CAMINHOS CRUZADOS Episódio 2 — O regresso

A Serra da Estrela surgiu finalmente no horizonte.
Depois de tantas horas de viagem, Sofia sentiu uma emoção difícil de explicar.
Sorriu.
— Finalmente… Covilhã!
Havia lugares que, por mais tempo que passasse, continuavam a fazer parte de nós.
Sofia tinha saído dali ainda criança, quando António e Beatriz emigraram para França à procura de uma vida melhor. Lyon tornara-se a sua casa, mas a Covilhã nunca deixara de ser a sua terra.
Entrou na cidade e começou a reconhecer os lugares que guardava na memória.
A estação, algumas ruas, os prédios que pareciam mais pequenos do que recordava…
Tudo lhe despertava lembranças.
Quando chegou à casa onde iria ficar durante as férias, deixou as malas no quarto e abriu a janela.
Respirou fundo.
Estava de volta.
O telemóvel tocou.
— Então, já chegaste? — perguntou Beatriz, do outro lado.
— Já, mãe. Cheguei há pouco.
— Correu tudo bem?
— Sim. Estou cansada, mas feliz.
António apareceu junto de Beatriz.
— Manda um beijo à nossa menina — disse ele.
— Eu ouvi! — respondeu Sofia, rindo.
— Aproveita bem as férias — disse Beatriz. — E não te esqueças de descansar.
— Prometo.
Depois de desligar, Sofia ficou alguns segundos a olhar para o telemóvel.
Sentia saudades dos pais, mas também uma enorme vontade de aproveitar aqueles dias.
Pouco depois recebeu uma mensagem.
Cláudia: “Já estás na Covilhã?”
Sofia respondeu imediatamente:
“Sim! Quando nos vemos?”
A resposta não demorou.
“Daqui a pouco. E prepara-te, porque tenho muita coisa para te contar.”
Sofia sorriu.
Conhecia bem Cláudia.
Quando ela dizia que tinha muita coisa para contar, normalmente significava que a conversa ia durar horas.
Encontraram-se pouco depois.
O abraço foi apertado.
— Estás igual! — disse Cláudia.
— Tu é que estás diferente.
— Para melhor?
— Ainda estou a decidir.
As duas começaram a rir.
Foram tomar um café e passaram boa parte da tarde a recordar histórias antigas, pessoas que tinham conhecido e episódios da infância.
Sofia sentia-se novamente em casa.
Até que, a certa altura, Cláudia ficou mais séria.
— Posso fazer-te uma pergunta?
— Claro.
— Nunca tiveste curiosidade sobre os teus primeiros anos na Covilhã?
Sofia franziu o sobrolho.
— Como assim?
— Tu eras muito pequena quando foste para França. Há coisas de que provavelmente nem te lembras.
— É normal. Eu era uma criança.
Cláudia hesitou.
— A minha mãe contou-me algumas coisas há muitos anos. Sobre aquela época.
Sofia olhou para ela com atenção.
— Que coisas?
Cláudia pareceu arrepender-se de ter começado aquela conversa.
— Nada de importante. Esquece.
— Agora tens de contar.
— Depois falamos disso.
Sofia ficou intrigada.
Quando regressou a casa, tentou não pensar mais no assunto.
Mas não conseguiu.
Naquela noite, ligou aos pais.
Beatriz atendeu.
— Está tudo bem, filha?
— Está. Queria só ouvir a vossa voz.
— Já estás com saudades?
— Um bocadinho.
Conversaram durante alguns minutos.
Sofia esteve quase a perguntar sobre a sua infância.
Quase.
Mas alguma coisa a fez parar.
— Boa noite, mãe.
— Boa noite, filha. Dorme bem.
Depois de desligar, Sofia ficou sentada na cama, pensativa.
A conversa com Cláudia continuava a incomodá-la.
Pegou no telemóvel.
Tinha uma nova mensagem.
Era de Cláudia.
“Sofia, estive a pensar no que te disse hoje. Acho que chegou a altura de te contar uma coisa que ouvi da minha mãe há muitos anos.”
Sofia sentiu um arrepio.
Antes que pudesse responder, chegou uma segunda mensagem:
“Mas tens de prometer que não vais contar a ninguém.”
Sofia ficou a olhar para o ecrã.
O que poderia ser tão importante?
E por que razão a mãe de Cláudia saberia alguma coisa sobre os primeiros anos da sua vida?

