🍂 A PASSAGEM DO VERÃO PARA O OUTONO 🍂

A passagem do Verão para o Outono causa sempre uma certa nostalgia. As crianças regressam à escola, os dias ficam mais pequenos, as aves emigram e o tempo cinzento volta a fazer parte dos nossos dias. Valha-nos, ao menos, a beleza das cores do Outono, que conseguem embelezar a paisagem e dar-lhe um encanto muito próprio. 

Por entre as vidraças, vejo a chuva cair lá fora. É um daqueles momentos que nos levam para outros pensamentos e nos fazem viajar no tempo.

Quando era criança, também ficava longos minutos com a cara encostada ao vidro da janela, a ver a chuva cair e as pessoas apressadas no passeio, tentando desviar-se das poças de água. Era como se o mundo lá fora tivesse outra vida quando chovia.

Nos dias mais frios, tínhamos a braseira, que acendíamos com álcool e, por cima, colocávamos um estrado para podermos aquecer os pés. Enquanto isso, na televisão, passava a Telescola durante a tarde… uma grande seca para mim naquela altura! 

À tarde, vinha sempre uma fresquinha da Serra da Estrela. Se no Verão agradecíamos aquela aragem fresca, no Outono já era bem menos desejada. E depois havia o som inconfundível do amola-tesouras que, como se dizia na nossa terra, era sinal de que a chuva vinha a caminho.

Mas não era só o amola-tesouras que parecia adivinhar a chuva.

Quando víamos a caravana do circo chegar e começar a montar a tenda na cidade, era chuva pela certa! Três dias de circo no Campo das Festas e, muitas vezes, uma semanada de chuva já ninguém nos tirava. E quando começava a chover, eram dias sem fim… e o Inverno ainda vinha longe.

As aulas começavam por volta do dia 7 de Outubro e ainda hoje se costuma dizer: “Começam as aulas e muda o tempo.” Mas, naquele tempo, parecia que era mesmo assim. Coincidência ou não, começavam as aulas e o tempo mudava mesmo!

E havia ainda os avisos do Almanaque Borda d’Água, que, como se sabe, ainda hoje se vende e continua a fazer parte das nossas tradições. 

Hoje, olhando pela janela e vendo a chuva cair, dou por mim a recordar tudo isto e a pensar como eram diferentes aqueles dias… Não tínhamos tantas coisas como temos hoje, mas talvez tivéssemos mais tempo para olhar pela janela, ouvir a chuva e guardar na memória pequenos momentos que, muitos anos depois, se tornam grandes recordações.

Seja como for, as estações continuam a chegar, ano após ano, cada uma à sua hora. 

E nós só temos de as acompanhar, vivendo cada uma delas da melhor maneira, para não perdermos o comboio da vida. 

Bom dia para todos nós. 🍀



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