagar. Vivíamos com muito menos do que temos hoje, mas sabíamos transformar o pouco em muito. Havia menos bens materiais, é certo, mas havia algo que hoje parece cada vez mais raro: tempo para os outros, portas sempre abertas, vizinhos que eram família e um calor humano que fazia qualquer lugar parecer um verdadeiro lar.

Talvez o progresso nos tenha dado mais conforto, mas dificilmente nos devolverá a simplicidade, a união e a felicidade genuína daqueles inesquecíveis dias de Verão.

Bom dia para todos nós 🍀



Muito obrigado pela vossa visita

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