Fim do Episódio 2.



CAMINHOS CRUZADOS Episódio 1 — Antes da viagem

Lyon acordava lentamente naquela manhã de verão.
Pelas ruas, a cidade começava a ganhar o movimento habitual. Pessoas apressadas a caminho do trabalho, cafés a abrir portas e o ruído dos carros misturavam-se com os primeiros raios de sol.
Sofia olhou para o relógio antes de sair de casa.
Tinha 25 anos e trabalhava como enfermeira num hospital de Lyon. Gostava da profissão, apesar das exigências e das noites mal dormidas. Cuidar dos outros fazia parte da sua vida e, de certa forma, era aquilo que a fazia sentir-se útil.
Naquela manhã, porém, havia outra coisa a ocupar-lhe os pensamentos.
As férias.
— Finalmente! — disse Sofia, sorrindo enquanto fechava a mala. — Este ano preciso mesmo de descansar.
Na sala, António e Beatriz preparavam o pequeno-almoço.
— Já tens tudo pronto? — perguntou Beatriz.
— Acho que sim. Só falta meter algumas coisas no carro.
António levantou os olhos do café e sorriu.
— Covilhã outra vez...
Sofia riu.
— E que mal tem? É a minha terra. Tenho saudades.
Beatriz ficou alguns segundos em silêncio.
— Também eu...
Sofia não reparou na expressão da mãe.
Para ela, aquela viagem era apenas o regresso temporário a uma cidade que guardava algumas das melhores recordações da sua infância.
António e Beatriz tinham sido sempre o seu porto seguro. Tinham estado presentes nos momentos bons e nos momentos difíceis. Sofia nunca tivera razões para duvidar do amor daqueles dois.
E talvez por isso não compreendesse o estranho silêncio que, por vezes, surgia quando falavam dos primeiros anos da sua vida.
— Mãe?
— Sim?
— Estás bem?
Beatriz sorriu rapidamente.
— Estou, filha. Só estou a pensar que o tempo passa depressa demais.
Sofia aproximou-se e abraçou-a.
— Quando voltar, continuas a ter aqui a tua filha para te chatear.
Beatriz apertou-a contra si.
— Sempre.
Foi uma palavra simples.
Mas António, que observava as duas, baixou os olhos.
Havia coisas que não se diziam.
Havia perguntas que nunca tinham sido feitas.
E havia uma história enterrada há vinte e cinco anos que António e Beatriz tinham jurado nunca revelar.
Horas depois, Sofia entrou no carro.
Antes de partir, olhou uma última vez para a casa onde crescera.
Sentia-se feliz.
Não sabia que aquela viagem a Portugal iria mudar para sempre a sua vida.
A estrada parecia interminável, mas Sofia estava animada.
Pelo caminho, enviou uma mensagem a uma amiga na Covilhã:
“Amanhã estou aí. Temos de pôr a conversa em dia!”
Guardou o telemóvel e sorriu.
Não fazia ideia de que, dentro de poucos dias, uma conversa muito diferente iria acontecer.
Uma conversa que começaria por acaso.
Uma conversa que lhe faria uma pergunta para a qual nunca estivera preparada.
Quem era, afinal, Sofia?

Fim do Episódio 1.



🌿 AS FÉRIAS ESTÃO POR UM FIO… E UMA NOVA HISTÓRIA ESTÁ PRESTES A COMEÇAR! 📖❤️

As férias estão por um fio… Em breve, volto ao trabalho, com a dedicação de sempre. E, como a vida passa depressa, não tarda estamos no Natal e, quando dermos por isso, as férias estarão aí outra vez.

É assim a vida: feita de ciclos, de partidas e regressos, de momentos que passam demasiado depressa. 

Mas há algo que devemos valorizar acima de tudo: a saúde. Porque, sem ela, não conseguimos saborear verdadeiramente os pequenos e grandes momentos que a vida nos oferece. 

