🌿O MEU DIÁRIO

Antes de escrever mensagens no computador, tive um diário onde escrevia aquilo que achava importante. Era um desabafo para o papel, com alguns erros, é certo, mas com muita dedicação.

Escrevia sobre paixonetas, anotava os trocos que tinha para o mês, da mesada que me davam, as arrelias do dia… Enfim, era uma espécie de rede social, mas muito pessoal. Quando andava no ciclo preparatório, ainda tive algumas dedicatórias de colegas de escola que escreviam nesse diário.

 Num verão recente, resolvi romper com uma certa parte do passado. Algumas cartas e dedicatórias deitei fora; coisas que guardei religiosamente durante anos, coloquei-lhes uma pedra em cima. Fiquei com alguns aerogramas que escrevia e recebia do tempo em que o meu irmão esteve em Angola, na Guerra Colonial, uns bilhetes de cinema do Cine Centro e do Teatro Cine, e os bilhetes de futebol do ano da subida do Sporting Clube da Covilhã à 1.ª Divisão.
Das paixonetas da infância, foi quase tudo embora… mas apenas do papel, porque, na memória, ficou gravado.

Tudo tem um prazo de validade. Até as pedras, um dia, se vão transformar em pó. Quando fecho um ciclo, não estou a deitar fora o passado; estou apenas a fazer as pazes com ele.
Já não é possível voltar atrás, mas é possível aceitar aquilo que um dia nos foi dado e também aquilo que, um dia, nos foi retirado. Tudo tem uma razão de ser.

Por vezes, tenho de apagar números de telemóvel. Os amigos vão partindo e, apesar da dor, tenho de aceitar. É a lei da vida. Todos temos o nosso destino marcado.

Importante mesmo é fazer as pazes com o passado e poder viver o presente com a consciência tranquila e o coração mais leve. E, quem sabe, um dia, noutro sítio qualquer, iremos pôr a conversa em dia…

Porque há pessoas que saem da nossa vida, mas nunca saem verdadeiramente da nossa memória.

Bom dia para todos nós🍀





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