CAMINHOS CRUZADOS Episódio 14 — O nome escondido

Sofia não conseguia tirar os olhos da carta.
Aquela folha tinha estado escondida durante vinte e cinco anos.
E alguém tinha arrancado precisamente a parte mais importante.
O nome do seu pai.
— Quem fez isto? — perguntou.
Francisco não respondeu.
— Tens de saber alguma coisa.
— Só sei que a carta estava numa caixa que pertencia à minha mãe.
Sofia levantou-se.
— Então temos de descobrir quem a colocou em casa do meu pai.
Nesse momento, o telemóvel tocou.
Era Maria da Luz.
— Sofia, descobri mais uma coisa.
— O quê?
— Venha ter comigo.
Pouco depois, Sofia e Francisco estavam novamente em casa de Maria da Luz.
A mulher tinha sobre a mesa uma pequena fotografia.
— Encontrei isto esta manhã.
Sofia pegou nela.
Era uma fotografia antiga de Rita.
Ao lado dela estava um homem.
Sofia ficou a olhar.
— Quem é?
Maria da Luz respondeu:
— Paulo.
O nome fez Sofia lembrar-se imediatamente da inicial que aparecia na carta.
P.
— Ele era o pai?
Maria da Luz hesitou.
— Era o homem de quem Rita estava grávida quando tudo aconteceu.
Sofia sentiu os olhos encherem-se de lágrimas.
— Então o meu pai chama-se Paulo.
— Sim.
Francisco aproximou-se da fotografia.
— Eu conheço este homem.
Sofia virou-se para ele.
— Conheces?
— Vi-o algumas vezes com a minha mãe.
Maria da Luz interrompeu:
— Há mais uma coisa que precisam de saber.
Abriu uma velha agenda.
— Paulo não desapareceu em 2001.
Sofia ficou imóvel.
— Então onde está?
Maria da Luz passou o dedo por uma morada escrita numa página.
— Coimbra.
O coração de Sofia disparou.
— Coimbra?
— Sim.
Francisco olhou para Sofia.
— Tens de ir.
Nessa noite, Sofia ligou para António.
— Pai...
Foi a primeira vez que pronunciou aquela palavra desde que descobrira a verdade.
António ficou em silêncio.
— Já sei o nome dele.
Do outro lado, ouviu-se uma respiração profunda.
— Sofia...
— Chama-se Paulo.
António não respondeu.
— É verdade?
Mais silêncio.
— Sim.
Sofia fechou os olhos.
— Porque é que nunca me contaste?
— Porque prometi à Rita.
— Prometeste o quê?
— Que te protegeria.
— De quê?
António começou a chorar.
— Do homem que era teu pai.
Sofia ficou confusa.
— Ele queria fazer-me mal?
— Não.
— Então porquê?
António demorou a responder.
— Porque a história que te contaram sobre ele não era verdadeira.
Sofia sentiu um arrepio.
— O que queres dizer?
— Amanhã, quando chegarmos a Portugal, eu conto-te tudo.
— Não. Quero saber agora.
António respirou fundo.
— Paulo nunca abandonou a Rita.
Sofia ficou sem palavras.
— Foi a Rita que o deixou acreditar que tu tinhas morrido.
O mundo de Sofia pareceu desabar.
— Porquê?
António não respondeu.
— Pai!
A chamada terminou.
No dia seguinte, Sofia preparou uma pequena mala.
Cláudia apareceu em sua casa.
— Vais para Coimbra?
— Vou.
— Sozinha?
Sofia olhou para Francisco.
Ele estava à porta.
— Não.
Cláudia percebeu.
— Encontraste o teu pai?
Sofia segurou a fotografia contra o peito.
— Ainda não.
Respirou fundo.
— Mas sei onde ele está.
Francisco aproximou-se.
— E se não for aquilo que esperas?
Sofia olhou para ele.
— Depois de tudo o que descobri, já não tenho medo da verdade.
Os dois ficaram em silêncio.
Francisco segurou-lhe a mão.
— Então vamos.
Sofia sorriu pela primeira vez em muitos dias.
Mas, antes de saírem, recebeu uma mensagem de um número desconhecido.
“Sofia, não vás à procura de Paulo. Há uma verdade que António ainda não te contou.”
Ela mostrou a mensagem a Francisco.
— Quem enviou isto?
O telefone voltou a vibrar.
Desta vez havia apenas uma fotografia.
Sofia abriu-a.
Era uma fotografia recente de Paulo.
E, ao lado dele, estava uma mulher que Sofia nunca tinha visto.

Fim do Episódio 14.



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