Mas estas férias não foram apenas para descansar. Também foram de muito trabalho!
Durante este período, dediquei muitas horas a escrever um romance que, a partir de amanhã, começarei a publicar aqui, diariamente, sempre à mesma hora, ao longo de 90 dias ininterruptos.

São três meses de uma história que espero que vos faça companhia, vos emocione, vos surpreenda e, acima de tudo, vos dê vontade de voltar no dia seguinte para descobrir o que vem a seguir.

Vou desvendar-vos um pequeno segredo…

O romance chama-se “CAMINHOS CRUZADOS” e a trama passa-se nos nossos dias, na época que vivemos atualmente.
E talvez seja precisamente por isso que algumas das personagens, algumas das situações e alguns dos caminhos desta história vos possam parecer estranhamente familiares…
Mas não vou contar mais. 

Uma história escrita com muito carinho, que espero que vocês gostem tanto de ler como eu gostei de a escrever.
E agora que já disse tudo… ou quase tudo… 

Não faltem ao primeiro capítulo! 

Bom dia para todos nós 🍀



🌿BOA VIZINHANÇA

Hoje, uma pessoa sai de casa, entra em casa e, muitas vezes, nem conhece os próprios vizinhos. Mas, na minha mocidade, as coisas eram bem diferentes.

Os vizinhos eram os guardiões uns dos outros. As portas e as janelas podiam ficar abertas que ninguém entrava onde não devia. Das janelas conversava-se de um lado para o outro, e a música ouvia-se, muitas vezes, quase na rua toda.
Podiam-se assar sardinhas que ninguém ficava incomodado com o cheiro. E, se fosse preciso, ainda se repartiam por quem estivesse por perto. O “tintol” era servido pelos restantes homens que se encontravam junto às portas, numa daquelas tertúlias espontâneas que faziam parte do dia a dia.

 Quando brincava na rua, lá se ouvia a voz da minha mãe a chamar:

— O almoço está pronto!

E, sem pestanejar, lá ia eu a correr para casa.

Toda a gente em redor sabia quem era filho de quem e, por vezes, em jeito de ameaça, lá vinha o aviso:

— “Se te portares mal, vou dizer ao teu pai!”

Estávamos sob a vigilância dos adultos por onde quer que andássemos. Naquela altura, não se ouvia falar de raptos nem de abusos como infelizmente ouvimos hoje, e as crianças tinham uma liberdade que atualmente parece quase impossível de imaginar.

Na loja ou na padaria, nem era preciso identificarmo-nos. Bastava dizer:

— “A minha mãe pediu isto ou aquilo.”

E o recado era entregue.

Quando faltava alguma coisa em casa, lá estava a vizinha para desenrascar. E, se faltasse a luz, havia sempre uma vela por perto. No meu caso, cheguei várias vezes a ir ao Sr. Paraíso, da agência funerária, pois ele dizia aos meus pais que, quando fosse preciso, estava ali para desenrascar.
Era assim. Havia confiança, entreajuda e, acima de tudo, havia vizinhança.

Nos Santos Populares, a vizinhança organizava sempre o seu bailarico, com o chiado, a boa da sardinha assada, pão e vinho tinto.
Aparecesse quem aparecesse, ninguém passava fome.

Nessa altura é que havia verdadeiro bairrismo. As ruas, junto às portas, estavam sempre varridas e muitas eram enfeitadas com lindos vasos de flores. Tudo era arranjado pela vizinhança, por gente que tinha orgulho e brio no seu bairro, na sua rua e, sobretudo, naquilo que era de todos.

Sei que os tempos são outros e que, como hoje se diz, existe muito stress. A vida mudou, as pessoas mudaram e até a maneira de nos relacionarmos mudou.
Mas que saudade de ver as crianças a brincar na rua, enquanto os adultos conversavam descontraidamente à porta de casa, muitas vezes sentados nas suas cadeiras, falando da vida, dos vizinhos e de tudo um pouco.

E, em jeito de brincadeira, até diria que eram os grupos do Facebook daquele tempo. 
Só que havia uma grande diferença: em vez de escreverem atrás de um ecrã, estavam ali, frente a frente, a conversar, a rir e a partilhar a vida.

