Entretanto, na Nazaré, os dias de Carol iam passando a um ritmo diferente daquele a que estava habituada na Covilhã.
De manhã havia sempre movimento nas ruas. O cheiro do mar misturava-se com o das redes de pesca que secavam ao sol e com as vozes dos pescadores que regressavam da faina.
Carol já se tinha habituado à rotina da Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio. Os colegas tinham-na integrado bem no grupo e a amiga Ana estava quase sempre ao seu lado.
Nos intervalos conversavam sobre música, sobre a escola e sobre os planos para o verão.
— Quando vier o calor vamos todos para a praia — dizia Ana.
— Todos os dias? — perguntava Carol, ainda admirada.
— Claro! Aqui o mar faz parte da vida.
Depois das aulas, o grupo costumava passear pela Avenida da República (Marginal da Nazaré).
O som das ondas acompanhava as conversas, enquanto turistas passeavam e crianças brincavam perto da areia.
Muitas vezes terminavam o passeio na Praça Sousa Oliveira, onde os jovens da vila se juntavam ao final da tarde.
Carol ria com os novos amigos, mas havia momentos em que ficava um pouco mais calada.
Ana percebeu isso.
— Ainda pensas na Covilhã, não pensas?
Carol assentiu devagar.
— Às vezes.
Numa noite silenciosa na Nazaré, Carol voltou a abrir o pequeno caderno que David lhe tinha oferecido no Natal. Durante vários minutos ficou a olhar para as páginas, sem saber bem como começar.
O som das ondas da Praia da Nazaré chegava pela janela aberta. Aquela nova vida, os novos amigos e a pressão dos pais tinham-na feito pensar muito nas últimas semanas.
Sabia que David estava à espera de notícias.
Mas também sabia que o que ia escrever poderia magoá-lo.
Respirou fundo, pegou na caneta e começou finalmente a escrever a carta que iria seguir viagem até à Covilhã.
De manhã havia sempre movimento nas ruas. O cheiro do mar misturava-se com o das redes de pesca que secavam ao sol e com as vozes dos pescadores que regressavam da faina.
Carol já se tinha habituado à rotina da Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio. Os colegas tinham-na integrado bem no grupo e a amiga Ana estava quase sempre ao seu lado.
Nos intervalos conversavam sobre música, sobre a escola e sobre os planos para o verão.
— Quando vier o calor vamos todos para a praia — dizia Ana.
— Todos os dias? — perguntava Carol, ainda admirada.
— Claro! Aqui o mar faz parte da vida.
Depois das aulas, o grupo costumava passear pela Avenida da República (Marginal da Nazaré).
O som das ondas acompanhava as conversas, enquanto turistas passeavam e crianças brincavam perto da areia.
Muitas vezes terminavam o passeio na Praça Sousa Oliveira, onde os jovens da vila se juntavam ao final da tarde.
Carol ria com os novos amigos, mas havia momentos em que ficava um pouco mais calada.
Ana percebeu isso.
— Ainda pensas na Covilhã, não pensas?
Carol assentiu devagar.
— Às vezes.
Numa noite silenciosa na Nazaré, Carol voltou a abrir o pequeno caderno que David lhe tinha oferecido no Natal. Durante vários minutos ficou a olhar para as páginas, sem saber bem como começar.
O som das ondas da Praia da Nazaré chegava pela janela aberta. Aquela nova vida, os novos amigos e a pressão dos pais tinham-na feito pensar muito nas últimas semanas.
Sabia que David estava à espera de notícias.
Mas também sabia que o que ia escrever poderia magoá-lo.
Respirou fundo, pegou na caneta e começou finalmente a escrever a carta que iria seguir viagem até à Covilhã.
Querido David,
Tenho pensado muito antes de te escrever. Talvez por isso esta carta tenha demorado tanto tempo. Não foi por me esquecer de ti, mas porque não sabia bem como explicar tudo aquilo que sinto neste momento.
A vida aqui na Nazaré é muito diferente da Covilhã. Tudo mudou depressa: a escola nova, os colegas novos, o mar sempre à frente dos olhos. Às vezes parece que estou a viver uma vida completamente diferente daquela que tínhamos aí.
Tenho pensado muito em nós e no que vivemos naquele verão. Foram momentos muito bonitos, disso tenho a certeza. Nunca me vou esquecer das tardes na piscina, das caminhadas pela cidade e de tudo o que partilhámos.
