A MINHA ESCOLA PRIMÁRIA

Hoje as minhas memórias levam-me ao tempo da minha escola primária, um pouco em jeito de homenagem à minha professora, Dona Rosa, falecida na semana passada.

Da minha casa à escola distavam poucos metros de distância.- saía da minha residência com a pasta bem presa na mão, pisava as velhas pedras da rua Comendador Campos Melo e subia a Fernão Penteado, até dar de frente com a porta da escola da Dona Gabriela Seco.

A sala era pequenina mas acolhedora, nas paredes um quadro de ardósia, mapas de Portugal insular, Ultramarino e Continental e o crucifixo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os lugares nas carteiras eram sempre os mesmos, escolhidos pela professora no inicio do ano, o meu era um dos da frente, o que me permitia estar mais atento.
Apesar de na maioria das escolas primárias do Estado Novo as turmas serem constituídas apenas por rapazes ou raparigas, a nossa escola tinha turmas mistas o que facilitava as relações de amizade entre ambos os sexos, apenas o recreio era dividido, a parte de cima ficava para os rapazes pois tinha lá um pequeno campo para jogarmos à bola, com saída por um portão de ferro que ia dar à movimentada rua Rui Faleiro.

Ouvi histórias de amigos meus que tinham professores que lhes batiam a doer e lhes davam muitos castigos, felizmente eu não posso dizer o mesmo- nem eu, nem os meus colegas da altura.

A Dona Rosa era uma pessoa muito serena, quando entrava na sala todos nos calávamos e só nos sentávamos quando ela o fazia.
Tinha uma voz ternurenta e explicava tudo muito bem e explicitamente, escusado será dizer que não precisava mandar calar ninguém, bastava o olhar e continuava a dar a sua lição.
Quando algum de nós se portava mal tinha o seu castigo mas nada que não se aguentasse, não me recordo de nenhum castigo severo que a D. Rosa nos desse- ficar de pé a olhar para a parede ou umas reguadas de vez em quando, nada que não se aguentasse.

Os textos de português da 3ª classe eram os que mais ficaram na minha memória, escritos para as crianças entenderem e lindas gravuras que chamavam a atenção, dou como exemplo "As andorinhas", "A cigarra e a Formiga", "O rato do campo e da cidade", "Egas Moniz e a Honra", etc...

A caligrafia tinha de ser aperfeiçoada e para isso existiam os cadernos de duas linhas, a tabuada tinha de se saber na ponta da língua e sem vacilar, os rios, as serras, as linhas férreas de Portugal e das províncias ultramarinas- saber tudo isto sem pesquisar no Google meus amigo@s não era tarefa fácil 😊
Por isso quando íamos às compras com a nossa mãe o Sr. comerciante fazia as continhas todas de cabeça.

Um exame da quarta classe nesse tempo valia muito, era quase uma formação para um bom trabalho, quem fizesse o 5º ano (hoje 9º) era uma pessoa culta. Infelizmente perderam-se muitos bons valores individuais, pois tiveram de deixar a escola para ajudar os pais no sustento da casa.
Acredito que muitos operários agrícolas e fabris dos anos 60' e 70' podiam ter sido bons engenheiros, advogados ou qualquer outra profissão com formação Universitária.

No fundo, penso que todos os que estudámos nesse tempo, tivemos uma aprendizagem que com os anos se foi perdendo, muito às custas do desenvolvimento e novas tecnologias, a tabuada que tínhamos na cabeça, hoje está ao alcance de uma calculadora, assim as máquinas vão substituindo o trabalho humano e não sei até que ponto o Homem irá ficar escravo da máquina, o futuro o dirá…

Guardarei sempre boas recordações da minha instrução primária e D. Rosa, onde você estiver, obrigado de 💗

Na foto a escola da Dona Gabriela Seco na atualidade, rua Azedo Gneco na cidade da Covilhã.

Boa noite para todos nós🍀



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