E isso, meus amigos, é daquelas coisas que o tempo levou, mas que a memória teima em guardar.
Que saudade desses tempos de boa vizinhança, em que a porta do vizinho estava tão perto como se fosse a porta de nossa casa.

A fotografia é do Largo de Infantaria 21, na Covilhã, onde ainda se fizeram alguns bailaricos populares. 
Ficava perto da antiga sede do Arsenal de São Francisco, na Rua Nogueira dos Frades.

Bons tempos… boas memórias… e uma enorme saudade!

Bom dia para todos nós🍀



🌿OS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA COVILHÃ

Anos 70, ainda antes da Revolução dos Cravos.

A Covilhã era, nessa altura, uma verdadeira cidade operária. Logo pela manhã, os grupos de operários dirigiam-se para as fábricas, enquanto outros faziam o percurso inverso, regressando a casa depois de uma noite de trabalho.
O Café Danúbio, de que o meu saudoso pai era proprietário, abria portas pelas seis da manhã. O meu pai, além do café, era também motorista de carros de praça, e quem permanecia mais tempo no estabelecimento era a minha avó, a Dona Maria da Trave Grossa, nome que lhe ficou de uma taberna que tivera em tempos.

 Lembro-me particularmente de um daqueles dias de novembro. Levantei-me cedo e, pela casa, ainda circulava o fumo do tabaco Kart, a marca que o meu pai fumava.
Enquanto me preparava para ir tomar o pequeno-almoço, ouvi a sirene dos Bombeiros tocar.
Era um toque intermitente (tipo choro).
Naqueles tempos, nós, miúdos, sabíamos distinguir os diferentes toques da sirene. Quando era intermitente, normalmente significava incêndio numa habitação ou acidente. Havia também o toque mais longo, geralmente associado a incêndios em mato ou a ocorrências consideradas menos urgentes.

 E, mal ouvia a sirene, eu não pensava duas vezes: saía disparado!
Subia as Escadas do Fael, seguia pela Rua Rui Faleiro, atravessava a Travessa do Postiguinho e lá estava eu, em frente ao quartel dos Bombeiros, à espera de ver sair as viaturas.
Os adultos perguntavam aos Bombeiros onde era o fogo ou o acidente e eu, sempre atento, ficava logo a saber a informação. Depois, regressava ao Danúbio e fazia questão de contar aos clientes onde tinha acontecido a ocorrência.
Era uma espécie de repórter de bairro, ainda sem saber que, muitos anos mais tarde, haveria de gostar tanto de contar histórias e memórias da minha cidade. 

Lembro-me também de que o jipe saía logo, normalmente com o comandante, e depois começavam a sair as chamadas “bombas”, uma atrás da outra, à medida que os bombeiros iam chegando ao quartel.
E eu ficava ali.
Só arredava pé quando o último carro saía.
Eu e muitos outros “mirones” que, naquela época, se juntavam em frente ao quartel para acompanhar aquele movimento. 
Hoje, tantos anos depois, sempre que ouço uma sirene de Bombeiros, é impossível não recuar no tempo.
Volto a ver aquele miúdo a correr pelas ruas da Covilhã, cheio de curiosidade, a querer saber onde era o fogo, quem tinha precisado de ajuda e para onde tinham partido aquelas viaturas vermelhas.
Mas, acima de tudo, volto a lembrar-me de homens e mulheres que, muitas vezes sem sabermos os seus nomes, saíam de casa deixando para trás a família, o trabalho e a tranquilidade, para correrem em auxílio de quem precisava.

É por isso que hoje quero deixar uma palavra de enorme respeito, gratidão e reconhecimento a todos os Bombeiros.
Aos que estão no ativo, aos que já vestiram essa farda e a todos aqueles que, ao longo dos anos, deram o melhor de si pela nossa comunidade, o meu muito obrigado!
E, de forma muito especial, uma merecida homenagem à nossa corporação dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, homens e mulheres que continuam a honrar uma missão que merece todo o nosso respeito e admiração.

