CAMINHOS CRUZADOS Episódio 7 — O nome

Sofia passou a noite quase sem dormir.
A palavra continuava a martelar-lhe a cabeça:
Francisco.
O mesmo nome que, por uma estranha coincidência, pertencia ao homem que conhecera no centro da cidade.
Ou seria mesmo uma coincidência?
Na manhã seguinte, ligou a Cláudia.
— Preciso de falar contigo.
— Aconteceu alguma coisa?
— Descobri o nome do homem que a tua mãe disse estar ligado àquela mulher.
Do outro lado fez-se silêncio.
— Qual é o nome?
Sofia respirou fundo.
— Francisco.
Cláudia demorou alguns segundos a responder.
— Sofia... é melhor não tirares conclusões precipitadas.
— Eu sei. Mas ontem conheci um Francisco.
— O Francisco que me falaste?
— Sim.
— E sabes alguma coisa sobre ele?
— Não. Foi apenas um encontro casual.
Cláudia ficou pensativa.
— Então temos de descobrir quem ele é.
Nesse mesmo dia, Sofia voltou ao centro da cidade.
Caminhou sem destino definido, tentando organizar os pensamentos.
Passou pelos Correios, percorreu algumas ruas antigas e acabou por parar junto a um café.
Foi então que ouviu uma voz atrás de si.
— Sofia?
Voltou-se.
Era Francisco.
— Outra vez?
Ele sorriu.
— Parece que a Covilhã é pequena.
— Ou talvez seja o destino — respondeu Sofia, quase sem pensar.
Francisco sorriu.
— Talvez.
Sentaram-se para tomar um café.
Desta vez, Sofia observou-o com atenção.
— Posso fazer-te uma pergunta?
— Claro.
— A tua família é da Covilhã?
Francisco pareceu surpreendido.
— É. Os meus pais nasceram cá. Os meus avós também.
Sofia sentiu o coração acelerar.
— E conheces muita gente antiga da cidade?
— Algumas pessoas. Porquê?
Sofia hesitou.
— Conheces uma mulher chamada Rita?
O sorriso de Francisco desapareceu.
Durante alguns segundos, ficou completamente imóvel.
— Onde ouviste esse nome?
Sofia percebeu imediatamente que tinha tocado num ponto sensível.
— Foi apenas uma pergunta.
Francisco baixou os olhos.
— Rita era o nome da minha mãe.
Sofia ficou sem palavras.
— Era?
Francisco respirou fundo.
— Morreu há alguns anos.
Sofia sentiu um aperto no peito.
— Lamento muito.
— Obrigado.
Houve um silêncio pesado entre os dois.
— Porque perguntaste por ela? — quis saber Francisco.
Sofia não respondeu.
Ainda não podia.
Não sabia se podia confiar nele.
Mais tarde, encontrou-se com Cláudia.
— Ele conhecia a Rita — disse Sofia.
Cláudia arregalou os olhos.
— A sério?
— Era a mãe dele.
— Então talvez tenhas encontrado uma ligação.
Sofia retirou a fotografia da mala.
— Talvez.
Cláudia olhou para a imagem.
— Sofia...
— O quê?
— Há uma coisa que ainda não reparaste.
Cláudia apontou para o canto inferior da fotografia.
Havia uma pequena marca quase apagada.
Uma letra.
F.
Sofia aproximou a fotografia dos olhos.
— “F” de Francisco?
Cláudia não respondeu.
Sofia sentiu um arrepio.
Se aquela fotografia tinha sido tirada em 2001, se a mulher era Rita e se Francisco estava ligado a ela...
quem era, afinal, o bebé que Rita segurava nos braços?
Naquele momento, o telemóvel de Sofia tocou.
Era Maria da Luz.
— Sofia, preciso de falar consigo com urgência.
— Aconteceu alguma coisa?
A voz de Maria da Luz tremia.
— Encontrei outra coisa dentro da velha caixa.
Sofia levantou-se.
— O quê?
Do outro lado ouviu-se apenas uma frase:
— Encontrei um documento com o teu nome.

Fim do Episódio 7



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