O velho Cine-Centro marcou gerações inteiras nos anos 80 e 90. E quem lá entrou uma vez, nunca mais esqueceu aquele ambiente tão nosso.
Antes do filme começar, já o espetáculo tinha começado cá fora. Filas enormes, grupos de amigos, namoros tímidos e o cheiro das castanhas assadas misturado com o frio da noite covilhanense.
Depois, entrávamos na sala… e parecia que o filme começava dentro de um nevoeiro. O fumo dos cigarros vindo do bar espalhava-se lentamente e dava ao cinema um cenário quase mágico. Hoje seria impensável… mas naquela altura fazia parte da experiência.
E quem não se lembra do porteiro?
A meio da sessão, lá vinha ele, lanterna na mão, a conduzir os atrasados até aos lugares, enquanto toda a gente olhava de lado para os “artistas” que tinham chegado depois do início do filme.
A meio da sessão, lá vinha ele, lanterna na mão, a conduzir os atrasados até aos lugares, enquanto toda a gente olhava de lado para os “artistas” que tinham chegado depois do início do filme.
Mas o melhor eram as brincadeiras da plateia.
Pacotes de batatas fritas amachucados de propósito nas cenas mais silenciosas… gargalhadas exageradas… piropos ditos em voz alta… comentários que faziam a sala inteira rebentar a rir. Às vezes, o público conseguia ser mais divertido do que o próprio filme.
Pacotes de batatas fritas amachucados de propósito nas cenas mais silenciosas… gargalhadas exageradas… piropos ditos em voz alta… comentários que faziam a sala inteira rebentar a rir. Às vezes, o público conseguia ser mais divertido do que o próprio filme.
E havia sempre uma figura obrigatória: o bombeiro presente na sala. Discreto, atento, quase parte da mobília daquele espaço que marcou a cidade.
O Cine-Centro não era apenas um cinema.
Era ponto de encontro. Era juventude. Era namoro. Era amizade. Era a Covilhã a viver em comunidade, numa época em que as pessoas se divertiam juntas e criavam memórias sem precisar de telemóveis.
Era ponto de encontro. Era juventude. Era namoro. Era amizade. Era a Covilhã a viver em comunidade, numa época em que as pessoas se divertiam juntas e criavam memórias sem precisar de telemóveis.
Hoje, naquele espaço onde tantos sonharam diante do grande ecrã, funciona a Assembleia Municipal da Covilhã.
Mudaram-se os tempos, mudou-se o edifício… mas as memórias continuam sentadas naquelas cadeiras invisíveis da nossa saudade.
Mudaram-se os tempos, mudou-se o edifício… mas as memórias continuam sentadas naquelas cadeiras invisíveis da nossa saudade.
Quem viveu o Cine-Centro sabe:
não era só um cinema… era um pedaço da nossa vida.
não era só um cinema… era um pedaço da nossa vida.
Bom dia para todos nós 🍀
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