Ser Bombeiro é muito mais do que vestir uma farda.
É ter coragem para correr quando todos os outros fogem.
É estar disponível para ajudar, muitas vezes sem saber o que vai encontrar.
É salvar, proteger e, tantas vezes, dar a própria vida pelos outros.
 A todos os Bombeiros Voluntários da Covilhã, o meu sincero e sentido OBRIGADO

Porque depois de um dia a cuidar dos outros, também os nossos Bombeiros merecem que alguém cuide deles. 

Bom dia para todos nós 🍀



🌿O MEU DIÁRIO

Antes de escrever mensagens no computador, tive um diário onde escrevia aquilo que achava importante. Era um desabafo para o papel, com alguns erros, é certo, mas com muita dedicação.

Escrevia sobre paixonetas, anotava os trocos que tinha para o mês, da mesada que me davam, as arrelias do dia… Enfim, era uma espécie de rede social, mas muito pessoal. Quando andava no ciclo preparatório, ainda tive algumas dedicatórias de colegas de escola que escreviam nesse diário.

 Num verão recente, resolvi romper com uma certa parte do passado. Algumas cartas e dedicatórias deitei fora; coisas que guardei religiosamente durante anos, coloquei-lhes uma pedra em cima. Fiquei com alguns aerogramas que escrevia e recebia do tempo em que o meu irmão esteve em Angola, na Guerra Colonial, uns bilhetes de cinema do Cine Centro e do Teatro Cine, e os bilhetes de futebol do ano da subida do Sporting Clube da Covilhã à 1.ª Divisão.
Das paixonetas da infância, foi quase tudo embora… mas apenas do papel, porque, na memória, ficou gravado.

Tudo tem um prazo de validade. Até as pedras, um dia, se vão transformar em pó. Quando fecho um ciclo, não estou a deitar fora o passado; estou apenas a fazer as pazes com ele.
Já não é possível voltar atrás, mas é possível aceitar aquilo que um dia nos foi dado e também aquilo que, um dia, nos foi retirado. Tudo tem uma razão de ser.

Por vezes, tenho de apagar números de telemóvel. Os amigos vão partindo e, apesar da dor, tenho de aceitar. É a lei da vida. Todos temos o nosso destino marcado.

Importante mesmo é fazer as pazes com o passado e poder viver o presente com a consciência tranquila e o coração mais leve. E, quem sabe, um dia, noutro sítio qualquer, iremos pôr a conversa em dia…

Porque há pessoas que saem da nossa vida, mas nunca saem verdadeiramente da nossa memória.

Bom dia para todos nós🍀





🌿TRAGO EM MIM

Trago em mim as recordações da infância, feitas de momentos simples, mas que o tempo nunca conseguiu apagar. São memórias que permanecem guardadas no coração e que, de vez em quando, regressam para nos lembrar de quem fomos e de tudo aquilo que vivemos.

Trago também a realidade do presente, com os seus dias bons e menos bons, com as alegrias, as 
dificuldades, as conquistas e as aprendizagens que a vida nos vai oferecendo.

E, acima de tudo, trago em mim a esperança no futuro.

Porque podemos carregar saudades do passado, viver intensamente o presente e, ainda assim, continuar a acreditar que amanhã será um dia melhor.

A vida é feita de memórias que nos aquecem o coração, de momentos que nos ensinam e de sonhos que nos fazem continuar a caminhar.

Trago em mim aquilo que fui, aquilo que sou e a esperança naquilo que ainda poderei ser.

E talvez seja isso que torna a nossa caminhada tão bonita: nunca deixarmos de acreditar.

Bom dia para todos nós 🍀



🌿A IMPORTÂNCIA DE VIVERMOS EM PAZ

A importância de vivermos em paz é fundamental para o futuro da humanidade e para a sustentabilidade do nosso planeta.

Vivemos tempos em que, demasiadas vezes, o ódio parece falar mais alto do que o respeito, a intolerância tenta sobrepor-se ao diálogo e a divisão é alimentada por aqueles que sabem que um povo unido é sempre mais difícil de manipular.

Mas nunca podemos esquecer uma verdade essencial: não existe futuro onde reina o ódio, nem verdadeira humanidade onde falta o respeito pelo próximo.

