Hoje em dia temos dois ou três televisores em casa, mas, no meu tempo de infância, tínhamos apenas um. E viva o velho! 😀 Uma grande percentagem das famílias nem sequer tinha televisão e, por isso, quando queria ver algum programa, tinha de se deslocar a casa dos vizinhos ou a um café.
Rádios, esses, toda a gente tinha. Era através deles que se ouviam programas inesquecíveis, como a radionovela «Simplesmente Maria», os discos pedidos ou as grandes noites europeias, com os emocionantes relatos de futebol.
Além das poucas televisões que existiam, ninguém tinha máquinas de café. Quanto muito, aquecia-se o café numa cafeteira. Para beber uma boa «bica», íamos ao café, onde também se convivia à volta de uma mesa, com os amigos, a ver televisão ou a jogar ao 21, para ver quem pagava os cafés.
Todos os cafés tinham, nessa altura, pelo menos dois jornais: um nacional, sendo o Século dos mais lidos, e um desportivo, quase sempre A Bola.
As redes sociais daquele tempo eram mesmo os cafés e as tabernas. Numa cidade operária como a Covilhã, pouco mais havia para além desses pontos de encontro, ou então uma ida ao Teatro-Cine para ver o Trinitá, o cowboy insolente, ou «O Último Tango em Paris». E olhem que, nesse tempo, com uma nota de 20$00 (vinte escudos), sentíamo-nos ricos!
Nas noites de tempestade ou de neve, ficávamos em casa, a fazer companhia à família, reunidos à volta de uma braseira a carvão. Mexíamos nas brasas a nosso gosto e havia até um estrado onde podíamos aquecer os pés. Nos dias de muita chuva, ainda tinha uma cobertura que servia para secar a roupa.
Sem internet, sem telemóveis e sem tantas distrações, conversava-se à volta do lume. Depois, cama cedo, porque no dia seguinte também era cedo que nos levantávamos.
Na verdade, hoje temos quase tudo… mas será que não perdemos um pouco daquilo que realmente importava?
Talvez tivéssemos menos conforto, menos tecnologia e menos possibilidades, mas havia mais proximidade, mais conversa e muitos momentos simples que ainda hoje guardamos com saudade.
Porque a felicidade nem sempre esteve naquilo que tínhamos, mas sobretudo na maneira como vivíamos e partilhávamos o pouco que havia.
Amanhã voltarei.
Bom dia para todos nós 🍀

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