Mas também tenho pensado noutra coisa. Somos ainda muito novos, David. Temos a escola, os estudos, e um futuro enorme pela frente. A distância entre a Covilhã e a Nazaré é grande e cada um de nós está agora a viver uma vida diferente.
Não quero que fiques preso a uma história que talvez tenha sido apenas uma paixoneta de verão. Às vezes penso que talvez tenha sido isso mesmo: um sentimento bonito, mas próprio da nossa idade e daquele momento.
Também sinto que, enquanto estávamos juntos, eu própria nem sempre tive a certeza absoluta do que sentia. Gostava muito de ti, e continuo a gostar, mas talvez não estivesse tão envolvida como tu estavas.
Não escrevo isto para te magoar. Pelo contrário. Escrevo porque te respeito e porque quero que sejas feliz. Quero que continues a estudar, que vivas a tua vida e que aproveites tudo o que ainda tens pela frente.
Quem sabe um dia, mais tarde, as nossas vidas possam voltar a cruzar-se. O mundo é grande e a vida dá muitas voltas.
Mas agora acho que devemos seguir cada um o seu caminho.
Obrigada por tudo o que vivemos naquele verão. Vai ficar sempre na minha memória.
Um abraço com carinho,
Carol
Tenho pensado muito antes de te escrever. Talvez por isso esta carta tenha demorado tanto tempo. Não foi por me esquecer de ti, mas porque não sabia bem como explicar tudo aquilo que sinto neste momento.
A vida aqui na Nazaré é muito diferente da Covilhã. Tudo mudou depressa: a escola nova, os colegas novos, o mar sempre à frente dos olhos. Às vezes parece que estou a viver uma vida completamente diferente daquela que tínhamos aí.
Tenho pensado muito em nós e no que vivemos naquele verão. Foram momentos muito bonitos, disso tenho a certeza. Nunca me vou esquecer das tardes na piscina, das caminhadas pela cidade e de tudo o que partilhámos.
Mas também tenho pensado noutra coisa. Somos ainda muito novos, David. Temos a escola, os estudos, e um futuro enorme pela frente. A distância entre a Covilhã e a Nazaré é grande e cada um de nós está agora a viver uma vida diferente.
Não quero que fiques preso a uma história que talvez tenha sido apenas uma paixoneta de verão. Às vezes penso que talvez tenha sido isso mesmo: um sentimento bonito, mas próprio da nossa idade e daquele momento.
Também sinto que, enquanto estávamos juntos, eu própria nem sempre tive a certeza absoluta do que sentia. Gostava muito de ti, e continuo a gostar, mas talvez não estivesse tão envolvida como tu estavas.
Não escrevo isto para te magoar. Pelo contrário. Escrevo porque te respeito e porque quero que sejas feliz. Quero que continues a estudar, que vivas a tua vida e que aproveites tudo o que ainda tens pela frente.
Quem sabe um dia, mais tarde, as nossas vidas possam voltar a cruzar-se. O mundo é grande e a vida dá muitas voltas.
Mas agora acho que devemos seguir cada um o seu caminho.
Obrigada por tudo o que vivemos naquele verão. Vai ficar sempre na minha memória.
Um abraço com carinho,
Carol
Quando terminou de escrever, Carol ficou alguns minutos a olhar para a folha.
Sabia que aquelas palavras iam mudar muitas coisas.
Dobrou a carta lentamente e colocou-a dentro do envelope.
Na manhã seguinte, deixou-a cair na caixa do correio.
A carta começou então a subir o país, deixando para trás o mar da Nazaré e seguindo em direção às montanhas da Covilhã.
Sem que Carol pudesse imaginar, aquela carta iria cair nas mãos de David e transformar completamente o rumo da história que tinha começado num verão feliz.
Sabia que aquelas palavras iam mudar muitas coisas.
Dobrou a carta lentamente e colocou-a dentro do envelope.
Na manhã seguinte, deixou-a cair na caixa do correio.
A carta começou então a subir o país, deixando para trás o mar da Nazaré e seguindo em direção às montanhas da Covilhã.
Sem que Carol pudesse imaginar, aquela carta iria cair nas mãos de David e transformar completamente o rumo da história que tinha começado num verão feliz.
Continua…
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