Viver em paz não significa pensarmos todos da mesma forma. Não significa concordarmos com tudo, nem fecharmos os olhos ao que consideramos errado. Pelo contrário. A paz constrói-se precisamente quando, mesmo tendo opiniões diferentes, somos capazes de dialogar, respeitar e reconhecer no outro um ser humano com a mesma dignidade que nós.

Para quem acredita nos valores cristãos, a mensagem é clara e intemporal: amar o próximo, praticar o bem, perdoar, ajudar quem sofre e tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Jesus Cristo não ensinou o ódio, a discriminação ou a perseguição. Ensinou o amor, a compaixão, a humildade e a paz.

E é por isso que o racismo nunca poderá ser aceite por uma sociedade verdadeiramente humana e cristã.
Nenhuma pessoa é superior a outra pela cor da pele, pela sua origem, pela nacionalidade, pela religião ou pela condição social. Antes de qualquer rótulo, somos todos seres humanos. Todos choramos, todos sofremos, todos amamos e todos desejamos, no fundo, viver com dignidade e esperança.

Também devemos estar atentos aos falsos profetas. Aos que aparecem com discursos aparentemente salvadores, prometendo resolver tudo através do medo, do ódio e da divisão. Aos que apontam sempre um inimigo para esconder os verdadeiros problemas. Aos que usam a fé para manipular, a mentira para convencer e a revolta para conquistar poder.

Nem todos os que falam de Deus vivem segundo os seus ensinamentos. Nem todos os que falam de paz trabalham verdadeiramente para a alcançar. Nem todos os que prometem salvar o povo estão interessados no bem do povo.
Por isso, é fundamental pensar, ouvir, questionar e não entregar a nossa consciência a ninguém.

E aqui entra outro dos maiores poderes que possuímos numa sociedade democrática: o voto. 
Votar não é apenas colocar uma cruz num boletim. É assumir uma responsabilidade. É escolher, de forma livre e pacífica, o rumo que desejamos para a nossa terra, para o nosso país e para o futuro dos nossos filhos e netos.

O voto pode fazer a diferença.
Pode ser usado para apoiar aqueles que defendem o respeito, a justiça, a verdade e a dignidade humana. Ou pode, quando mal pensado e entregue ao medo, abrir portas à intolerância, à mentira e à divisão.
Cada voto é uma voz. E cada voz tem o poder de ajudar a escolher entre caminhos que aproximam as pessoas e caminhos que as afastam.

Não devemos votar por ódio. Não devemos votar movidos pela mentira. Não devemos votar apenas porque alguém grita mais alto ou promete aquilo que sabemos ser impossível.
Devemos votar com consciência, com responsabilidade e, acima de tudo, com humanidade.

Porque o verdadeiro progresso não se mede apenas pela riqueza de uma nação. Mede-se pela forma como tratamos os mais frágeis, os idosos, as crianças, os pobres, os diferentes e todos aqueles que, por alguma razão, precisam de uma mão estendida em vez de um dedo acusador.

A paz começa em cada um de nós.
Começa nas palavras que escolhemos.
Na forma como falamos de quem é diferente.
Na capacidade de discordar sem insultar.
Na coragem de combater o mal sem nos transformarmos naquilo que condenamos.

O mundo não precisa de mais muros entre as pessoas. Precisa de mais pontes.
Não precisa de mais racismo. Precisa de respeito.
Não precisa de falsos salvadores. Precisa de pessoas verdadeiras.
Não precisa de mais ódio. Precisa de amor, justiça, consciência e paz.

Que nunca nos falte coragem para defender aquilo em que acreditamos, mas que nunca percamos a capacidade de respeitar quem pensa de forma diferente.

Porque podemos escolher lados, ideias e caminhos, mas nunca devemos perder os valores que nos tornam humanos.

Que a nossa voz seja pela paz. Que o nosso coração seja pelo bem. E que as nossas escolhas sejam sempre feitas com consciência, para que nunca seja o ódio a decidir o futuro que pertence a todos nós.

A paz não é fraqueza. A paz é uma das maiores forças que o ser humano pode ter. 

Bom dia para todos nós 🍀



Muito obrigado pela vossa visita

Voltem sempre...