ENTRE O MAL E O BEM, A ESCOLHA É NOSSA

 Não há que esconder nem enganar ninguém: existem pessoas más. Ponto final.

Quem não conhece pessoas assim? Gente que parece só estar bem quando está a criar guerras, a fomentar ódios, a alimentar a inveja e a espalhar intrigas, naquele eterno «diz que disse» que tantas amizades destrói e tantas famílias divide.

Meus amigos, há muito que deixei de contribuir para esses peditórios. Quando alguém se aproxima de mim com aquele ar de pessoa muito boazinha, mas cujo intuito é dar uma «facadinha» pelas costas, prefiro manter a distância. A realidade é esta: temos de aprender a viver com ela ou, melhor ainda, a afastar-nos daquilo que nos rouba a tranquilidade.

Às vezes, olhamos à nossa volta e parece que vemos maldade em todo o lado. Desde aqueles que governam o mundo até ao mais simples cidadão da nossa terra, encontramos atitudes que nos deixam perplexos. Há quem pareça ter nascido com o coração endurecido e quem, para quem acredita nessas coisas, diga que até o demónio lhe tomou conta do corpo.

Mas a vida, com a experiência que os anos nos vão dando, ensina-nos uma grande lição: não podemos mudar toda a gente, mas podemos escolher quem queremos ao nosso lado. Por isso, afastemo-nos das pessoas que só transmitem negatividade, que vivem de conflitos e que parecem sentir prazer em ver os outros infelizes. Sigamos o nosso caminho com quem nos faz bem, com quem nos oferece um sorriso sincero e com quem sabe o verdadeiro valor da amizade.

Afinal, quem passa a vida a falar mal de toda a gente acaba por revelar muito mais sobre si próprio do que sobre aqueles de quem fala. E quem reclama de tudo e de todos dificilmente consegue encontrar paz dentro de si. Há pessoas que parecem não descansar enquanto não encontram um motivo para se zangarem com alguém. Se não há problemas, inventam-nos; se não há conflitos, arranjam maneira de os provocar!

E quantas vezes já não temos os nossos próprios problemas, as nossas preocupações e as nossas dores, para ainda termos de levar com estas pessoas que só complicam aquilo que a vida já torna suficientemente difícil?

Desculpem a franqueza, meus amigos, mas custa-me acreditar que quem faz da maldade uma forma de viver consiga mudar verdadeiramente sem primeiro reconhecer o mal que provoca. Há quem tenha oportunidades para mudar, quem receba gestos de amizade e de compreensão e, mesmo assim, prefira continuar no mundo das intrigas, das mentiras e das falsidades. Parece que nunca aprende, porque não quer aprender.

Mas atenção: não devemos confundir bondade com fraqueza. Ser boa pessoa não significa aceitar tudo, perdoar constantemente os mesmos erros ou permitir que nos magoem vezes sem conta. Também temos o direito de dizer basta, de fechar a porta e de seguir em frente. A nossa paz não pode ficar refém da maldade dos outros.

E o problema não se fica pelas relações entre as pessoas. Basta olhar para o mundo e ver quantos conflitos poderiam ser evitados se houvesse mais humanidade, mais diálogo e mais respeito pela vida. Temos governantes que parecem esquecer as dificuldades de quem trabalha e luta diariamente para sobreviver. Temos responsáveis sem empatia social e temos ainda aqueles que se aproveitam do poder e da fragilidade dos outros para benefício próprio, deixando atrás de si destruição, injustiça e sofrimento.

Será assim tão difícil compreender que o mundo não precisa de mais ódio, de mais guerras ou de mais gente a querer ser superior aos outros? O mundo precisa de consciência, de responsabilidade e, acima de tudo, de humanidade.

Meus amigos, a vida passa depressa demais para desperdiçarmos os nossos dias a alimentar rancores, a desejar o mal a alguém ou a procurar vinganças que não nos trazem felicidade. Um dia, olharemos para trás e perceberemos que aquilo que realmente importava não eram as discussões que ganhámos, as pessoas que derrotámos ou as palavras duras que dissemos. Eram os abraços que demos, as mãos que estendemos e o bem que fomos capazes de fazer.

Se alimentarmos o mal, damos-lhe força para crescer. Mas, se escolhermos alimentar o bem, estaremos a contribuir para um mundo mais justo, mais humano e mais feliz.

Não podemos mudar o mundo inteiro, é verdade. Mas podemos começar por mudar a nossa atitude, pela forma como tratamos quem nos rodeia e pela maneira como reagimos à maldade. Podemos escolher não entrar em intrigas, não responder ao ódio com mais ódio e não permitir que a escuridão dos outros apague a luz que existe dentro de nós.

Porque, no fim de contas, meus amigos, a maior vitória não é derrotar quem nos quer mal. É conseguirmos continuar a ser boas pessoas, apesar de tudo aquilo que a vida nos coloca pelo caminho.

Que nunca nos falte coragem para nos afastarmos do mal, humildade para reconhecermos os nossos erros e bondade para fazermos o bem, mesmo quando o mundo parece caminhar na direção contrária.

A paz é aquilo de que todos precisamos. E a paz começa dentro de cada um de nós.

Por isso, enquanto houver um coração disposto a fazer o bem, ainda haverá esperança para este mundo.

Vamos alimentar o bem, espalhar a paz e deixar o ódio morrer à fome.

Bom dia para todos nós!



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