😂 QUADRAS, RIMAS E OUTRAS PÉROLAS!



Na terça-feira, fiz uma publicação onde partilhei algumas quadras que são autênticas pérolas da poesia popular. Não demorou muito até que alguns amigos e amigas — José Simões, Laio Vidal, Estrela Ferreira Aguiar, Elvira Ratado, Quica Melo e José Carlos Coelho — se juntassem à festa e acrescentassem mais algumas preciosidades.

O resultado dessa inspiração coletiva é o que hoje vos trago!

Antes de mais, quero agradecer a todos as palavras amáveis que deixam nas minhas publicações. É sempre um prazer saber que desse lado há quem goste de recordar, sorrir e viajar comigo pelas diferentes épocas das nossas vidas.

E, como penso retribuir esse carinho com bons textos e algumas recordações, hoje temos uma publicação diferente: é para rir, sem preconceitos e sem levar a poesia demasiado a sério!

Preparem-se, porque há aqui rimas que são verdadeiras obras-primas... embora alguns poetas merecessem uma visita do revisor! 

Agora vamos a isto!

 «Ó Lua, que vais tão alta,
redonda como um tamanco,
ó Maria, traz cá a escada,
que não chego lá com o banco!»

Ou então:

 «Grande é o povo português é grande
e faz versos sem rimar;
ontem comprei uma cama,
hoje acordei com os pés de fora!»

E agora, algumas pérolas da nossa poesia popular:

À porta do cemitério,
está um cadáver sem pescoço;
está à espera da família,
que lhe leve o almoço!

Deitei um limão a correr
à tua porta, e ali parou;
se o limão já te quer bem,
que fará quem o deitou!

Da minha casa à tua
vai um salto de uma cobra;
vou pedir à tua mãe
se quer ser minha sogra!

Cala-te aí, boca aberta,
que tu não sabes cantar;
tens uma poça na boca,
onde os cães e gatos vão... matar a sede! 

Fui ao pinhal às pinhas,
enchi-me lá de laranjas;
veio de lá o dono das peras:
«Ó ladrão, larga as maçãs!»

No cimo daquele monte
Encontrei um Cadavér
Morto com uma facada
E um tiro de revólvér...


Cala-te aí, boca aberta,
que não sabes o que dizes;
tens um buraco num dente,
onde põem as perdizes!

Fui a Belas ver a Bela,
mas a Bela eu não vi;
porque a mais bela das Belas
eras tu... e eu não percebi!

Da minha casa à tua
são dois palmos de distância;
quando fui à tua casa,
escorreguei numa casca de melancia!

Eu amava-te, menina,
se não fosse um senão:
seres pia de água benta,
onde todos põem a mão!

Ó que púcaro tão belo,
que água tão saborosa!
Quem a bebe é um cravo,
quem a dá é uma rosa!

Mas que menina tão azada
Vai passando nesta avenida
Quero que sejas a minha amada
Para me passares as camisas.

Não choro por me deixares,
Que o jardim mais rosas tem
Choro por não encontrares
Quem te queira tanto bem.

A voz do Povo é sábia
Porque sai do coração
é como a linda dália
que anda de mão em mão.

E para terminar, uma homenagem especial à vizinhança:

O Teixoso é meu vizinho,
de cruzeiros por condição;
venha de lá esse abraço,
de amizade e gratidão!

E pronto, meus amigos! 

Como podem ver, não precisamos de grandes poetas, nem de livros de literatura, para fazer boa poesia. Às vezes, basta uma boa dose de imaginação, um pouco de atrevimento e amigos com vontade de brincar!

Continuem a acrescentar as vossas pérolas, porque isto promete! Quem sabe se não teremos uma segunda edição... e ainda mais disparatada!

Um bom domingo para todos nós! 🍀



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