A fotografia ampliada mostrava-a ainda criança, ao colo de Beatriz.
Mas era o fundo que lhe prendia a atenção.
A mulher que aparecia parcialmente atrás delas tinha o rosto voltado para a câmara.
Sofia aproximou a imagem.
O coração acelerou.
Era ela.
Ou, pelo menos, era extraordinariamente parecida com a mulher que aparecia na fotografia antiga.
Pegou na fotografia que Maria da Luz lhe tinha dado e colocou-a ao lado do telemóvel.
Comparou os dois rostos.
Os mesmos olhos.
O mesmo formato do rosto.
Até o cabelo parecia semelhante.
— Não pode ser... — murmurou.
De repente, ouviu o som de uma mensagem.
Era Cláudia.
“Descobriste alguma coisa?”
Sofia respondeu:
“Acho que encontrei a mulher da fotografia.”
A resposta chegou quase imediatamente.
“Quem é?”
Sofia hesitou antes de escrever:
“Não sei. Mas aparece numa fotografia minha de quando era bebé.”
Cláudia demorou alguns segundos.
Depois escreveu:
“Sofia, não mostres isso a ninguém. Principalmente aos teus pais.”
Sofia ficou a olhar para o ecrã.
Aquelas palavras assustaram-na.
“Porquê?”
Cláudia não respondeu.
Em Lyon, Beatriz pousou o telemóvel sobre a mesa.
António percebeu imediatamente que alguma coisa não estava bem.
— O que aconteceu?
— Nada.
— Beatriz...
Ela levantou-se e caminhou até à janela.
— A Sofia anda estranha.
António ficou calado.
— Achas que ela descobriu alguma coisa? — perguntou finalmente.
Beatriz virou-se.
— Ainda não.
— Ainda?
Ela não respondeu.
António aproximou-se.
— Nós sabíamos que este dia chegaria.
— Eu sei.
— Então temos de estar preparados.
Beatriz levou as mãos ao rosto.
— Eu não consigo perdê-la, António.
— Não vais perdê-la.
— E se ela nunca nos perdoar?
António ficou em silêncio.
Porque, no fundo, essa era também a pergunta que mais o atormentava.
Na Covilhã, Sofia decidiu voltar ao local onde Maria da Luz tinha encontrado a fotografia.
Talvez houvesse mais alguma coisa naquela velha caixa.
Antes de sair, recebeu finalmente uma mensagem de Cláudia.
“A minha mãe lembrou-se de mais uma coisa. Disse que a mulher da fotografia tinha alguém à espera dela.”
Sofia respondeu:
“Quem?”
A resposta demorou.
Quando chegou, Sofia sentiu um arrepio.
“Um homem.”
E logo depois outra mensagem:
“E a minha mãe lembra-se do nome dele.”
Sofia ficou a olhar para o telemóvel.
O nome apareceu no ecrã alguns segundos depois.
Francisco.
Sofia deixou cair o telemóvel sobre a cama.
O homem que tinha conhecido por acaso no centro da cidade podia estar ligado ao segredo que perseguia a sua vida.
Fim do Episódio 6.
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