UMA AVENTURA NAS PORTAS DO SOL - CAPÍTULO IV

                                          Capítulo IV
                                    O Túnel escondido


 Os passos ecoavam dentro da fábrica abandonada. As sombras das antigas máquinas de lanifícios projetavam-se nas paredes, enquanto o grupo permanecia imóvel.
— Quem está aí? — perguntou Paulo com voz firme.
A silhueta aproximou-se lentamente, iluminada pela fraca luz que entrava por uma janela partida. Era um homem idoso, de boina escura e casaco gasto.
— Não precisam ter medo — disse ele com uma voz calma. — Eu sabia que um dia alguém iria encontrar este lugar.
— Quem é o senhor? — perguntou Natércia.
— Chamam-me António… trabalhei aqui quando esta fábrica ainda tinha vida.
Hélder olhou à volta para as máquinas antigas.
— Então isto era mesmo uma das antigas fábricas de lanifícios da Covilhã…
O velho assentiu.
— Houve um tempo em que a cidade inteira vivia da lã. As fábricas, os estendedores, a ribeira… tudo estava ligado.
Quim mostrou-lhe o mapa.
— Encontrámos isto.
O homem sorriu lentamente.
— Ah… então chegaram até aqui.
— O senhor conhece este mapa? — perguntou João.
— Conheço… porque fui eu que ajudei a desenhá-lo, há muitos anos.
Todos ficaram surpreendidos.
— Mas para quê? — perguntou Francisco.
O velho apontou para a porta trancada no fundo da fábrica.
— Porque o verdadeiro segredo ainda está por trás dessa porta.
Com um molho de chaves antigas tirado do bolso, António abriu lentamente a fechadura.
A porta rangeu… revelando outro túnel.
— Este é um dos túneis mais antigos da cidade — explicou ele. — Foi usado há mais de cem anos para ligar as fábricas aos pontos mais altos da cidade.
— E vai dar onde? — perguntou Natércia.
O velho sorriu.
— Sigam-me.
O grupo entrou no túnel. Era mais largo que o anterior e as paredes estavam feitas de pedra antiga. Durante vários minutos caminharam por uma galeria ligeiramente inclinada.
O ar começava a ficar mais fresco.
— Estamos a subir — disse Hélder.
Ao longe apareceu uma luz fraca.
Quim acelerou o passo.
De repente chegaram a uma escada de pedra. Subiram lentamente… até encontrarem uma pequena porta de madeira.
António empurrou-a.
A porta abriu-se.
E todos ficaram em silêncio.
Tinham saído… exatamente no Miradouro das Portas do Sol.
A cidade estava iluminada pelas luzes da noite. A serra da Estrela aparecia escura no horizonte.
— O túnel… vinha dar aqui… — disse João admirado.
António explicou:
— Antigamente este lugar era um ponto estratégico da cidade. Quem controlasse as Portas do Sol podia vigiar toda a Covilhã.
Paulo olhou para o velho.
— Então o mapa não era para encontrar um tesouro?
O homem sorriu.
— Era. Mas não de ouro.
Apontou para a cidade.
— O verdadeiro tesouro é conhecer as histórias escondidas da nossa terra.
O vento soprou suavemente no miradouro.
Quim dobrou o mapa com cuidado.
— Aposto que ainda existem mais túneis por descobrir.
António piscou o olho.
— Muito mais do que imaginam…
E naquele momento todos perceberam que aquela aventura… podia estar apenas a começar.

Continua…
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