SETEMBRO DE 1979 - FÉRIAS NA NAZARÉ

Há muito, muito tempo, parti da cidade da Covilhã para umas férias merecidas. Estávamos no quente mês de setembro de 1979.

Naquela altura, as aulas só começavam em outubro e os preços para os veraneantes eram mais baixos no último mês de verão.

A Nazaré era uma terra pacata, escolhida por muitos covilhanenses para passar uns dias de descanso. E foi para lá que seguimos eu, a minha mãe e a minha avó.
Nesse ano resolvemos ir de comboio até ao Entroncamento, depois apanhámos uma camioneta para Torres Novas e ainda outra de Torres Novas para a Nazaré.
Mal chegámos, logo algumas nazarenas das sete saias nos abordaram para saber se estávamos interessados em quartos. Acabámos por ficar logo na primeira casa que arrendámos por uma semana.

A Rua António Carvalho Laranjo ficava perto da praia — era só descê-la — e, da janela do meu quarto, ouvia-se o som de um rádio com músicas do Marco Paulo. Mesmo por trás da casa estava outro casal, com os filhos, também naturais da Covilhã.

De manhã, ao acordar, lá descia eu a rua em direção à praia, com a toalha na mão e a felicidade estampada no rosto. Por vezes o mar estava bravo. Houve até um dia em que a água chegou à Avenida da República, a marginal da Nazaré.

Era fácil conhecer pessoas e jovens da minha idade era o que mais havia. Perto da hora de almoço regressava a casa e, pelo caminho, o cheiro a sardinha assada tomava conta da rua. Vinha dos restaurantes, que as assavam no exterior e enchiam o ar de verão e de mar.
Geralmente comíamos em casa, porque o Mercado Municipal não ficava longe, mas muitas vezes, sobretudo ao almoço, optávamos por comer nos restaurantes da vila.
Com a barriguinha cheia, deslocava-me à Praça Sousa Oliveira, onde havia uma esplanada e um salão de jogos com máquinas de flippers para me entreter um pouco. Havia também uma banca que vendia livros aos quadradinhos, como o Mundo de Aventuras, o FBI e outros do género, que eu comprava para ler no quarto.

Por volta das quinze horas, voltava novamente para a praia, desta vez na companhia da família.
A noite era aproveitada para passear pela Avenida da República. Depois de irmos ao café, eu seguia sozinho a caminhar, saboreando a brisa do mar e o som das ondas em noites estreladas. Que serenidade aquilo me dava… que paz de espírito…

Quem passa férias na Nazaré, ou quem vai apenas de passagem, não pode deixar de visitar o Sítio. É um local lindíssimo, de onde se aprecia uma paisagem magnífica. Para lá chegar, apanha-se o elevador, que parece levar-nos ao céu. São pontos de referência o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e o miradouro.

Cinco dias passavam depressa demais, mas eram suficientes para nos encher a alma para o ano inteiro que vinha pela frente.
Todo o tempo que passei nessa linda praia da Nazaré nunca irei esquecer. Não só esse ano de 1979, mas também outros anos em que lá estive durante a minha infância e adolescência.
Senti tanto aqueles momentos, vivi-os com tanta intensidade, que acabei por passar a Nazaré à categoria de minha praia adotiva.

Há anos que lá não vou, mas continuo com vontade de regressar. Rever aquela boa gente, simples e humilde, e talvez reencontrar um pouco daquele rapaz que um dia desceu uma rua com a toalha na mão e o coração cheio de verão.
Que Deus lhes dê muita vida e muita saúde.

Depois deste texto estar concluído, voltei, no ano passado, à Praia da Nazaré. 💛

Bom dia para todos nós 🍀



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