A CARTA


🌼Está frio e começa a nevar na cidade da Covilhã, já à muitos anos que não neva bem na cidade, será desta?
Vou contar-lhes uma história passada num Verão quente para ver se o clima aquece.

Agosto de 1983
Estava uma noite quente e precisava de sair, apanhar ar fresco que vinha da serra, nessa manhã tinha recebido uma carta inesperada e um passeio a solo fazia-me bem.
Saí de minha casa na rua Comendador Campos Melo, paredes-meias com a Casa Diniz, Casa Zeca e Livraria Nacional do Senhor Santos e Dona Luísa, (Deus os tenha em paz e descanso), subi as "escadas do Fael" e subi pela Rua Rui Faleiro, fazia sempre uma paragem nas montras do Ferrão (foto) e da Loja Herminio, gostava muito de ver as novidades para a época e devagarinho lá prossegui o passeio sem saber muito bem para onde ia, queria mesmo era andar, indiferente a tudo e a todos.

Parei um pouco em frente da Creche de São Vicente de Paulo e acabei por subir as escadinhas até ao portão que me levava em frente do Hospital da cidade, aí sim, já via pessoas que por certo aquela hora se deslocavam para as urgências. Pensei por instantes se virava à direita para Bairro Municipal ou esquerda pelo lado do Calvário e decidi-me por esta última.

Na capela de Santa Cruz (Calvário) no verão estavam sempre uns rapazes a jogar futebol , pelas nova horas ainda se notava no astro o azul escuro de um dia quente que dava começo a uma noite estrelada. Continuando o passeio, desci a calçada de Santa Cruz , rua Pedro Alvares Cabral e assim cheguei à rua do castelo, onde pude observar os cartazes do cinema que essa semana estavam no Cine-Centro, Flashdance era cabeça de cartaz e marquei-o logo na minha agenda para no dia seguinte ir comprar bilhete.

Rua da Ramalha onde umas pessoas se sentavam frente da taberna do "papagaio", Travessa do Postiguinho e fui dar novamente à Rua Rui Faleiro, desci até ao Pelourinho e fiquei parado num degrau do Teatro Cine a contemplar quem estava na esplanada do Montalto e os carros que saíam e entravam na Placa. Ainda vi uns colegas meus sentados na esplanada mas fiz que não os vi, naquela noite não estava para ninguém.

Regressei a casa, vi um pouco de televisão e deitei-me, acho que demorei a adormecer, naquele dia aprendi uma lição, nada é para sempre… uma simples carta transformou o meu dia e também o valor de apreciar as coisas com outros olhos, a lua, as estrelas, as ruas da cidade e acima de tudo a respeitar e entender a idade da inocência.

Boa noite e sejam felizes, cada um à sua maneira🍀



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