A fotografia estava sobre a mesa.
Ao lado, o documento antigo.
E, na sua cabeça, uma sucessão de perguntas para as quais ninguém parecia querer dar resposta.
Rita.
Francisco.
2001.
António e Beatriz.
Tudo parecia estar ligado.
Mas como?
Na manhã seguinte, Sofia tomou uma decisão.
Ligaria novamente a Beatriz.
Desta vez não iria fazer perguntas.
Iria exigir respostas.
Pegou no telemóvel.
— Mãe, precisamos de conversar.
A voz de Beatriz surgiu do outro lado.
— Eu sei, filha.
— Conheces a Rita?
Silêncio.
— Sim.
Sofia fechou os olhos.
Finalmente.
— Desde quando?
— Desde antes de tu nasceres.
Sofia sentiu um arrepio.
— Então a Rita conhecia-me?
Beatriz começou a chorar.
— Conhecia.
Aquela resposta atingiu Sofia como um golpe.
— Quem era ela para mim?
Beatriz não respondeu.
— Mãe!
— Não posso contar-te tudo por telefone.
— Então conta-me quando chegares.
— Vamos regressar amanhã.
Sofia ficou imóvel.
— Amanhã?
— Sim. Eu e o teu pai.
— E depois vais contar-me a verdade?
Beatriz respirou fundo.
— Depois de tantos anos, já não podemos continuar a esconder.
A chamada terminou.
Sofia sentou-se na cama.
Pela primeira vez, sentia que a verdade estava realmente próxima.
Nesse mesmo dia, Sofia encontrou Francisco.
Contou-lhe o que Beatriz tinha dito.
Ele ficou pensativo.
— Então a minha mãe conhecia-te antes de eu nascer.
— É o que parece.
Francisco tirou do bolso uma pequena chave.
— Há uma coisa que nunca contei a ninguém.
Sofia olhou para a chave.
— O que é?
— Depois da morte da minha mãe, encontrei uma caixa escondida.
— E nunca a abriste?
— Abri.
Francisco baixou os olhos.
— Dentro havia cartas.
— Cartas de quem?
— Da minha mãe.
— Para quem?
Francisco levantou os olhos para Sofia.
— Para António.
Sofia ficou sem respiração.
— Para o meu pai?
— Sim.
Francisco entregou-lhe uma das cartas.
O envelope estava envelhecido.
Na frente, escrito à mão, estava apenas:
“António — não podes levar a Sofia sem saberes toda a verdade.”
Sofia começou a tremer.
— Sofia...
Ela não conseguia falar.
Virou o envelope.
A carta tinha sido escrita em 2001.
Francisco segurou-lhe o braço.
— Queres mesmo ler?
Sofia olhou para ele.
Tinha lágrimas nos olhos.
— Passei vinte e cinco anos sem saber quem sou.
Abriu o envelope.
Retirou lentamente a folha.
Começou a ler.
A primeira frase fez-lhe faltar o ar:
“António, entrego-te a minha filha porque já não tenho condições para a criar...”
Sofia levou a mão à boca.
A carta caiu-lhe das mãos.
Francisco ficou pálido.
— Sofia...
Ela olhou para ele.
Agora já não havia espaço para dúvidas.
Rita tinha sido a mulher que lhe entregara a filha.
E António sabia de tudo.
Fim do Episódio 12.
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